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Vem aí a nutrição de precisão

O objetivo é criar dietas sob medida, que funcionem de acordo com as características e circunstâncias vividas por cada indivíduo Alguns (ou muitos) quilos a mais? Taxas altas de colesterol? Quem enfrenta esse tipo de desafio quase tem que se satisfazer com uma dieta de restrições – e conheço gente que não pode mais ver peito de frango grelhado com salada… No entanto, se depender da Sociedade Norte-Americana de Nutrição (ANS em inglês), em poucos anos uma revolução mudará os parâmetros da alimentação. No encontro anual da entidade, realizado entre 14 e 16 de junho, a grande vedete das discussões foi a nutrição de precisão. Como o nome diz, trata-se de um novo campo de pesquisa cujo objetivo é criar dietas sob medida, que funcionem de acordo com as características e circunstâncias vividas por cada indivíduo.
Nutrição de precisão: objetivo é criar dietas sob medida, de acordo com as características de cada indivíduo
Carlos Silva para Pixabay
Os mais otimistas talvez já estejam salivand..

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O objetivo é criar dietas sob medida, que funcionem de acordo com as características e circunstâncias vividas por cada indivíduo Alguns (ou muitos) quilos a mais? Taxas altas de colesterol? Quem enfrenta esse tipo de desafio quase tem que se satisfazer com uma dieta de restrições – e conheço gente que não pode mais ver peito de frango grelhado com salada… No entanto, se depender da Sociedade Norte-Americana de Nutrição (ANS em inglês), em poucos anos uma revolução mudará os parâmetros da alimentação. No encontro anual da entidade, realizado entre 14 e 16 de junho, a grande vedete das discussões foi a nutrição de precisão. Como o nome diz, trata-se de um novo campo de pesquisa cujo objetivo é criar dietas sob medida, que funcionem de acordo com as características e circunstâncias vividas por cada indivíduo.
Nutrição de precisão: objetivo é criar dietas sob medida, de acordo com as características de cada indivíduo
Carlos Silva para Pixabay
Os mais otimistas talvez já estejam salivando com a perspectiva de não terem que abandonar seus quitutes preferidos, mas ainda há um longo caminho pela frente. Ele começa com o projeto “All of us” (“Todos nós”), que pretende montar um enorme banco de dados sobre um milhão de americanos. Para participar, basta ter 18 anos e concordar em compartilhar informações médicas, responder a questionários e fornecer amostras de sangue, urina e saliva para exames laboratoriais e de DNA. Os cientistas querem aprender não apenas sobre a biologia dessas pessoas, mas também sobre seu estilo de vida e o ambiente no qual vivem. O motivo? Quanto maior a diversidade do material, mais perto estarão de formular tratamentos personalizados.
A iniciativa é da agência governamental de pesquisa biomédica dos EUA (National Institutes of Health), cuja meta é tornar a medicina de precisão – que leva em conta todo o ambiente no qual o indivíduo está inserido – uma realidade para a população. O primeiro grande movimento será na área da nutrição e, com o volume de dados do banco biológico que está sendo criado, o passo seguinte será desenvolver algoritmos que mapeiem padrões dietéticos e prevejam respostas individuais aos alimentos.
“A nutrição será vista como a soma de biologia, comportamento, influências sociais e meio ambiente. Poderá se transformar num grande passo no combate à obesidade, um dos maiores fatores de risco para as doenças cardiovasculares e o diabetes”, enfatizou o médico Bruce Lee, professor da City University of NY (CUNY).
Essa é a beleza do deep learning: com uma grande quantidade de dados processados por algoritmos, os computadores aprendem sozinhos e são capazes de realizar previsões de forma progressiva. “Vamos usar todos os tipos de biomarcadores e daremos sequência a um estudo de três fases sobre desafios alimentares e intervenções de precisão. Serão recomendações individualizadas para moderar ou otimizar esses biomarcadores”, afirmou Holly Nicastro, coordenadora do programa. A primeira etapa contará com 10 mil participantes, além de todos os que integram o “All of us”, para mapear sua dieta e as respostas fisiológicas; na segunda, serão avaliadas três intervenções de curta duração em comunidades; por fim, os ajustes nutricionais serão feitos em domicílios. O início está previsto para 2023. Nesse admirável mundo da ciência, um novo estudo com 6 mil adultos mostrou que os genes ligados à percepção do sabor desempenham papel relevante nas escolhas alimentares que fazemos. Exemplificando, uma pessoa pode descartar certos tipos de comida devido a seu perfil genético e, sabendo dessa particularidade, poderia incorporá-los à dieta com temperos que diminuíssem a rejeição.

