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Kemune: a cidade de 3,4 mil anos que reapareceu no Iraque devido à seca

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Homens e mulheres: sobre diferenças e semelhanças

Mapeamento de variáveis biológicas pode ajudar na prevenção e no tratamento de doenças Nesta segunda-feira, foi divulgada pesquisa da American Cancer Society mostrando que a maior incidência de casos de câncer ocorre entre os homens. Pesquisadores liderados pela PhD Sarah Jackson avaliaram o risco para 21 tipos de câncer acessando dados de 171 mil homens e 122 mil mulheres, entre 50 e 71 anos, participantes de um estudo entre 1995 e 2011. Nesse período, houve quase 18 mil casos de câncer entre eles e 8.742 entre elas. O achado sugere que diferenças biológicas – fisiológicas, imunológicas e genéticas – entre os gêneros podem desempenhar um papel relevante no surgimento da doença.
Homens e mulheres se igualam no risco para câncer diante de dois fatores: envelhecimento e tabagismo
Stephane Mignon, Wikimedia
A incidência de câncer só foi menor na população masculina em tumores na tireoide e na vesícula. Nos demais, a ocorrência chegava a ser de três vezes (laringe e bexiga) a dez vezes ma..

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Mapeamento de variáveis biológicas pode ajudar na prevenção e no tratamento de doenças Nesta segunda-feira, foi divulgada pesquisa da American Cancer Society mostrando que a maior incidência de casos de câncer ocorre entre os homens. Pesquisadores liderados pela PhD Sarah Jackson avaliaram o risco para 21 tipos de câncer acessando dados de 171 mil homens e 122 mil mulheres, entre 50 e 71 anos, participantes de um estudo entre 1995 e 2011. Nesse período, houve quase 18 mil casos de câncer entre eles e 8.742 entre elas. O achado sugere que diferenças biológicas – fisiológicas, imunológicas e genéticas – entre os gêneros podem desempenhar um papel relevante no surgimento da doença.
Homens e mulheres se igualam no risco para câncer diante de dois fatores: envelhecimento e tabagismo
Stephane Mignon, Wikimedia
A incidência de câncer só foi menor na população masculina em tumores na tireoide e na vesícula. Nos demais, a ocorrência chegava a ser de três vezes (laringe e bexiga) a dez vezes maior (esôfago).
No entanto, homens e mulheres se igualam no risco para câncer diante de dois fatores: envelhecimento e tabagismo. É o que aponta levantamento da American Cancer Society, que também relaciona gordura corporal elevada e histórico familiar como alguns dos critérios de atenção que merecem intervenção precoce. O estudo acompanhou mais de 400 mil pessoas, sem histórico da doença, por cinco anos.
Para as mulheres, a menopausa precoce, antes dos 40 anos, está associada ao risco aumentado para insuficiência cardíaca e fibrilação atrial, apontou estudo liberado semana passada pela European Society of Cardiology. Durante o climatério, período que compreende a passagem da fase reprodutiva para a não reprodutiva, o declínio na produção do estrogênio, hormônio que tem função vasodilatadora, torna as mulheres suscetíveis a problemas cardiovasculares. Para aquelas que enfrentam tal situação, é ainda mais importante adotar um estilo de vida saudável que inclua exercícios e alimentação balanceada.
Por fim, queria compartilhar outro trabalho, divulgado dia 3, que mostra como alguns indivíduos com placas amiloides em seus cérebros, que são associadas ao Alzheimer, não apresentam sinais da doença. Para a American Academy of Neurology, há fatores que serviriam como uma espécie de barreira, protegendo a memória e habilidades cognitivas, tais como participar de grupos, sejam de esportes ou religiosos, e estar envolvido em atividades artísticas. A pesquisa sugere que o chamado aprendizado contínuo – quando nos engajamos em atividades que demandam nosso intelecto – é extremamente benéfico, mas também é essencial cultivar conexões sociais e manter-se fisicamente ativo. Vale para todos, todas e todes!

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G1

Parceria entre UFSJ e UFJF em pesquisa estuda padrão das mutações do novo coronavírus

Pesquisadores das duas instituições analisaram dados relacionados ao combate à pandemia e efeitos da vacinação. Vírus SARS-CoV-2, foto ilustrativa
Reprodução
Para entender o padrão de comportamento das variantes do novo coronavírus, pesquisadores e professores das universidades federais de São João del Rei (UFSJ) e Juiz de Fora (UFJF) realizaram uma pesquisa.
Saiba mais:
Pesquisa inédita no Brasil busca novas variantes da covid-19
Nova variante de Covid: como cientistas brasileiros detectam BA.2 no país
Variantes de covid: o estranho caminho da mutação do coronavírus que 'desaparece' e intriga cientistas no Japão
De acordo com a professora da UFSJ, Carolina Xavier, os trabalhos mostram o padrão de comportamento das variantes e os impactos:
efetividade da vacinação;
taxa de reinfecção;
letalidade;
entre outros.
“Tudo isso usando um modelo matemático epidemiológico criado pelo grupo e ajustado via algoritmos de inteligência computacional”, explicou.
Pesquisa
No trabalho, f..

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Pesquisadores das duas instituições analisaram dados relacionados ao combate à pandemia e efeitos da vacinação. Vírus SARS-CoV-2, foto ilustrativa
Reprodução
Para entender o padrão de comportamento das variantes do novo coronavírus, pesquisadores e professores das universidades federais de São João del Rei (UFSJ) e Juiz de Fora (UFJF) realizaram uma pesquisa.
Saiba mais:
Pesquisa inédita no Brasil busca novas variantes da covid-19
Nova variante de Covid: como cientistas brasileiros detectam BA.2 no país
Variantes de covid: o estranho caminho da mutação do coronavírus que 'desaparece' e intriga cientistas no Japão
De acordo com a professora da UFSJ, Carolina Xavier, os trabalhos mostram o padrão de comportamento das variantes e os impactos:
efetividade da vacinação;
taxa de reinfecção;
letalidade;
entre outros.
"Tudo isso usando um modelo matemático epidemiológico criado pelo grupo e ajustado via algoritmos de inteligência computacional", explicou.
Pesquisa
No trabalho, foram analisados dados relacionados ao combate à pandemia da Covid-19, que investiga os efeitos de vacinação combinados à cobertura vacinal, transmissão, letalidade e reinfecção da variante ômicron nos cenários epidemiológicos do Brasil, da África do Sul e da Alemanha.
Leia também: veja quem pode ser vacinado hoje e o que fazer
As previsões específicas para cada país foram possíveis por causa de adaptações de alguns parâmetros específicos para a Covid-19 na utilização de um modelo clássico de modelagem epidemiológica, conhecido como SIRD.
“Matematicamente, os modelos são os mesmos, mas os parâmetros que caracterizam cada país são estimados usando dados reais. Aí desenvolvemos um modelo específico para cada localidade com seus parâmetros distintos, o que nos permite fazer essas comparações entre os países e os parâmetros, além de confrontar o modelo com a realidade em si”, relatou o professor da UFJFJ, Rodrigo Weber.
Ao considerarem o número de possíveis indivíduos que poderiam ser infectados novamente, os pesquisadores puderam chegar a dados que correspondiam aos divulgados pelas autoridades nacionais de saúde.
Segundo os professores, esse é um demonstrativo de como o modelo desenvolvido é uma ferramenta de importância para órgãos governamentais e autoridades sanitárias.
Resultados
O contágio desenfreado da variante ômicron significou, em muitos países, um ressurgimento da pandemia, após meses de queda no número de casos e mortes.
A pesquisa aponta, ainda, que países com baixas coberturas vacinais, como a África do Sul, por exemplo, com aproximadamente 30% da população completamente vacinada em fevereiro de 2022, sofreram um impacto muito maior no número de casos e mortes pela doença.
O estudo também mostrou que pessoas não vacinadas nos países analisados têm três a quatro vezes mais chances de óbito pela doença do que aqueles que se vacinaram.
Os pesquisadores explicam que, diante das análises realizadas no estudo que avaliou as consequências da variante delta, foi possível observar uma relação importante entre a perda natural de imunidade e o aumento de infecções na população.
Vacinação no Brasil
O Brasil atingiu metade da população vacinada no mesmo momento de expansão da variante no mundo, em outubro de 2021, um dos principais fatores para explicar a menor taxa de transmissão no país no mesmo período em que Israel enfrentava o pico dos casos.
Outro fator que elucida a ausência de um crescimento vertiginoso no cenário brasileiro da variante delta se deve à alta transmissibilidade da gama, a variante predominante antes no Brasil. O trabalho também foi capaz de avaliar que, no Brasil, a imunização em massa contra a Covid-19 foi responsável por salvar aproximadamente 300 mil vidas.
VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes

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G1

Um pouco de psicologia positiva para cuidar melhor do dinheiro

Há uma relação entre emoções como ansiedade, raiva e solidão e a autoeficácia financeira, a capacidade de se organizar e atingir metas Sarah Asebedo é diretora da faculdade de planejamento financeiro da Texas Tech University e não tem dúvidas: a psicologia positiva é capaz de desempenhar um papel relevante para as pessoas retomarem o controle de seu dinheiro. Quando nossas finanças vão mal, há boas chances de isso ter um forte impacto negativo em nosso bem-estar mental, o que torna ainda mais importante sabermos lidar com a situação. Em primeiro lugar, o que caracteriza a psicologia positiva é que, em vez de focar na doença, na patologia, ela se apoia nas forças que o indivíduo tem e que podem ser utilizadas na superação das adversidades.
Planejamento financeiro: uma avaliação negativa sobre si mesmo traz efeitos adversos para poupar e investir
Joel Santana para Pixabay
O psicólogo norte-americano Martin Seligman diz que o problema da psicologia tradicional é ter adotado o “modelo da..