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G1

Estudo comprova associação entre pré-diabetes e risco maior de infarto

Pacientes com esta condição apresentaram 25% mais chances de sofrer um ataque cardíaco No Endo 2022, encontro anual da Sociedade de Endocrinologia realizado no meio do mês passado, um novo estudo apontou que o pré-diabetes deve ser considerado, isoladamente, um fator de risco para a ocorrência de infarto. Essa é uma condição na qual os níveis de glicose são mais altos do que o normal, mas não o suficiente para haver um diagnóstico da doença. No entanto, a probabilidade de progressão para a enfermidade aumenta significativamente para quem tem valores de glicemia em jejum entre 100 e 125mg/dL, ou de hemoglobina glicada entre 5.7% e 6.4%. O Brasil tem perto de 17 milhões de diabéticos, sendo que metade desconhece tal fato, e calcula-se que pelo menos 40 milhões sejam pré-diabéticos.
Pré-diabetes: alimentação pouco saudável e falta de atividade física podem agravar o quadro
Skica911 para Pixabay
A médica Geethika Thota, principal autora do trabalho, afirmou que a associação entre o pré-dia..

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Pacientes com esta condição apresentaram 25% mais chances de sofrer um ataque cardíaco No Endo 2022, encontro anual da Sociedade de Endocrinologia realizado no meio do mês passado, um novo estudo apontou que o pré-diabetes deve ser considerado, isoladamente, um fator de risco para a ocorrência de infarto. Essa é uma condição na qual os níveis de glicose são mais altos do que o normal, mas não o suficiente para haver um diagnóstico da doença. No entanto, a probabilidade de progressão para a enfermidade aumenta significativamente para quem tem valores de glicemia em jejum entre 100 e 125mg/dL, ou de hemoglobina glicada entre 5.7% e 6.4%. O Brasil tem perto de 17 milhões de diabéticos, sendo que metade desconhece tal fato, e calcula-se que pelo menos 40 milhões sejam pré-diabéticos.
Pré-diabetes: alimentação pouco saudável e falta de atividade física podem agravar o quadro
Skica911 para Pixabay
A médica Geethika Thota, principal autora do trabalho, afirmou que a associação entre o pré-diabetes e problemas cardíacos ainda não estava bem fundamentada, mas que os pesquisadores analisaram dados referentes a quase 1.8 milhão de hospitalizações de vítimas de infarto: “fazendo os ajustes dos fatores de risco, os pacientes com pré-diabetes tinham 25% mais chances de sofrer um ataque cardíaco”. Na sua opinião, isso só reforça a necessidade de endereçar o assunto para que integre as políticas de saúde: “precisamos estimular todos os que estão nesta condição a adotar uma dieta saudável e fazer 150 minutos de atividade física por semana”, frisou.
De acordo com a Federação Internacional do Diabetes, as mortes causadas pela doença, no mundo, superam as por HIV e câncer de mama somadas. A estimativa é de que 425 milhões de pessoas tenham a enfermidade, total que deverá alcançar 600 milhões em duas décadas. Se os sintomas iniciais são fome e sede excessivas, as complicações a longo prazo podem ser devastadoras: acidente vascular cerebral, infarto, falência renal, cegueira, amputação de membros.

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G1

Por que somos mais sujeitos a tonturas ao envelhecer

Acima dos 60 anos, 20% apresentam algum tipo de limitação de capacidade funcional por causa do problema Tontura, desequilíbrio, visão turva, vertigem. A sensação varia, sempre assusta e se torna mais frequente à medida que envelhecemos. Mas a boa notícia é que, na maioria das vezes, não se trata de nada grave, como afirma a otorrinolaringologista Patricia Ciminelli, mestra e doutora pela UFRJ e coordenadora do ambulatório de zumbido e otoneurologia do hospital universitário da universidade.
A otorrinolaringologista Patricia Ciminelli, coordenadora do ambulatório de zumbido e otoneurologia do hospital universitário da UFRJ
Acervo pessoal
O que é a tontura?
Em primeiro lugar, é importante explicar que tontura não é doença, é um sintoma que deve ser investigado porque há diversas causas para sua ocorrência. Há alguns anos, a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia fez inclusive uma campanha para as pessoas deixarem de se referir a qualquer problema de tontura como se fosse labirint..