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Há uma relação entre emoções como ansiedade, raiva e solidão e a autoeficácia financeira, a capacidade de se organizar e atingir metas Sarah Asebedo é diretora da faculdade de planejamento financeiro da Texas Tech University e não tem dúvidas: a psicologia positiva é capaz de desempenhar um papel relevante para as pessoas retomarem o controle de seu dinheiro. Quando nossas finanças vão mal, há boas chances de isso ter um forte impacto negativo em nosso bem-estar mental, o que torna ainda mais importante sabermos lidar com a situação. Em primeiro lugar, o que caracteriza a psicologia positiva é que, em vez de focar na doença, na patologia, ela se apoia nas forças que o indivíduo tem e que podem ser utilizadas na superação das adversidades.
Planejamento financeiro: uma avaliação negativa sobre si mesmo traz efeitos adversos para poupar e investir
Joel Santana para Pixabay
O psicólogo norte-americano Martin Seligman diz que o problema da psicologia tradicional é ter adotado o “modelo da patologia”, deixando de lado a busca da felicidade. Costuma usar como exemplo pessoas que conseguem nutrir um sentimento de bem-estar e otimismo mesmo encarando os reveses que fazem parte de toda trajetória. Ele criou a “cartilha” Perma+, cujas letras correspondem a emoções positivas (positive emotions), engajamento (engagement), relacionamentos (relationships), significado (meaning) e realizações (accomplishment). O sinal + indica que precisamos também de atividade física, alimentação adequada, sono e otimismo. Investir em todas essas frentes é o caminho para superar os três Ps que atravancam nossa vida: permanência, prevalência (ou contaminação) e personalização.
Permanência é a crença de que tudo continuará assim para sempre, ainda que a lógica e as evidências indiquem o contrário. Prevalência é a tendência de generalizar e deixar que um fato negativo contamine tudo à nossa volta. Por último, personalização é acreditar que, no fundo, tudo é nossa culpa.
Não se trata de um manual para ser feliz em tempo integral. Se um fato provoca impacto negativo, aquilo fica gravado em nossa mente e a tendência é desencadearmos um padrão recorrente de resposta. Se não temos como alterar o que ocorreu, podemos trabalhar para atenuar a influência que determinados eventos têm sobre nós – não estamos fadados ao fracasso! Normalmente, são os momentos ruins que mais mobilizam nossa atenção, por isso acabamos subestimando os bons.
Sarah Asebedo é diretora da faculdade de planejamento financeiro da Texas Tech University
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E como essa disposição mental baseada numa visão otimista das coisas pode influenciar a capacidade de planejamento financeiro e evitar comportamentos de risco? As pesquisas da professora Asebedo apontam para uma relação estreita entre sentimentos e emoções como ansiedade, raiva, solidão e contentamento e a chamada autoeficácia financeira (financial self-efficacy, ou FSE), ou seja, a capacidade de cada pessoa se organizar para executar ações e atingir metas.
Quando se tem uma avaliação ruim sobre si mesmo, atributos como controle, resiliência e confiança estão em baixa, com efeitos adversos para poupar, investir e pensar a longo prazo.
O trabalho de terapeutas financeiros é atividade já bastante disseminada nos Estados Unidos e auxilia não somente quem está em dificuldades com o orçamento, mas também na preparação para a aposentadoria. Um modelo batizado de ABC identifica a ativação de eventos (activating events), crenças (beliefs) e consequências (consequences). Por exemplo, permite que a pessoa mapeie um gatilho (uma compra por impulso) que alimenta suas crenças (de não saber cuidar do próprio dinheiro) e dispara uma consequência emocional, como ansiedade ou desespero. Para sair do círculo vicioso que leva muita gente a se sentir derrotada, é preciso introduzir um contraponto para rebater os pensamentos negativos de ser um perdedor. É o primeiro passo para recuperar a energia e o otimismo necessários para buscar alternativas para voltar aos trilhos.

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G1

Governo dos EUA deve declarar emergência de saúde por causa da varíola do macaco

EUA identificaram cerca de 1,6 milhão de pessoas que são altamente vulneráveis ao vírus, mas o país tem 550 mil doses de vacina. Se for declarada emergência de saúde pública, agências de governo vão receber mais dinheiro. Cientistas ligados à OMS alertam sobre varíola do macaco: janela para agir está diminuindo
O governo dos Estados Unidos deve declarar uma emergência de saúde pública por causa da varíola do macaco, de acordo com a mídia do país.
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Segundo o “New York Times”, se o país adotar a medida, as agências de governo vão receber dinheiro de fundos de emergência, contratar mais gente e agilizar a vacinação e tratamento dos doentes.
Varíola dos macacos é semelhante à varíola que já foi erradicada, mas menos severa e menos infecciosa
Science Photo Library
A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou uma emergência global por causa da varíola do macaco no dia 23 de julho, pois havia confirmação de infecções pelo vírus em 70 países..

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EUA identificaram cerca de 1,6 milhão de pessoas que são altamente vulneráveis ao vírus, mas o país tem 550 mil doses de vacina. Se for declarada emergência de saúde pública, agências de governo vão receber mais dinheiro. Cientistas ligados à OMS alertam sobre varíola do macaco: janela para agir está diminuindo
O governo dos Estados Unidos deve declarar uma emergência de saúde pública por causa da varíola do macaco, de acordo com a mídia do país.
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Segundo o “New York Times”, se o país adotar a medida, as agências de governo vão receber dinheiro de fundos de emergência, contratar mais gente e agilizar a vacinação e tratamento dos doentes.
Varíola dos macacos é semelhante à varíola que já foi erradicada, mas menos severa e menos infecciosa
Science Photo Library
A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou uma emergência global por causa da varíola do macaco no dia 23 de julho, pois havia confirmação de infecções pelo vírus em 70 países onde o patógeno nunca tinha sido identificado.
O governo dos EUA está pensando em estratégias para aumentar o número de testes, de vacinas e o acesso ao tratamento.
Há cerca de 550 mil doses de vacinas, mas foram identificadas 1,6 milhão de pessoas consideradas altamente vulneráveis.
As infecções por varíola dos macacos nos EUA subiram para 5,8 mil na segunda-feira.
Governos estaduais já declararam emergência
Os estados de Illinois, Califórnia e Nova York abrigam as três maiores cidades do país e respondem por quase metade dos casos de varíola dos macacos nos EUA e já fizeram alertas para o surto da doença e declararam emergência.
Com a mudança de status nos estados, todos os trabalhadores da área da saúde podem aplicar vacinas contra a varíola (algo semelhante à autorização legal para os farmacêuticos utilizarem as vacinas contra a Covid-19).

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G1

Como o preconceito contra os mais velhos impacta os cuidados na saúde

A inteligência artificial precisa de informações para melhorar diagnósticos e a qualidade dos serviços, mas idosos são considerados “minoria” e estão sub-representados nos bancos de dados Através de exames de ressonância magnética do cérebro, é possível constatar que expectativas positivas – por exemplo, a crença de que uma medicação vai ser eficaz – podem produzir mudanças químicas e hormonais no organismo, ainda que o tal remédio não tenha ingredientes ativos. Isso é o que ocorre no chamado efeito placebo: uma substância inócua é empregada como se tivesse alguma eficácia e, de acordo com pesquisadores, em um terço dos casos provoca a melhora de sintomas.
Da mesma forma que um sentimento de otimismo pode desencadear respostas favoráveis em nosso corpo, o contrário também acontece e tem nome: efeito nocebo, que define os eventos adversos associados a expectativas negativas.
Imagine um contexto no qual a pessoa recebe, com frequência, informações negativas sobre a situação na qual se en..

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A inteligência artificial precisa de informações para melhorar diagnósticos e a qualidade dos serviços, mas idosos são considerados “minoria” e estão sub-representados nos bancos de dados Através de exames de ressonância magnética do cérebro, é possível constatar que expectativas positivas – por exemplo, a crença de que uma medicação vai ser eficaz – podem produzir mudanças químicas e hormonais no organismo, ainda que o tal remédio não tenha ingredientes ativos. Isso é o que ocorre no chamado efeito placebo: uma substância inócua é empregada como se tivesse alguma eficácia e, de acordo com pesquisadores, em um terço dos casos provoca a melhora de sintomas.
Da mesma forma que um sentimento de otimismo pode desencadear respostas favoráveis em nosso corpo, o contrário também acontece e tem nome: efeito nocebo, que define os eventos adversos associados a expectativas negativas.
Imagine um contexto no qual a pessoa recebe, com frequência, informações negativas sobre a situação na qual se encontra: infelizmente, trata-se de algo recorrente para os idosos. O preconceito contra os velhos é tão arraigado em nossa sociedade que alimenta (ou envenena?) o envelhecimento com visões negativas, tanto para quem vive como para quem convive com a experiência.
Preconceito contra os idosos alimenta o processo de envelhecimento com visões negativas
Traphitho para Pixabay
Na área da saúde, ele impede que um sobrevivente de acidente vascular encefálico de 70 anos tenha à sua disposição o mesmo nível de suporte de alguém de 35 anos com quadro semelhante. Diminui as opções oferecidas a idosos para alcançar uma recuperação plena, como se, para esses, bastasse o mínimo. O exame citopatológico, conhecido como preventivo ou Papanicolau, utilizado para detectar o câncer de colo de útero, só é agendado no SUS para mulheres até 64 anos. Falemos de tecnologia de ponta: a inteligência artificial se baseia em bancos de dados para melhorar diagnósticos e a qualidade dos serviços, mas os mais velhos são considerados “minoria” e estão sub-representados em pesquisas e levantamentos. Como beneficiar esse grupo acossado pela exclusão?
Em 2020, publiquei coluna a respeito do maior estudo já realizado sobre as consequências do preconceito na saúde dos idosos. O trabalho, liderado pela psicóloga e epidemiologista Becca Levy, professora da Universidade Yale, reuniu dados de 7 milhões de pessoas em 45 países. A análise consistiu na revisão de 422 estudos publicados no mundo todo, entre 1970 a 2017, e 96% mostravam evidências de efeitos adversos do preconceito no acesso a cuidados de saúde. Também ficava claro que os estereótipos culturais afetam o bem-estar dos mais velhos. Os pesquisadores mapearam que o preconceito impactava as chances de pacientes mais velhos receberem tratamento médico adequado. Além disso, foram observadas evidências de que o acesso à saúde havia sido negado a idosos e, em 92% das pesquisas internacionais, havia indicação de que influía nas decisões médicas.