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Acima dos 60 anos, 20% apresentam algum tipo de limitação de capacidade funcional por causa do problema Tontura, desequilíbrio, visão turva, vertigem. A sensação varia, sempre assusta e se torna mais frequente à medida que envelhecemos. Mas a boa notícia é que, na maioria das vezes, não se trata de nada grave, como afirma a otorrinolaringologista Patricia Ciminelli, mestra e doutora pela UFRJ e coordenadora do ambulatório de zumbido e otoneurologia do hospital universitário da universidade.
A otorrinolaringologista Patricia Ciminelli, coordenadora do ambulatório de zumbido e otoneurologia do hospital universitário da UFRJ
Acervo pessoal
O que é a tontura?
Em primeiro lugar, é importante explicar que tontura não é doença, é um sintoma que deve ser investigado porque há diversas causas para sua ocorrência. Há alguns anos, a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia fez inclusive uma campanha para as pessoas deixarem de se referir a qualquer problema de tontura como se fosse labirintite – essa, sim, uma enfermidade que se caracteriza pela inflamação do labirinto. Cada um vai descrever o que sente de forma subjetiva, por isso nós, médicos, valorizamos duas coisas. A primeira é a questão temporal, ou seja, a frequência e duração dos episódios. A segunda são os gatilhos que provocam a tontura. Acontece quando o paciente se deita ou se vira na cama? Ou somente quando se levanta?
Por que idosos ficam tontos com maior frequência?
Para começar, vale uma explicação sobre nosso equilíbrio, que está baseado num tripé. O primeiro eixo é o labirinto, uma região da orelha interna responsável pela detecção do movimento: é dali que partem as informações para o cérebro quando nos mexemos ou nos deslocamos. O segundo é a visão, que nos mostra o ambiente no qual estamos. A terceira parte do tripé é a propriocepção, a capacidade de reconhecer a localização espacial do próprio corpo. Essa habilidade depende de vários fatores, como força muscular, firmeza das articulações, tato da planta do pé, enfim, trata-se de um conjunto de mensagens para o cérebro. O envelhecimento afeta todo o sistema. O labirinto envelhece e deixa de funcionar tão bem como nosso “radar”. Há diminuição da acuidade visual e incluiria o impacto da perda de audição. No que diz respeito à propriocepção, perdemos massa e força muscular, surgem problemas nas articulações. Ainda é preciso levar em conta as doenças reumatológicas e o diabetes, que compromete a sensibilidade dos pés, por causa das neuropatias periféricas. Entre os idosos, 20% dos acima de 60 anos apresentam algum tipo de limitação funcional por causa das tonturas. O emocional também desempenha papel relevante: o sentimento de ameaça e a insegurança geram mais tonturas.
Há alguma boa notícia para os mais velhos?
Sim! A maioria vai precisar apenas de ajustes e exercícios, existe fisioterapia para o labirinto e melhora dos reflexos. Musculação é fundamental para recuperar força e massa muscular. Outra frente na qual atuamos é tentar diminuir o excesso de medicamentos, conhecido como polifarmácia, que pode provocar sonolência e comprometer o equilíbrio. Normalmente as doenças de labirinto são benignas. Quando há algum distúrbio, a percepção sobre o movimento fica alterada e temos uma ilusão rotatória, a sensação de tudo estar girando ao nosso redor. A vertigem posicional paroxística benigna (VPPB) é a causa mais comum de tontura em todas as idades e aumenta com o envelhecimento. Uma manobra feita no consultório resolve o transtorno, sem necessidade de medicação. Enxaquecas podem se manifestar no labirinto, assim como a síndrome de Ménière, que é acompanhada de tontura e zumbido, por causa da compressão do líquido, chamado endolinfa, que existe no interior do labirinto.
Que sintomas devem servir de alerta sobre algo mais grave?
O que merece atenção imediata é a tontura com outros sintomas neurológicos, como alteração na mobilidade, na mímica facial, se a pessoa tem dificuldade para falar, ou para deglutir. Qualquer quadro agudo de vertigem, súbita e incapacitante, também é caso de emergência.
Qual a melhor forma detectar precocemente tais distúrbios?
O ideal é ir ao otorrinolaringologista anualmente. Uma boa audição nos ajuda a nos localizarmos, auxilia no controle postural. Boa parte dos idosos que cai já tinha um transtorno de labirinto que não havia sido detectado. Qualquer problema diagnosticado e tratado precocemente traz mais benefícios do que quando isso dá num estágio mais avançado.

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G1

Por que a desigualdade é um fator de risco para o Alzheimer

Ambiente físico e social no qual as pessoas estão inseridas pode aumentar a proteção ou ser ameaça para desenvolver demência Adriana Perez é doutora em enfermagem e professora da University of Pennsylvania. Coordena um grupo multidisciplinar para pesquisar os fatores de risco para demência na comunidade latina nos EUA e tem números assustadores que, segundo ela, costumam deixar as plateias atônitas: “o número de latinos com diagnóstico de Alzheimer vai crescer 800% até 2060, e o ambiente físico e social no qual a pessoa está inserida pode aumentar o risco ou protegê-la da doença”.
Idosa com xícara de café: população afrodescendente experimenta deterioração precoce da saúde por causa do racismo
Mehmet Kirkgoz para Pixabay
Perez abriu a conferência “Addressing health disparities” (“Endereçando as disparidades na saúde”), promovida nos dias 21 e 22 pela Alzheimer´s Association. Afirmou que na Filadélfia, onde mora há sete anos, as comunidades de baixa renda dispõem de poucos recursos para..

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Ambiente físico e social no qual as pessoas estão inseridas pode aumentar a proteção ou ser ameaça para desenvolver demência Adriana Perez é doutora em enfermagem e professora da University of Pennsylvania. Coordena um grupo multidisciplinar para pesquisar os fatores de risco para demência na comunidade latina nos EUA e tem números assustadores que, segundo ela, costumam deixar as plateias atônitas: “o número de latinos com diagnóstico de Alzheimer vai crescer 800% até 2060, e o ambiente físico e social no qual a pessoa está inserida pode aumentar o risco ou protegê-la da doença”.
Idosa com xícara de café: população afrodescendente experimenta deterioração precoce da saúde por causa do racismo
Mehmet Kirkgoz para Pixabay
Perez abriu a conferência “Addressing health disparities” (“Endereçando as disparidades na saúde”), promovida nos dias 21 e 22 pela Alzheimer´s Association. Afirmou que na Filadélfia, onde mora há sete anos, as comunidades de baixa renda dispõem de poucos recursos para se exercitar, um dos pilares para manter a saúde: “os bairros negros e latinos são os mais densamente povoados, os menos seguros e com menor número de espaços verdes e apropriados para caminhadas. Desigualdades sociais são determinantes para a atividade física”.
Adriana Perez, doutora em enfermagem e professora da University of Pennsylvania: incidência de Alzheimer aumentará 800% entre latinos
Reprodução
Em sua palestra, enfatizou que a exclusão e o racismo estrutural acompanham essas comunidades. “O acesso à saúde é limitado, assim como a oportunidade para participar de ensaios clínicos. Normalmente, é exigida proficiência em inglês e mesmo os latinos que falam bem a língua se sentem desconvidados. É como se o recado fosse: ‘não queremos vocês’. Temos que repensar os testes para medir habilidades cognitivas, que são padronizados e não levam em conta que muitos vieram de outros países e os sistemas educacionais são diferentes. Isso pode resultar numa pontuação baixa sem que o indivíduo sofra de algum tipo de demência”, detalhou.
Outra participante do evento, a epidemiologista Kristen M. George, do departamento de saúde pública da University of California, Davis, pesquisa como a desigualdade social eleva as chances de problemas cardiovasculares que, por sua vez, contribuem para o surgimento de demências. As estatísticas que apresentou mostram como a incidência da doença atinge os afrodescendentes: chega a 26.6% entre os idosos negros, enquanto não passa de 19.35% entre os brancos. Seu diagnóstico:
“O risco é muito mais alto para hipertensão e obesidade entre a população afrodescendente, que experimenta uma deterioração precoce da saúde pelo peso do racismo, pela marginalização econômica, pelo acúmulo de impactos sociais e políticos”.
George explicou que nenhuma comunidade deve ser estudada sem que se leve em conta seu acesso a saúde e educação de qualidade, estabilidade econômica, vizinhança e histórico de violência e trauma. E deu como exemplo o “Stroke belt”, ou “cinturão do derrame”, no sudeste norte-americano. Naquela região, com taxas mais altas de pobreza e baixo nível educacional, é onde ocorre o maior número de acidentes vasculares cerebrais. Estamos falando de latinos e negros norte-americanos, mas os assuntos abordados na conferência guardam inúmeras semelhanças com as mazelas brasileiras.