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G1

A importância dos mais velhos para atenuar o trauma coletivo da Covid

“A convivência intergeracional mostrou que os avós tiveram papel da maior relevância para diminuir o estresse dos netos”, afirma especialista O título parece um tanto pomposo, mas corresponde à realidade, de acordo com a avaliação da psicóloga Rajita Sinha, professora da faculdade de medicina de Yale e diretora do centro de estresse da universidade. Num painel virtual sobre os desdobramentos emocionais da pandemia realizado pelo Projeto Longevidade, da Universidade Stanford, foi enfática:
“Assistimos a um grande sofrimento de crianças, adolescentes, adultos e idosos, todos vítimas de ansiedade e depressão. Ainda vivemos um estresse planetário, um trauma coletivo cujo impacto, físico e mental, atravessa diferentes recortes. Inclui não somente a doença, mas perdas, luto, insegurança financeira e suporte social, cujos efeitos são de longo prazo”.
Rajita Sinha, professora da faculdade de medicina da Universidade Yale
Yale University
Na universidade, pesquisadores estão empenhados em detal..

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“A convivência intergeracional mostrou que os avós tiveram papel da maior relevância para diminuir o estresse dos netos”, afirma especialista O título parece um tanto pomposo, mas corresponde à realidade, de acordo com a avaliação da psicóloga Rajita Sinha, professora da faculdade de medicina de Yale e diretora do centro de estresse da universidade. Num painel virtual sobre os desdobramentos emocionais da pandemia realizado pelo Projeto Longevidade, da Universidade Stanford, foi enfática:
“Assistimos a um grande sofrimento de crianças, adolescentes, adultos e idosos, todos vítimas de ansiedade e depressão. Ainda vivemos um estresse planetário, um trauma coletivo cujo impacto, físico e mental, atravessa diferentes recortes. Inclui não somente a doença, mas perdas, luto, insegurança financeira e suporte social, cujos efeitos são de longo prazo”.
Rajita Sinha, professora da faculdade de medicina da Universidade Yale
Yale University
Na universidade, pesquisadores estão empenhados em detalhar as consequências da Covid-19 na diminuição da expectativa de vida dos norte-americanos. “Sabemos que o estresse crônico é um fator de aceleração do envelhecimento e afeta a expectativa de vida. Nossa idade biológica, ou seja, a do organismo, avança em relação à idade cronológica, nos tornando mais velhos do que consta no documento de identidade. Queremos quantificar esse processo através de marcadores de envelhecimento em indivíduos de meia-idade e idosos no cenário da pandemia. Dependendo da forma como a pessoa vem conseguindo lidar ou não com os desafios que a cercam, sua expectativa de vida pode ter uma redução de seis meses a cinco anos”, afirmou Sinha. Aliás, no Brasil, a expectativa de vida caiu 4,4 anos em 2021, em consequência da pandemia: de 76 para 72,3 anos.
A psicóloga, uma referência mundial sobre a relação entre quadros severos de estresse e comportamentos de dependência e violência, lamenta o crescimento do número de suicídios de crianças nos EUA e analisa: “a situação familiar foi comprometida como um todo. Temos um conjunto de fatores que vai do isolamento a laços sociais rompidos, da perda de entes queridos à insegurança financeira. A escola e os professores, que têm um papel significativo em situações de crise, também foram impedidos de atuar no auge da pandemia, o que só aumentou o trauma”.
No entanto, ela aponta para a importância dos avós como agentes capazes de atenuar esse sofrimento: “a população afrodescendente foi duramente atingida pela Covid, mas os mais velhos funcionaram como um poderoso ponto de apoio, capaz de amortecer o impacto do trauma".
"A convivência intergeracional mostrou que os avós tiveram papel da maior relevância para diminuir o estresse dos netos”.
Entretanto, fez uma ressalva: eles funcionaram como um porto seguro para crianças e adolescentes em ambientes familiares onde havia o convívio entre gerações: “o idoso isolado e sozinho se torna vulnerável, o que mostra que todos precisam uns dos outros”, resumiu.
Na opinião da professora Rajita Sinha, a telemedicina pode ajudar na superação desse trauma coletivo provocado pela Covid-19. Sugere o emprego da terapia de curto prazo, mas adverte que é fundamental que a iniciativa seja encampada pelos governos, que deveriam preparar centros comunitários para atender a casos de estresse: “é preciso que as famílias tenham todo o suporte necessário. Nos Estados Unidos, um indivíduo leva, em média, até 11 anos para receber tratamento para problemas emocionais e mentais”.
No mesmo evento on-line, Kelly Greenwood, fundadora da Mind Share Partners, empresa de consultoria voltada para a criação de uma cultura de apoio à saúde mental no ambiente de trabalho, salientou que é uma responsabilidade organizacional que o clima pós-Covid seja acolhedor: “antes, bastavam ações de conscientização para superar o estigma em relação a dificuldades emocionais. Agora, o comando da empresa deve ter atenção redobrada para questões como microagressões, longas jornadas e insegurança profissional. O racismo estrutural leva minorias a serem alvos de uma carga ainda maior”.
Greenwood citou dois levantamentos realizados pela Mind Share com trabalhadores em tempo integral que mostram a delicadeza da situação: em 2019, 59% relatavam ter sofrido de algum problema emocional ou mental; em 2021, o percentual tinha saltado para 76%. “O aspecto positivo é as pessoas estarem falando mais abertamente sobre o assunto. A participação do principal líder pode ser uma ferramenta poderosa para mudar a cultura da organização. Se abordar o assunto com seus colaboradores, inclusive compartilhando dificuldades que já tenha enfrentado, pessoalmente ou com alguém próximo, ele se transformará num agente de mudanças”.

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G1

O misterioso vírus ‘impostor’ que nos protege da varíola dos macacos  

Imunizante é feito a partir de um vírus desaparecido que ninguém jamais conseguiu identificar — mas como isso aconteceu? E será que ainda pode existir na natureza? O misterioso vírus 'impostor' que nos protege da varíola dos macacos
GETTY IMAGES
Na virada do século 19, um pânico bizarro tomou conta de Londres. Panfletos informativos foram distribuídos. Livros alarmistas foram escritos. Surgiram tratamentos duvidosos. A população foi alertada, em massa, que estava em perigo — com o risco iminente de… se transformar em vacas-humanas.
Um pequeno — e controverso — grupo de médicos estava fomentando preocupações sobre um procedimento pioneiro, que incluía pegar um vírus que infectava o gado com varíola bovina e usá-lo para proteger as pessoas contra varíola.
Varíola dos macacos: veja lista de sintomas e como se proteger
Apesar de óbitos em Brasil e Espanha, mortes pela doença são raras; entenda
A técnica foi chamada de “vacinação”, nome que deriva do termo em latim “vaccinus”, ..

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Imunizante é feito a partir de um vírus desaparecido que ninguém jamais conseguiu identificar — mas como isso aconteceu? E será que ainda pode existir na natureza? O misterioso vírus 'impostor' que nos protege da varíola dos macacos
GETTY IMAGES
Na virada do século 19, um pânico bizarro tomou conta de Londres. Panfletos informativos foram distribuídos. Livros alarmistas foram escritos. Surgiram tratamentos duvidosos. A população foi alertada, em massa, que estava em perigo — com o risco iminente de… se transformar em vacas-humanas.
Um pequeno — e controverso — grupo de médicos estava fomentando preocupações sobre um procedimento pioneiro, que incluía pegar um vírus que infectava o gado com varíola bovina e usá-lo para proteger as pessoas contra varíola.
Varíola dos macacos: veja lista de sintomas e como se proteger
Apesar de óbitos em Brasil e Espanha, mortes pela doença são raras; entenda
A técnica foi chamada de "vacinação", nome que deriva do termo em latim "vaccinus", que significa "da vaca" — e as primeiras evidências sugeriam que era extraordinariamente eficaz, protegendo 95% das pessoas de uma infecção que geralmente matava cerca de 30% de suas vítimas e desfigurava permanentemente a maior parte do resto.
Havia até mesmo uma expectativa inicial de que pudesse acabar com a doença para sempre.
Mas não demorou muito para os primeiros céticos em relação à vacina aparecerem.
Em particular, estes médicos dissidentes estavam convencidos de que o "humor bestial" — o vírus da varíola bovina (cowpox) — não tinha lugar no corpo humano.
Entre as alegações mais absurdas, estava a insinuação de que as crianças vacinadas haviam começado a desenvolver características bovinas, como as manchas das vacas leiteiras, ou que corriam risco de ter pensamentos semelhantes aos de bois.
Um proeminente defensor destas teorias disse que as mulheres vacinadas podiam começar a sentir atração por touros.
O fato é que os primeiros céticos em relação às vacinas tinham entendido tudo errado. É claro que a nova técnica não transmitia a essência bovina para pessoas — o cowpox era apenas um vírus normal e, nos séculos seguintes, levaria à extinção da varíola. Mas também pode nunca ter tido nada a ver com vacas.
Na verdade, até hoje ninguém sabe de onde veio o vírus que erradicou a varíola.
No entanto, este micróbio misterioso ainda está sendo usado — inclusive nas vacinas que estão sendo aplicadas atualmente contra a varíola dos macacos, que agora foi declarada uma emergência de saúde global pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Amostras das primeiras vacinas contra a varíola ainda podem ser encontradas em museus ao redor do mundo
SCIENCE MUSEUM, LONDON
Depois de ser encontrado principalmente na África nas últimas cinco décadas, o vírus causador da varíola dos macacos (monkeypox) começou a se espalhar pelo mundo em maio de 2022.
Para combatê-lo, os cientistas recorreram a duas vacinas usadas anteriormente contra a varíola — ACAM2000 e JYNNEOS.
Estas são as únicas licenciadas nos EUA para proteger contra o vírus emergente (a União Europeia também aprovou recentemente a versão JYNNEOS).
Ambas são excepcionalmente seguras e consideradas altamente eficazes, mas também fazem parte do enigma.
Por mais de um século, a comunidade científica supôs amplamente que a vacina contra a varíola foi feita a partir do vírus cowpox — esta é a explicação ainda encontrada em muitos sites e salas de aula em todo o mundo.
Mas em 1939, quase 150 anos após a invenção da vacinação, testes moleculares revelaram que não. Mais recentemente, o sequenciamento genético confirmou esta conclusão.
Em vez disso, as vacinas que foram usadas para erradicar a varíola, e aquelas em uso hoje contra a varíola dos macacos, são baseadas em um vírus desconhecido que ninguém conseguiu identificar — um patógeno "fantasma" que só foi encontrado na forma de vacina.
Apesar de uma busca de 83 anos, ninguém sabe como, por que ou exatamente quando este "impostor" apareceu na vacina contra a varíola, ou se ainda existe na natureza.
Apenas uma coisa é clara: milhões de pessoas que sobreviveram ao reinado da varíola devem suas vidas à sua existência.
Sem ele, o atual surto de varíola dos macacos provavelmente se espalharia ainda mais rápido.
"Por muitos anos, até 1939, as pessoas supunham que o que chamamos de (vírus) vaccinia, da vacina contra a varíola, era o mesmo que cowpox", diz José Esparza, virologista e membro do Instituto Robert Koch, na Alemanha.
"Descobriu-se então que eram diferentes. E, desde então, aceitamos que o cowpox é um vírus, e o vaccinia é outro vírus de origem desconhecida."
Como isso aconteceu? De onde este vírus pode ter vindo? E será que um dia vamos ser capazes de encontrá-lo em seu hospedeiro natural?
Uma aflição bem inglesa
O homem que recebe universalmente o crédito por inventar a vacinação é Edward Jenner, um cirurgião que anunciou sua descoberta em 1796.
A história habitual de como ele fez isso é um conto atraente que envolve belas ordenhadoras de leite, momentos "eureka" e experimentos eticamente questionáveis.
Mas acontece que não é totalmente preciso.
A versão mais conhecida é mais ou menos assim. Jenner notou que as ordenhadoras de leite geralmente tinham a pele excepcionalmente lisa, sem as marcas de varíola que afligiam grande parte da população — até 85% daqueles que se recuperavam da varíola podem ter ficado com um número significativo de cicatrizes características da doença no rosto.
Ele percebeu que as ordenhadoras que contraíam varíola bovina, que é mais branda, durante seu ofício, eram menos propensas a pegar varíola.
Para provar isso, ele infectou um menino de oito anos com varíola bovina, e depois o expôs intencionalmente à varíola para ver se ele ainda era suscetível e ficaria doente (por sorte, ele não era e sobreviveu).
Na verdade, a descoberta fortuita aconteceu quase três décadas antes, por meio de um médico do interior que acabara de se mudar para a cidade mercantil de Thornbury, em Gloucestershire.
Lá, John Fewster estabeleceu a prática da "variolação" — um antigo método para proteger as pessoas contra a varíola, que consistia em esfregar uma pequena quantidade de pus proveniente de uma pústula de varíola em uma incisão no braço de um indivíduo não infectado.
O procedimento havia sido usado em toda a Ásia, da Índia ao Tibete, durante séculos — mas era amplamente desconhecido para os europeus até que Lady Mary Wortley Montagu tomou conhecimento do mesmo em Istambul (então Constantinopla), e o popularizou no Reino Unido do século 18.
Se corresse bem, a técnica geralmente gerava uma única marca de varíola no local da infecção, o que indicava que o sistema imunológico da pessoa havia aprendido a reconhecer o vírus.
Se desse errado, e a infecção se espalhasse — como em cerca de 2% a 3% dos casos —, o paciente geralmente morria.
Mas em Thornbury, vários moradores não reagiram à "variolação" — nenhuma marca de varíola foi gerada e, apesar das repetidas tentativas, o procedimento não teve sucesso. Fewster estava perplexo.
Até que, um dia, um agricultor explicou que havia sido infectado recentemente com varíola bovina — e já tinha imunidade.
"A varíola bovina estava confinada em grande parte ao sudoeste do Reino Unido [na época]", diz o patologista aposentado Arthur Boylston, autor do livro Defying Providence: Smallpox and the Forgotten 18th-Century Medical Revolution (Desafiando a Providência: a Varíola e a Revolução Médica Esquecida do Século 18, em tradução livre).
Ele conta que nunca foi particularmente comum — surtos só ocorriam a cada poucos anos — e, embora os agricultores da região geralmente estivessem cientes de que existia, apenas a geração mais jovem havia associado à proteção contra a varíola.
Acredita-se que esta sabedoria popular acabou chegando a Jenner, que frequentava a mesma sociedade médica que Fewster.
Em 14 de maio de 1796, Jenner pegou então um pouco de pus de uma marca de varíola bovina da mão de uma ordenhadora de leite que havia contraído a doença de uma vaca chamada Blossom. O material coletado foi usado para vacinar o menino de oito anos.
Seis semanas depois, a criança foi "variolada" e, quando não reagiu desenvolvendo uma pústula, Jenner percebeu que a técnica pioneira havia funcionado.
"O que eles estavam observando é o que sabemos hoje, que todos os poxvírus produzem imunidade entre espécies", explica Esparza.
Mas, em 1939, até mesmo esta versão dos acontecimentos esbarrou numa questão.
Quando os cientistas testaram os anticorpos do vírus cowpox (da varíola bovina) na vacina contra a varíola que supostamente era feita a partir dele, descobriram que no fim das contas não eram iguais — eram dois vírus totalmente diferentes.
Um grande grupo
O que acontece é que os humanos não estão sozinhos em sua batalha contra os poxvírus.
Esta vasta e abrangente família inclui dezenas de vírus, cada um com seu próprio nicho em uma ampla variedade de animais — até mesmo os escaravelhos apresentam suas próprias versões.
Dentro dela, há o grupo dos ortopoxvírus, ao qual pertence o vírus da varíola, que poderia ser chamada de varíola humana.
No mesmo grupo, estão outros vírus de mamíferos, incluindo horsepox (cavalos), camelpox (camelos), buffalopox (búfalos), rabbitpox (coelhos), mousepox (camundongos), monkeypox (macacos) e raccoonpox (guaxinim).
O vaccinia é apenas mais um vírus membro deste grupo — que foi usado para inocular quase todos os nascidos antes do início da década de 1970 contra a varíola, até que a vacinação fosse interrompida.
Mas encontrar seu ancestral selvagem entre os diversos ortopoxvírus mostrou-se algo complicado.
Um possível candidato é o horsepox.
No artigo original de Jenner sobre vacinação, ele descreve suas suspeitas de que a varíola bovina pode, na verdade, se originar em cavalos — nos quais é conhecida como "graxa".
Em um caso, o jardineiro do Conde de Berkeley notou que os cavalos com os quais trabalhava estavam contraindo a doença e, mais tarde, a passaram acidentalmente para o rebanho de vacas que ele estava ordenhando — e para ele próprio.
Vinte e cinco anos depois, o mesmo homem apareceu com a família para uma sessão de "variolação" conduzida por Jenner.
Não funcionou — embora o procedimento tenha sido repetido várias vezes, nada aconteceu.
Mais tarde, quando toda a família do homem adoeceu com varíola, ele "não sofreu qualquer dano por exposição ao contágio".
Sem saber se estava trabalhando com cowpox ou horsepox, ou um vírus que rotineiramente pula entre ambos, Jenner seguiu em frente.
Após inventar a vacina, ele dedicou o resto de sua vida a distribuí-la e aperfeiçoar as formas de aplicação.
Mas os surtos de cowpox eram raros e, à medida que a técnica ganhava popularidade, encontrar material infeccioso suficiente se tornou um grande desafio.
Após a primeira experiência de vacinação de Jenner, ele não pôde fazer mais pesquisas por dois anos, quando a doença desapareceu temporariamente da região.
As primeiras tentativas subsequentes de Jenner de vacinação foram baseadas na transferência do vírus protetor de pessoa para pessoa — cada novo paciente infectado se tornava um estoque de pus que poderia ser usado para vacinar outra pessoa.
Não havia etapas de purificação e nenhum suprimento refrigerado de ampolas de vacina.
Os primeiros céticos em relação à vacina do mundo estavam preocupados com a inoculação do vírus causador da varíola bovina
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Um método mais sofisticado envolvia embeber pedaços de linha em material infeccioso e depois secá-lo — isso possibilitou espalhar rapidamente a vacina para os cantos mais distantes do planeta.
Em 1800, Jenner enviou uma linha revestida de pus em uma viagem de 3.656 km até Newfoundland, no Canadá, onde foi usada com sucesso para vacinar centenas de pessoas.
Infelizmente, estas técnicas não eram totalmente confiáveis ​​— e se a cadeia de transmissão fosse quebrada, todo o processo teria que recomeçar do início. Isso significava encontrar uma nova vaca com vírus.
Uma solução era simplesmente ampliar a base animal envolvida, e os cavalos eram uma segunda escolha óbvia.
Logo ficou claro que o poxvírus colhido diretamente de cavalos funcionava tão bem quanto o de vacas — tão bem que, em 1817, Jenner abandonou a "vacinação" e voltou toda sua atenção para a "equinação" (que seria a inoculação com horsepox).