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G1

A vida depois de uma doença grave

Aprenda a superar os sentimentos negativos e a cuidar da saúde física e mental Relatório divulgado semana passada pela Sociedade Americana do Câncer (ACS na sigla em inglês) mostra que, no começo de 2022, o número de sobreviventes da doença bateu a marca de 18 milhões naquele país, sendo que dois terços têm mais de 65 anos – 53% haviam sido diagnosticados nos últimos dez anos. No Brasil, de acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), estima-se a ocorrência de 620 mil novos casos por ano. Entre os homens, a maior incidência é a do câncer de próstata, que responde por 29,2% do total; entre as mulheres, o de mama representa 29,7%. Como explicou a chefe da divisão de vigilância e análise de situação do Inca, Marianna Cancela, “a estimativa é de que tenhamos cerca de 1.4 milhão de pacientes que receberam o diagnóstico nos últimos cinco anos e estão vivos”. Uma boa notícia é que os dois tipos de câncer mais comuns, próstata e mama, têm boas chances de cura se diagnosticados prec..

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Aprenda a superar os sentimentos negativos e a cuidar da saúde física e mental Relatório divulgado semana passada pela Sociedade Americana do Câncer (ACS na sigla em inglês) mostra que, no começo de 2022, o número de sobreviventes da doença bateu a marca de 18 milhões naquele país, sendo que dois terços têm mais de 65 anos – 53% haviam sido diagnosticados nos últimos dez anos. No Brasil, de acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), estima-se a ocorrência de 620 mil novos casos por ano. Entre os homens, a maior incidência é a do câncer de próstata, que responde por 29,2% do total; entre as mulheres, o de mama representa 29,7%. Como explicou a chefe da divisão de vigilância e análise de situação do Inca, Marianna Cancela, “a estimativa é de que tenhamos cerca de 1.4 milhão de pacientes que receberam o diagnóstico nos últimos cinco anos e estão vivos”. Uma boa notícia é que os dois tipos de câncer mais comuns, próstata e mama, têm boas chances de cura se diagnosticados precocemente.
Ruptura biográfica: angústia durante o tratamento conduz a um processo de reformulação e estreitamento dos laços afetivos entre o paciente e familiares
InstagramFotografin para Pixabay
Tanto lá, quanto aqui, as desigualdades sociais traduzem um desafio enorme para a prevenção e o tratamento precoce. Mesmo assim, um contingente cada vez maior fica curado. Aproveitando os dados recém-divulgados, quis escrever sobre o que acontece na vida das pessoas depois da vitória sobre uma doença grave. Segundo outro estudo do Inca, os pacientes e até seus familiares tendem a adotar hábitos saudáveis, o que inclui a prática de exercícios e uma dieta balanceada. Os pesquisadores atribuíram as mudanças à dura experiência do diagnóstico e tratamento: a angústia e o sofrimento conduzem a um processo de reformulação de valores e comportamentos que é conhecido como ruptura biográfica. Apesar de questões preocupantes, como o impacto econômico para quem deixou de trabalhar, ocorre um estreitamento dos laços afetivos com familiares e com os grupos que foram solidários durante o processo.
Embora o estigma do câncer seja maior, toda enfermidade séria traz repercussões emocionais e mentais, e ainda podem surgir limitações físicas. O luto é real. Perdemos uma parte de nós, da vida como a conhecíamos. Aqui estão algumas recomendações que a médica Alisa Sabin listou em artigo que escreveu para o site SixtyAndMe: servem para lidar com os sentimentos negativos e aprender a superá-los.
Aceitar: é preciso encarar de forma realista o que mudou, reconhecer se surgiu alguma incapacidade, temporária ou permanente. Tente focar no que é possível controlar.
Conectar-se: mantenha contato e aprofunde o relacionamento com as pessoas que lhe deram acolhimento nos momentos difíceis. Lembre-se que você também é capaz de ajudar amigos e familiares com sua presença e disposição para ouvir, e não recuse auxílio se estiver precisando.
Cuidar-se: a saúde física alimenta a saúde mental. Não descuide da alimentação, da atividade física e do sono de qualidade. Aprenda a manejar a ansiedade e o estresse com técnicas de relaxamento, como meditação ou mindfulness.
Encontrar-se: cerque-se de coisas e atividades que lhe deem prazer e tragam propósito à sua existência. Pode ser um hobby, um trabalho voluntário, uma nova atividade.
Celebrar e agradecer: crie metas simples e festeje cada pequena vitória. Alimente-se com histórias inspiradoras e não se deixe abater pelo desânimo. Transforme-se em seu melhor amigo/amiga!