E aqui suas redes de distribuição — assim como as de outros que dependiam do poxvírus de cavalos —começaram a ter impacto.
Em 1817, Jenner enviou um estoque de linfa, fluido infeccioso retirado de indivíduos equinados — que na época estava sendo preservado em lancetas de ouro, em vez de linhas secas — para o National Vaccine Establishment.
A partir deste centro em Londres, foi enviado para muitos outros médicos.
Poderia ter sido aí que a inoculação à base de cowpox começou a ser substituída por uma feita a partir de horsepox? Ou o vírus sempre foi o horsepox que havia sido passado para as vacas?
Reviravolta inesperada
Embora tenham se passado séculos desde as primeiras vacinações contra a varíola, ainda há relíquias dos antigos vírus usados ​​escondidas em museus e coleções ao redor do mundo — principalmente na forma de cascas de feridas e linfas de kits de vacinação.
Em 2017, uma equipe internacional de cientistas liderada por Esparza descobriu uma vacina que havia sido fabricada na Filadélfia em 1902.
Os ortopoxvírus possuem genomas extraordinariamente grandes que consistem em DNA de cadeia dupla, e os pesquisadores conseguiram reunir um genoma quase completo a partir da amostra histórica que tinham.
"Estas vacinas são mantidas em temperatura ambiente há mais de 100 anos", diz Esparza.
Segundo ele, só foi possível sequenciar o material genético degradado por causa das sofisticadas técnicas modernas.
Versões mais antigas da vacina contra a varíola, como a usada para erradicar o vírus no século 20, geralmente deixavam as pessoas com uma pequena marca no braço
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O que os cientistas descobriram reforçou a suspeita de longa data sobre a confusão em relação ao vírus da vacina : não havia evidência de cowpox na cepa que eles testaram e, em vez disso, era intimamente ligada a um vírus horsepox identificado na Mongólia em 1976.
"Esta é a única sequência que temos para horsepox — a única", diz Esparza.
"E é muito parecido."
Desde então, a equipe sequenciou muitas outras vacinas históricas.
"Em 31 amostras, não encontramos cowpox em nenhuma delas", diz Esparza.
Outro estudo concluído por uma equipe diferente encontrou resultados semelhantes. Além do horsepox, as vacinas — da Filadélfia de meados do século 19 — apresentavam boa compatibilidade para um vírus endêmico do Brasil, o vírus Cantagalo, que causa surtos periódicos em bovinos.
Mais uma vez, não era cowpox — acredita-se que tenha descendido de uma vacina contra a varíola que escapou para a natureza há muitos anos.
Tudo indica que a maioria destas vacinas do século 19 e início do século 20 realmente foram feitas a partir de horsepox — ou o cowpox nunca foi usado, ou foi substituído por seu primo equino notavelmente rápido.
Mas este não é o fim do enigma.
"Há um mistério que ainda não resolvemos", diz Esparza.
Sua equipe descobriu recentemente evidências —ainda não publicadas — de uma mudança radical nas vacinas usadas para prevenir a varíola, que aconteceu por volta de 1930.
"Estamos investigando isso agora", afirma.
Quando a equipe sequenciou as vacinas mais recentes contra a varíola, descobriu que nesta época elas passaram por uma transformação.
Em vez de serem compostas essencialmente do vírus horsepox, foram baseadas principalmente no vírus misterioso encontrado nas vacinas atuais.
"A [sequência] principal que costumava ser do vírus horsepox até 1930 mudou para o moderno vaccinia, que também é uma sequência de ortopoxvírus, mas não sabemos a origem deste vírus. Não é cowpox", explica Esparza.
Mas como substituiu a vacina anterior? De quê podia ser feita? E será que ainda poderia existir na natureza?
Um vírus desaparecido
Na opinião de Esparza, o salto repentino de um tipo de vacina contra a varíola para outro provavelmente se deve à forma como as vacinas foram distribuídas.
"Nos primeiros 100 anos [de vacinas], elas eram mantidas de braço em braço em humanos", afirma Esparza.
"Em 1860, cientistas na Itália e na França introduziram a vacina animal — em vez de passar o vírus de humano para humano, eles descobriram que poderiam colocá-lo de volta nas vacas e mantê-los nas vacas."
Posteriormente, este sistema de produção em massa se expandiu para incluir outros animais, como ovelhas, cavalos e burros.
Em algum momento, um vírus de um animal desconhecido começou a ser usado como vacina contra a varíola.
Não há registros de quem fez isso, ou de quando, por que ou como fizeram isso, mas é possível que tenha sido apenas um acidente — alguém coletou o que pensava ser cowpox ou horsepox de um animal de fazenda, quando era, na verdade, um "impostor" aleatório não identificado.
Como funcionou bem, ninguém percebeu.
Algum tempo depois de 1930, este vírus misterioso se tornou a base da vacina mais comum — e, em meados do século 20, havia centenas de versões diferentes circulando pelo mundo.
Em 1966, a OMS anunciou a campanha de erradicação da varíola e escolheu apenas seis cepas como base para as vacinas que seriam usadas para atingir este objetivo.
A cada década que passava, a dominação do vírus desconhecido se tornava mais arraigada.
Mas onde ele está agora — e por que ninguém nunca encontrou o hospedeiro natural do vaccinia?
Embora o surgimento da varíola dos macacos possa parecer indicar que os poxvírus estão prosperando, por muito tempo, vários estiveram altamente ameaçados de extinção — e o causador da varíola pode não ser o único que desapareceu.
Acredita-se que o horsepox já causou surtos regulares em partes da Europa — pode até ter sido comum —, mas não é identificado na natureza desde 1976, quando cavalos começaram a adoecer com lesões e sintomas semelhantes ao da febre na Mongólia.
Acredita-se que melhores práticas de criação animal e melhores diagnósticos podem tê-lo levado à extinção.
"O horsepox basicamente desapareceu da Europa no início do século 20", diz Esparza, explicando que o vírus misterioso usado nas vacinas modernas contra a varíola pode ter tido o mesmo destino.
"Nós especulamos sobre esta possibilidade."
No entanto, Esparza lamenta que não tenham sido feitas pesquisas suficientes.
Uma vez que o vírus causador da varíola foi erradicado, o interesse em estudar seus parentes acabou — e hoje são poucos os grupos de pesquisa que buscam identificar novos poxvírus, como aquele que pode ser o ancestral do vaccinia.
"Então, talvez o atual surto [de varíola dos macacos] estimule mais ciência… significando mais concorrência por trabalho", ri Esparza.
Um novo uso
Na verdade, hoje o vírus misterioso é mais útil do que nunca.
A varíola dos macacos é um parente próximo da varíola geralmente encontrada na África central tropical, onde tende a infectar roedores e primatas não humanos.
É mais difícil de pegar do que sua prima e é transmitida principalmente por contato próximo com fluidos corporais ou objetos contaminados, como roupas de cama.
Diferentemente da varíola, a varíola dos macacos raramente é mortal, mas há relatos de casos mais graves que se assemelham a infecções sexualmente transmissíveis.
Geralmente causa febre, seguida de lesões que podem ter pus e ser extremamente dolorosas.
O vírus monkeypox foi descoberto pela primeira vez em 1970 e, até recentemente, as infecções estavam confinadas principalmente à África.
Mas, em maio de 2022, começou a se espalhar pelo mundo — uma disseminação sem precedentes.
Para desacelerar a propagação, muitos países encomendaram milhões de doses de duas vacinas.
Ambas são "descendentes diretas" do mesmo vírus enigmático que se tornou a vacina dominante contra a varíola na década de 1930.
Em primeiro lugar, há a vacina JYNNEOS, desenvolvida pela empresa de biotecnologia Bavarian Nordic.
Esta versão nova e mais segura da vacina antiga contra a varíola foi desenvolvida por acidente na década de 1960, quando um cientista notou que seu estoque de uma cepa turca do vaccinia — que vinha cultivando em embriões de galinha há anos — havia sofrido uma mutação.
O vírus ankara vaccinia modificado (MVA), que mais tarde se transformou na vacina JYNNEOS, ficou tão alterado que, embora ainda pudesse fazer mais cópias de si mesmo em embriões de galinha, perdeu a capacidade de se replicar em humanos.
Os pesquisadores perceberam rapidamente que isso o tornaria mais seguro para uso em imunizações — acredita-se que a versão antiga tenha salvado de 150 a 200 milhões de vidas apenas entre 1980 e 2018, mas em casos raros pode levar a infecções que se espalham pelo corpo. Esta nova vacina representou uma alternativa menos arriscada.
Inicialmente, o MVA não foi amplamente utilizado. Na década de 1960, ainda não estava claro se a vacina era tão eficaz quanto a versão anterior, por isso foi administrada principalmente em pessoas imunocomprometidas como uma dose extra.
Mas experimentos em outros animais e militares do Exército sugeriram desde então que é provável que funcione — por isso está em alta demanda hoje.
A ideia de que a vacina contra a varíola foi baseada no vírus causador da varíola bovina existe há séculos
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A outra vacina, ACAM2000, é uma opção menos cotada no atual surto de varíola dos macacos.
Desenvolvida pela primeira vez no início dos anos 2000 como uma alternativa às cepas de vaccinia usadas para erradicar a varíola, foi armazenada por vários países ao redor do mundo, incluindo os EUA e o Reino Unido, para emergências, como um ataque de varíola por terroristas.
Há relatos recentes de que a ACAM2000 está sendo usada contra a varíola dos macacos, mas ainda não está licenciada para isso.
Embora seja segura para a grande maioria das pessoas, apresenta alguns riscos — o vírus pode fazer cópias de si mesmo no corpo humano, por isso não é adequada para indivíduos imunocomprometidos.
Em julho de 2022, o governo dos EUA encomendou quase sete milhões de doses de ambas as vacinas contra a varíola para serem entregues no próximo ano, e agora há uma escassez global.
A ironia é que acredita-se que o surto de varíola dos macacos só foi possível porque suspendemos as vacinações contra a varíola.
"O que vemos agora com a varíola dos macacos é muito interessante", diz Esparza.
"A varíola foi declarada erradicada em 1980. E desde então, a vacinação contra a varíola parou na maioria dos países, e a imunidade da população contra todos os ortopox [vírus] diminuiu. E é isso que provavelmente está por trás da eclosão da varíola dos macacos no mundo."
Outros vírus podem estar aproveitando a mesma oportunidade.
Embora a varíola bovina — a doença em si desta vez, não a versão com "crise de identidade" usada nas vacinas — agora seja rara em gado, ainda é endêmica em roedores em todo o mundo.
E desde que a vacinação em massa contra a varíola foi interrompida no início da década de 1970, cada vez mais casos estão sendo relatados em crianças.
Hoje, as pessoas são mais propensas a contrair varíola bovina de ratos ou gatos que, por sua vez, pegam a doença de roedores na natureza — em um caso inusitado, ela foi adquirida de um elefante de circo.
A maioria das infecções é leve, produzindo lesões nas mãos ou no rosto — e, diferentemente da varíola dos macacos, ainda não está sendo transmitida de pessoa para pessoa.
Mas foram registradas mortes.
E, assim como a varíola dos macacos, o aumento dos casos tem sido associado ao fim da vacinação generalizada contra a varíola.
Alguns especialistas chegaram ao ponto de descrever a varíola bovina como uma ameaça emergente à saúde.
Por isso, o vírus vaccinia ainda é muito procurado.
Mas será que algum dia vamos saber de onde veio o poxvírus favorito da humanidade? Esparza é cético.
"Ainda temos mais perguntas do que respostas", afirma.
Mas o virologista insinua que ele e seus colegas fizeram algum avanço — e vão divulgar detalhes mais tentadores sobre o mistério nos próximos meses.
Seja lá qual for sua origem, sem a vacina contra a varíola, há pouca dúvida de que o mundo seria um lugar radicalmente diferente — ainda lutando contra uma antiga praga que desfigurava e matava pessoas há milênios.
E assim como no início do século 19, temos muito mais medo de evitar a imunização do que de nos transformar em vacas-humanas…
Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/vert-fut-62319031

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G1

Septuagenárias e rebeldes

Livro da jornalista Helena Celestino resgata a história do Círculo de Mulheres Brasileiras, um grupo feminista criado em Paris por exiladas Radicais nas décadas de 1960 e 70, elas são septuagenárias e até octogenárias que continuam servindo de inspiração para as mais jovens que buscam seu lugar neste mundo ainda tão misógino e desigual. No livro “Envelhecer é para as fortes: as pioneiras que resistiram à ditadura, lutaram por um novo jeito de ser mulher e agora reinventam a velhice”, que será lançado amanhã no Rio, a jornalista Helena Celestino resgata a história do Círculo de Mulheres Brasileiras, um grupo feminista criado em Paris, cidade na qual suas integrantes estavam exiladas durante os anos de chumbo depois do golpe militar de 1964.
Helena Celestino, autora de “Envelhecer é para as fortes: as pioneiras que resistiram à ditadura, lutaram por um novo jeito de ser mulher e agora reinventam a velhice”
Pedro Pinheiro Guimarães
“Me concedi o papel de narradora da história das mulhere..

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Livro da jornalista Helena Celestino resgata a história do Círculo de Mulheres Brasileiras, um grupo feminista criado em Paris por exiladas Radicais nas décadas de 1960 e 70, elas são septuagenárias e até octogenárias que continuam servindo de inspiração para as mais jovens que buscam seu lugar neste mundo ainda tão misógino e desigual. No livro “Envelhecer é para as fortes: as pioneiras que resistiram à ditadura, lutaram por um novo jeito de ser mulher e agora reinventam a velhice”, que será lançado amanhã no Rio, a jornalista Helena Celestino resgata a história do Círculo de Mulheres Brasileiras, um grupo feminista criado em Paris, cidade na qual suas integrantes estavam exiladas durante os anos de chumbo depois do golpe militar de 1964.
Helena Celestino, autora de “Envelhecer é para as fortes: as pioneiras que resistiram à ditadura, lutaram por um novo jeito de ser mulher e agora reinventam a velhice”
Pedro Pinheiro Guimarães
“Me concedi o papel de narradora da história das mulheres desse coletivo feminista que, há mais de 40 anos, desafiam o patriarcado”, explica a autora.
A escalada da ditadura, depois do AI-5, em 1968, levou muitos brasileiros a procurar asilo em outros países. Boa parte escolheu o Chile, por causa do governo democrático de Salvador Allende que, derrubado pelos militares em 1973, deu lugar à ditadura sangrenta de Augusto Pinochet. Paris se tornou o refúgio dos sonhos. Para se ter uma ideia, em janeiro de 1974, a França recebeu 1.500 exilados brasileiros.
No movimento de maio de 1968, nas barricadas nas ruas parisienses, slogans como “Seja realista, exija o impossível”, causaram uma revolução cultural planetária. No entanto, eram os homens que estavam na linha de frente e cabia às mulheres o papel de coadjuvantes. As feministas mudariam isso, fundando a editora Éditions des Femmes e promovendo encontros e manifestações. O Círculo das Mulheres Brasileiras surgiu em em 1975, na esteira dessa militância. Ajudou inclusive a discutir e combater a caretice da esquerda no exílio, cuja pauta moralista considerava a homossexualidade um desvio pequeno-burguês, contrário à moral revolucionária.
Helena relembra a experiência que mesclava “solidão na terra estranha e encantamento com a liberdade reconquistada”. O acolhimento aos refugiados incluía aulas de francês por três meses, diárias de dez francos e carte de séjour (autorização de residência). Bastava apresentar atestado de escolaridade e se matricular nas várias seções da Universidade de Paris, a antiga Sorbonne. Para sobreviver, todo tipo de trabalho era bem-vindo: ser lanterninha de cinema, ajudante de cozinha, babá, faxineira, participar de colheitas de uvas. Há histórias saborosas, como a criação da Escolinha Saci Pererê, para as crianças não perderem o contato com as raízes culturais de suas famílias.
A Lei da Anistia, votada em 1º. de setembro de 1979, após 15 anos de ditadura, trouxe, como diz Helena, uma mistura de sentimentos. “Ninguém tinha casa para morar e muito menos trabalho. Tínhamos em torno de 30 anos, a ditadura interrompera nossas carreiras, o Brasil mergulhara na recessão. Era como chegar num país desconhecido e começar tudo de novo”. Na volta, o acervo do Círculo foi usado para criar o Centro de Informação da Mulher (CIM), em São Paulo, e o conteúdo foi compartilhado com organizações feministas brasileiras.
Em 2017, 20 companheiras se reencontraram em Paraty, para um fim de semana repleto de recordações. O projeto inicial era o de um filme, que acabou não vingando. Para o livro, Helena selecionou a trajetória de oito mulheres que se cruzaram em Paris, como Glória Ferreira, professora da UFRJ, crítica de arte e fotógrafa; Vera Barreto, modelo, atriz e produtora de filmes; e Vera Magalhães, que morreu de infarto aos 59 e foi uma espécie de musa da geração rebelde. Participou do sequestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick e foi banida para a Argélia, aos 22 anos. Sua imagem numa cadeira de rodas, na frente do avião que levaria os presos políticos, se transformou num ícone.
Agora, o preconceito contra a velhice faz parte da militância do grupo. Para essa geração, o que assusta no envelhecimento não é o desgaste do corpo, e sim “vivenciar o apagamento socioafetivo e a vida perder o sentido”, escreve a autora, frisando: “a gente envelhece do mesmo que jeito que viveu. Continuamos insubmissas e malcomportadas”. A propósito, elas criaram um outro coletivo: Peitamos. luta continua.
Capa do livro que resgata a história do Círculo de Mulheres Brasileiras, grupo feminista criado em Paris por exiladas
Reprodução

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G1

Prefeitura de Santo André afasta médico acusado de homofobia ao atender paciente gay com suspeita de varíola dos macacos

Médico de UPA de Santo André não aceitou quando paciente respondeu que era HIV negativo, e insistiu na pergunta. Prefeitura lamentou caso, disse que conduta do profissional será apurada e afastou o médico dos plantões em equipamentos municipais durante o processo. Fachada da UPA Central de Santo André, na Grande São Paulo
Reprodução/Google Maps
A prefeitura de Santo André anunciou neste sábado (30) que afastou o médico que foi acusado de preconceito no atendimento a um paciente gay com suspeita de varíola dos macacos. A prefeitura informou que, “assim que tomou conhecimento dos fatos, iniciou processo de apuração” e que, “durante este processo, o médico permanecerá afastado dos plantões nos equipamentos municipais de saúde”.
O ator Matheus Góis, de 23 anos, relatou ter sido vítima de homofobia durante o atendimento médico em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Santo André, na Grande São Paulo, na segunda-feira (25). Mesmo após negativa, o médico insistiu em querer saber se ele e..