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G1

O mito do abismo entre as gerações

“Clichês e estereótipos alimentam batalhas, como se vivêssemos uma guerra cultural, e nos distraem do que realmente importa”, afirma professor O senso comum sempre aponta para um abismo irreconciliável entre as gerações – e está errado. Esta é a tese do professor de políticas públicas Bobby Duffy, que tive o prazer de conhecer on-line, em palestra que deu ao Instituto de Gerontologia do Departamento de Saúde Global e Medicina Social do King´s College London, onde trabalha. Autor de “O mito geracional: por que quando você nasceu importa menos do que imagina” (“The Generation myth – why when you´re born matters less than you think”), lançado em 2021, é enfático: “Clichês e estereótipos sobre o abismo entre gerações alimentam batalhas, como se vivêssemos uma guerra cultural, e nos distraem do que realmente importa”.
Bobby Duffy, professor de políticas públicas do King´s College London
Divulgação
Cita a questão das mudanças climáticas, na qual a população madura é apontada como o principa..

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“Clichês e estereótipos alimentam batalhas, como se vivêssemos uma guerra cultural, e nos distraem do que realmente importa”, afirma professor O senso comum sempre aponta para um abismo irreconciliável entre as gerações – e está errado. Esta é a tese do professor de políticas públicas Bobby Duffy, que tive o prazer de conhecer on-line, em palestra que deu ao Instituto de Gerontologia do Departamento de Saúde Global e Medicina Social do King´s College London, onde trabalha. Autor de “O mito geracional: por que quando você nasceu importa menos do que imagina” (“The Generation myth – why when you´re born matters less than you think”), lançado em 2021, é enfático: “Clichês e estereótipos sobre o abismo entre gerações alimentam batalhas, como se vivêssemos uma guerra cultural, e nos distraem do que realmente importa”.
Bobby Duffy, professor de políticas públicas do King´s College London
Divulgação
Cita a questão das mudanças climáticas, na qual a população madura é apontada como o principal vilão da situação: “as gerações mais velhas são as que mais tendem a se engajar em boicotes por motivos sociais. A General Social Survey (ligada à Universidade de Chicago) pesquisou, entre 1993 e 2018, o que os americanos pensavam sobre o assunto. Diante da pergunta sobre se concordavam que o aumento da temperatura no planeta é muito ou extremamente perigoso, o posicionamento dos baby boomers foi subindo ao longo dos anos, encostando no patamar da Geração X”.
"Houve uma migração dos idosos para as cidades menores, enquanto os jovens ocuparam os grandes centros. Essa separação é combustível para desentendimentos e interpretações equivocadas".
Só para lembrar: baby boomers são os nascidos depois da 2ª. Guerra Mundial, até o começo da década de 1960; a Geração X compreende os que nasceram entre o princípio dos anos de 1960 até 1979; em seguida vêm os Millenials (1980-1995); a partir de 1996, a Geração Z. “Sempre há um gap entre as gerações. No meio da década de 1980, 60% dos nascidos antes de 1945 achavam que as mulheres deviam ficar em casa, e somente 30% dos baby boomers concordavam com isso. Em 2021, 45% dos baby boomers afirmavam ter orgulho do império britânico, sentimento compartilhado por apenas 20% da Geração Z”, discorreu.
No entanto, Duffy chamou a atenção para problemas sociais que são profundos e nada têm a ver com um conflito de gerações. Por exemplo, a dificuldade de os mais jovens conseguirem conquistar o sonho da casa própria. “Comparando o volume de patrimônio de baby boomers e da Geração X, na faixa dos 45 anos os primeiros têm o dobro de riqueza dos outros. Mas não se trata de uma guerra na qual os mais velhos são culpados. Na verdade, houve uma escalada de preços dos imóveis e do sinal para a compra, um descolamento enorme entre o custo do imóvel e o rendimento médio”, explicou.
Na sua opinião, o século XXI assistiu a uma segregação etária que é prejudicial para todos: “houve uma migração dos idosos para as cidades menores, enquanto os jovens ocuparam os grandes centros. A ‘tensão’ entre gerações não é apenas natural, mas essencial e benéfica. Faz parte do metabolismo demográfico que impede a estagnação. Essa separação é combustível para desentendimentos e interpretações equivocadas. Temos que focar no fim da desigualdade intergeracional e proteger a conexão entre todas as faixa etárias”.

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