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Médico de UPA de Santo André não aceitou quando paciente respondeu que era HIV negativo, e insistiu na pergunta. Prefeitura lamentou caso, disse que conduta do profissional será apurada e afastou o médico dos plantões em equipamentos municipais durante o processo. Fachada da UPA Central de Santo André, na Grande São Paulo
Reprodução/Google Maps
A prefeitura de Santo André anunciou neste sábado (30) que afastou o médico que foi acusado de preconceito no atendimento a um paciente gay com suspeita de varíola dos macacos. A prefeitura informou que, "assim que tomou conhecimento dos fatos, iniciou processo de apuração" e que, "durante este processo, o médico permanecerá afastado dos plantões nos equipamentos municipais de saúde".
O ator Matheus Góis, de 23 anos, relatou ter sido vítima de homofobia durante o atendimento médico em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Santo André, na Grande São Paulo, na segunda-feira (25). Mesmo após negativa, o médico insistiu em querer saber se ele era portador do vírus HIV, e questionou se ele tinha certeza de sua condição.
O caso ocorreu na UPA Central de Santo André, onde o paciente esteve após ser encaminhado pelo Centro Médico de Especialidades da Vila Vitória, também em Santo André.
Varíola dos macacos: como se transmite e quais são os sintomas
OMS declara monkeypox como emergência global
Matheus foi direcionado à UPA Central após uma médica do Centro de Especialidades informá-lo da suspeita de monkeypox, também conhecida como varíola dos macacos, já que o Centro de Especialidades não tem testes para esse tipo de diagnóstico.
Paciente gay com suspeita de varíola dos macacos relata preconceito em UPA em Santo André
Em entrevista ao g1, Góis contou que o médico da UPA Central perguntou o que ele fazia no Centro Médico de Especialidades da Vila Vitória, e questionou se ele "tem doença", em referência à infecção pelo vírus HIV.
"A primeira pergunta que ele fez foi: o que você estava fazendo lá [no Centro de Especialidades]? Aí eu falei, nada, eu fui me consultar para fazer a testagem de sífilis. Aí ele falou: você tem doença? Qual é a sua sorologia?", contou Góis.
"Eu na mesma hora falei assim, ó, eu sou negativo, HIV negativo. Aí ele falou: 'tem certeza que você é? Porque se você estava lá [no Centro de Especialidades], você tem alguma doença? Eu perguntei assim: que doença?' Aí ele disse: 'é, doença, mas deixa pra lá, eu vou mandar para a enfermeira aqui, e ela vai saber resolver. E sai, sai, sai da minha sala, por favor, sai", contou o paciente.
O g1 questionou a prefeitura de Santo André sobre o atendimento recebido pelo paciente com suspeita de monkeypox na UPA Central. Em nota, a prefeitura disse que "lamenta o ocorrido" e que "se comprovada conduta preconceituosa, o médico será severamente punido" (veja a nota completa abaixo).
Na última quarta, o diretor da Organização Mundial de Saúde (OMS) aconselhou que homens que fazem sexo com homens – como gays, bissexuais e trabalhadores do sexo – reduzam, neste momento, o número de parceiros sexuais para diminuir o risco de exposição à varíola dos macacos (monkeypox).
Na fala de abertura em uma entrevista sobre a doença, Tedros Adhanom Ghebreyesus também reforçou que "estigma e discriminação podem ser tão perigosos quanto qualquer vírus e podem alimentar o surto".
Varíola dos macacos: veja o que se sabe sobre a vacinação
Encaminhamento médico
Matheus procurou inicialmente a UPA Vila Luzita, também em Santo André, na manhã de segunda (25), com sintomas como dores nas costas e na região anal, além de feridas espalhadas pelo corpo.
Na unidade, a equipe suspeitou de sífilis, e o direcionou para o Centro de Especialidades Vila Vitória para que ele realizasse um exame da doença.
No Centro de Especialidades Vila Vitória, a equipe começou a suspeitar de varíola dos macacos, e orientou o paciente a ficar em isolamento. Matheus foi informado sobre o resultado negativo do exame de sífilis, e encaminhado para a UPA Central para fazer o teste de monkeypox.
O jovem já fazia acompanhamento no Centro de Especialidades para receber a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), medicamento que previne a infecção do vírus HIV e é indicado para grupos considerados de maior risco, como gays, homens que fazem sexo com outros homens (HSH), profissionais do sexo, homens trans, mulheres trans e travestis.
Ele acredita que o tratamento que recebeu do médico na UPA Central ocorreu, em parte, porque ele havia sido encaminhado por uma unidade de saúde que atende pacientes com Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), entre outros públicos.
"Já no meu prontuário estava dizendo que eu vim do Centro de Especialidade, e esse centro trata de ISTs, entre outras coisas. Tanto que eu estava fazendo um acompanhamento de Prep também", contou Matheus.
"Ele logo me perguntou se eu tinha 'doença', então ele sabia que eu era gay, ele sabia já", disse.
Diagnóstico de monkeypox
Após o atendimento do médico, que pediu que ele saísse da sala, Matheus foi recebido por enfermeiras da UPA Central, que coletaram uma amostra para o exame de varíola dos macacos e o orientaram a ficar em isolamento.
O ator, de 23 anos, contou que não recebeu nenhuma prescrição médica para tratar, em casa, a dor ou as feridas pelo corpo. Ele foi orientado apenas a ficar isolado, e aguardar o resultado do exame, que chegou nesta sexta (29) e foi positivo pra monkeypox.
"Eu não tenho orientação, não tem um 'passa uma pomadinha, toma um remedinho, faz assim'. Eles não me orientaram a isso, então você fica assustado. Você se automedica na dor que você sente", disse Matheus.
Na noite de quinta-feira (28), ele postou nas redes sociais um relato do diagnóstico de monkeypox e também do atendimento médico que recebeu em Santo André.
Ao g1, Matheus disse que, após a publicação, recebeu apoio de muitos desconhecidos, mas também foi novamente alvo de preconceito de outros internautas.
"Eu fiz esse relato e a comunidade também me apoiou. Me senti acolhido ali, mas eu vi muitos relatos cruéis também", disse.
"Tinha comentários falando que tá transando demais, tá saindo muitas pessoas, e eles nem sabem a quantidade de parceiros. Foi três semanas atrás que eu tinha transado com a última pessoa, mas mesmo assim as pessoas já vão associando essa doença com uma suposta promiscuidade, com uma libertinagem que os gays têm, e vão reforçando sempre esse discurso", afirmou.
Orientação da OMS
Nesta semana, o diretor da Organização Mundial de Saúde (OMS) aconselhou que homens que fazem sexo com homens – como gays, bissexuais e trabalhadores do sexo – reduzam, neste momento, o número de parceiros sexuais para diminuir o risco de exposição à varíola dos macacos (monkeypox).
Esta orientação, no entanto, foi criticada por ativistas do movimento LGBTQIA+, que destacaram o risco de estigmatização deste público durante a epidemia de varíola dos macacos.
Tedros Adhanom destacou que, "embora 98% dos casos até agora estejam entre homens que fazem sexo com homens, qualquer pessoa exposta pode pegar a varíola dos macacos".
OMS afirma que situação da varíola dos macacos é muito preocupante no Brasil
Além da transmissão por contato sexual, a doença também pode se espalhar nas residências por meio do contato próximo entre as pessoas, como abraços e beijos, e em toalhas ou roupas de cama contaminadas.
Em entrevista ao g1, o paciente da UPA Central, Matheus Góis, também questionou a orientação da OMS, mas disse que é importante que haja uma comunicação eficaz dos métodos de prevenção da doença.
Para ele, o atendimento que recebeu do médico reflete a estigmatização do público LGBTQIA+ como portadores de doenças.
"É importante, sim, saber tomar cuidado", afirmou.
"Acho que a discussão deve ser sobre a forma que isso é dito. A gente não tá falando de não cuidar de uma questão sanitária, mas a forma que é dita. Acho que a gente vive um momento em que temos ter, sim, cuidado com as palavras, ainda mais hoje", disse Matheus.
Veja a nota da Prefeitura de Santo André:
A Prefeitura de Santo André, por meio da Secretaria de Saúde, lamenta profundamente o ocorrido e esclarece que, assim que tomou conhecimento dos fatos, iniciou processo de apuração. Durante este processo, o médico permanecerá afastado dos plantões nos equipamentos municipais de saúde.
Informamos, ainda, que temos 3 (três) pacientes que obtiveram completo sucesso no tratamento contra Monkeypox e se recuperaram plenamente, outros 11 (onze) seguem em isolamento domiciliar, em tratamento integral e monitoramento da Secretaria Municipal de Saúde.
Todos os atendimentos são realizados com total discrição, responsabilidade, humanização e acolhimento.
Há um mês profissionais da rede de saúde pública e privada receberam capacitações sobre os protocolos, condutas e encaminhamentos a respeito da Monkeypox oferecidas por nossa Secretaria Municipal de Saúde.
Importante informar também que o primeiro caso suspeito em nossa cidade, no dia 2 de junho, teve acompanhamento e tratamento integral oferecido pela Secretaria de Saúde de nosso município, tendo o paciente o completo sucesso no tratamento.
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G1

Paciente gay com suspeita de varíola dos macacos relata preconceito: ‘Você tem doença? Qual é a sua sorologia?’, questionou médico

Médico de UPA de Santo André não aceitou quando ele respondeu que era HIV negativo e insistiu. Na quarta, diretor da OMS aconselhou que homens que fazem sexo com homens reduzam o número de parceiros sexuais. Fachada da UPA Central de Santo André, na Grande São Paulo
Reprodução/Google Maps
Um paciente gay com suspeita de varíola dos macacos relatou ter sido vítima de preconceito durante o atendimento médico em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Santo André, na Grande São Paulo, nesta segunda-feira (25). Após negativa, o médico insistiu em querer saber se ele era portador do vírus HIV.
O caso ocorreu na UPA Central de Santo André, onde o paciente Matheus Góis, de 23 anos, esteve após ser encaminhado pelo Centro Médico de Especialidades da Vila Vitória, também em Santo André.
Varíola dos macacos: como se transmite e quais são os sintomas
OMS declara monkeypox como emergência global
Matheus foi direcionado à UPA Central após uma médica do Centro de Especialidades informá-lo da susp..

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Médico de UPA de Santo André não aceitou quando ele respondeu que era HIV negativo e insistiu. Na quarta, diretor da OMS aconselhou que homens que fazem sexo com homens reduzam o número de parceiros sexuais. Fachada da UPA Central de Santo André, na Grande São Paulo
Reprodução/Google Maps
Um paciente gay com suspeita de varíola dos macacos relatou ter sido vítima de preconceito durante o atendimento médico em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Santo André, na Grande São Paulo, nesta segunda-feira (25). Após negativa, o médico insistiu em querer saber se ele era portador do vírus HIV.
O caso ocorreu na UPA Central de Santo André, onde o paciente Matheus Góis, de 23 anos, esteve após ser encaminhado pelo Centro Médico de Especialidades da Vila Vitória, também em Santo André.
Varíola dos macacos: como se transmite e quais são os sintomas
OMS declara monkeypox como emergência global
Matheus foi direcionado à UPA Central após uma médica do Centro de Especialidades informá-lo da suspeita de monkeypox, também conhecida como varíola dos macacos, já que o Centro de Especialidades não tem testes para esse tipo de diagnóstico.
Em entrevista ao g1, Góis contou que o médico da UPA Central perguntou o que ele fazia no Centro Médico de Especialidades da Vila Vitória, e questionou se ele "tem doença", em referência à infecção pelo vírus HIV.
"A primeira pergunta que ele fez foi: o que você estava fazendo lá [no Centro de Especialidades]? Aí eu falei, nada, eu fui me consultar para fazer a testagem de sífilis. Aí ele falou: você tem doença? Qual é a sua sorologia?", contou Góis.
"Eu na mesma hora falei assim, ó, eu sou negativo, HIV negativo. Aí ele falou: 'tem certeza que você é? Porque se você estava lá [no Centro de Especialidades], você tem alguma doença? Eu perguntei assim: que doença?' Aí ele disse: 'é, doença, mas deixa pra lá, eu vou mandar para a enfermeira aqui, e ela vai saber resolver. E sai, sai, sai da minha sala, por favor, sai", contou o paciente.
O g1 questionou a prefeitura de Santo André sobre o atendimento recebido pelo paciente com suspeita de monkeypox na UPA Central, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Na última quarta, o diretor da Organização Mundial de Saúde (OMS) aconselhou que homens que fazem sexo com homens – como gays, bissexuais e trabalhadores do sexo – reduzam, neste momento, o número de parceiros sexuais para diminuir o risco de exposição à varíola dos macacos (monkeypox).
Na fala de abertura em uma entrevista sobre a doença, Tedros Adhanom Ghebreyesus também reforçou que "estigma e discriminação podem ser tão perigosos quanto qualquer vírus e podem alimentar o surto".
Varíola dos macacos: veja o que se sabe sobre a vacinação
Encaminhamento médico
Matheus procurou inicialmente a UPA Vila Luzita, também em Santo André, na manhã de segunda (25), com sintomas como dores nas costas e na região anal, além de feridas espalhadas pelo corpo.
Na unidade, a equipe suspeitou de sífilis, e o direcionou para o Centro de Especialidades Vila Vitória para que ele realizasse um exame da doença.
No Centro de Especialidades Vila Vitória, a equipe começou a suspeitar de varíola dos macacos, e orientou o paciente a ficar em isolamento. Matheus foi informado sobre o resultado negativo do exame de sífilis, e encaminhado para a UPA Central para fazer o teste de monkeypox.
O jovem já fazia acompanhamento no Centro de Especialidades para receber a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), medicamento que previne a infecção do vírus HIV e é indicado para grupos considerados de maior risco, como gays, homens que fazem sexo com outros homens (HSH), profissionais do sexo, homens trans, mulheres trans e travestis.
Ele acredita que o tratamento que recebeu do médico na UPA Central ocorreu porque ele havia sido encaminhado por uma unidade de saúde que atende pacientes com Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), entre outros públicos.
"Já no meu prontuário estava dizendo que eu vim da do Centro de Especialidade e esse centro trata de ISTs, entre outras coisas. Tanto que eu estava fazendo um acompanhamento de Prep também", contou Matheus.
"Ele logo me perguntou se eu tinha doença, então ele sabia que eu era gay, ele sabia já", disse.
Diagnóstico de monkeypox
Após o atendimento do médico, que pediu que ele saísse da sala, Matheus foi acolhido por enfermeiras da UPA Central, que coletaram uma amostra para o exame de varíola dos macacos e o orientaram a ficar em isolamento.
O ator, de 23 anos, contou que não recebeu nenhuma prescrição médica para tratar, em casa, a dor ou as feridas pelo corpo. Ele foi orientado apenas a ficar isolado, e aguardar o resultado do exame, que chegou nesta sexta (29) e foi positivo pra monkeypox.
"Eu não tenho orientação, não tem um passa uma pomadinha, toma um remedinho, faz assim. Eles não orientaram a isso, então você fica assustado. Você se automedica na dor que você sente", disse Matheus.
Na noite de quinta-feira (28), ele postou nas redes sociais um relato do diagnóstico de monkeypox e também do atendimento médico que recebeu em Santo André.
Ao g1, Matheus disse que, após a publicação, recebeu apoio de muitos desconhecidos, mas também foi novamente alvo de preconceito de outros internautas.
"Eu fiz esse relato e a comunidade também me apoiou. Me senti acolhido ali, mas eu vi muitos relatos cruéis também", disse.
"Tinha comentários falando que tá transando demais, tá saindo muitas pessoas, e eles nem sabem a quantidade de parceiros. Foi três semanas atrás que eu tinha transado com a última pessoa, mas mesmo assim as pessoas já vão associando essa doença com uma promiscuidade, com uma libertinagem que os gays têm, e vão reforçando sempre se discurso", afirmou.
VÍDEOS: Tudo sobre São Paulo e região metropolitana

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G1

Você consegue imaginar uma vida profissional que dure 60 anos?

Modelo de trabalho vigente terá que ser repensado com a mudança do perfil demográfico da população Neste ano, o Plano de Ação Internacional para o Envelhecimento completa 20 anos – foi a primeira iniciativa global para fazer frente à mudança do perfil demográfico da população. Também estamos no segundo ano da Década do Envelhecimento Saudável: a Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu que o período entre 2021 e 2030 deveria ser dedicado a facilitar a participação de idosos em suas comunidades e contribuição à sociedade, assim como para garantir o acesso aos cuidados necessários. Há boas ideias de sobra e, infelizmente, esforços efetivos de menos, e o bônus da longevidade nos apresenta um enorme desafio: estamos vivendo mais, mas e a qualidade dessa existência? Faço tal introdução porque o aumento do número de centenários deixou de ser uma expectativa para se transformar em realidade. Segundo o Centro de Longevidade de Stanford, pelo menos metade das crianças norte-americanas co..

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Modelo de trabalho vigente terá que ser repensado com a mudança do perfil demográfico da população Neste ano, o Plano de Ação Internacional para o Envelhecimento completa 20 anos – foi a primeira iniciativa global para fazer frente à mudança do perfil demográfico da população. Também estamos no segundo ano da Década do Envelhecimento Saudável: a Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu que o período entre 2021 e 2030 deveria ser dedicado a facilitar a participação de idosos em suas comunidades e contribuição à sociedade, assim como para garantir o acesso aos cuidados necessários. Há boas ideias de sobra e, infelizmente, esforços efetivos de menos, e o bônus da longevidade nos apresenta um enorme desafio: estamos vivendo mais, mas e a qualidade dessa existência? Faço tal introdução porque o aumento do número de centenários deixou de ser uma expectativa para se transformar em realidade. Segundo o Centro de Longevidade de Stanford, pelo menos metade das crianças norte-americanas com 5 anos chegará aos 100. O desdobramento disso?
De acordo com o Centro de Longevidade de Stanford, pode-se considerar razoável que o tempo de vida profissional dos indivíduos chegue a 60 anos
Kalamazoo Public Library

Pode-se considerar razoável que o tempo de vida profissional dos indivíduos chegue a 60 anos, porque não haverá sistema de previdência que aguente um contingente tão grande fora mercado. Se hoje, com a aposentadoria por volta dos 65, a maioria considera que quatro décadas de labuta são um fardo pesado, o futuro soa apavorante.
Em artigo para “The Atlantic”, o jornalista Joe Pinsker alerta que o importante é redesenhar o trabalho, porque o modelo existente se tornará simplesmente inviável. Na verdade, o que se convencionou chamar de meia-idade se converteu numa fase com tantas demandas que uma sensação de esgotamento ronda as pessoas. Abordei a questão em algumas colunas e no meu livro, “Menopausa – o momento de fazer as escolhas certas para o resto da sua vida”: temos que lidar com exigências profissionais mais desafiadoras do que as do início de carreira; cuidar de filhos; e, com frequência cada vez maior, também de pais que passam a depender de nós.
O que vem sendo exigido de pais e mães que trabalham é impossível: conciliar dedicação total como empregados e responsáveis pelos filhos.
Para Laura Carstensen, diretora do centro de longevidade, a sociedade vai ter que ser flexível e criativa para resolver o impasse: por exemplo, diminuindo a carga horária de casais enquanto os filhos são pequenos, com a possibilidade de essas “horas devidas” serem compensadas no futuro. Inviável do ponto de vista econômico, já que os empregadores teriam que continuar arcando com os custos dos trabalhadores com a jornada reduzida? Talvez seja mais inviável o cenário no qual nos encontramos, com gente sobrecarregada e longe de dar o melhor de si nas empresas.
No modelo atual, estudamos durante as primeiras décadas da vida, trabalhamos durante as três ou quatro seguintes e, em tese, “descansamos” nas restantes. Está na hora de imaginarmos uma fase, entre os 50 e 60, para voltar a estudar e ganhar novas habilidades que possam ser aproveitadas no mercado. Isso é fundamental para aqueles que têm uma atividade braçal que não pode ser estendida indefinidamente. Não dar chances de requalificação para esses cidadãos é condená-los à insegurança financeira na velhice. “Somos utilizados em excesso na meia-idade e subutilizados depois dos 65”, resume Carstensen.

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G1

Sonecas podem ser um fator de risco para hipertensão

Pesquisa divulgada hoje pela Associação Americana do Coração alerta para possível relação entre o hábito e um pior quadro de saúde Estou antecipando a coluna que normalmente sai às terças por uma boa causa: acaba de ser liberada pesquisa da Associação Americana do Coração (American Heart Association), publicada na revista “Hypertension”, mostrando que o hábito de tirar uma soneca está associado ao risco aumentado para hipertensão e acidentes vasculares encefálicos, conhecidos popularmente como derrames. Este é o primeiro estudo a usar não apenas informações sobre indivíduos acompanhados por um longo período, mas também um tipo de método chamado randomização mendeliana. Pausa para explicação: trata-se de uma análise na qual variantes genéticas, associadas a uma determinada exposição – no caso, os cochilos – são utilizadas para investigar seu efeito sobre algum desfecho.
Pesquisa divulgada hoje pela Associação Americana do Coração alerta para possível relação entre o hábito de tirar uma ..

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Pesquisa divulgada hoje pela Associação Americana do Coração alerta para possível relação entre o hábito e um pior quadro de saúde Estou antecipando a coluna que normalmente sai às terças por uma boa causa: acaba de ser liberada pesquisa da Associação Americana do Coração (American Heart Association), publicada na revista “Hypertension”, mostrando que o hábito de tirar uma soneca está associado ao risco aumentado para hipertensão e acidentes vasculares encefálicos, conhecidos popularmente como derrames. Este é o primeiro estudo a usar não apenas informações sobre indivíduos acompanhados por um longo período, mas também um tipo de método chamado randomização mendeliana. Pausa para explicação: trata-se de uma análise na qual variantes genéticas, associadas a uma determinada exposição – no caso, os cochilos – são utilizadas para investigar seu efeito sobre algum desfecho.
Pesquisa divulgada hoje pela Associação Americana do Coração alerta para possível relação entre o hábito de tirar uma soneca e o risco aumentado para hipertensão
Thomas H. para Pixabay
“Os resultados são especialmente importantes uma vez que milhões de pessoas adotam tal hábito”, afirmou o líder do trabalho, E Wang, médico e professor do hospital universitário da Central South University, na China, que está entre as 100 melhores instituições de ensino da medicina no mundo. Os pesquisadores usaram o UK Biobank, com informações de mais de 500 mil indivíduos entre 40 e 69 anos que fornecem amostras de sangue, urina e saliva. Além dos dados genéticos e de saúde, todos respondem a questionários detalhados sobre seu estilo de vida.
Entre 2006 e 2019, foram realizados quatro levantamentos sobre cochilos ao longo do dia. Excluídos os registros dos que já apresentavam um quadro de hipertensão e/ou haviam sofrido um derrame, sobraram 360 mil perfis para serem analisados. Os pesquisadores procuravam uma associação entre o costume de dormir durante o dia e o primeiro relato dos problemas de saúde citados. Com este objetivo, criaram três conjuntos relacionados ao hábito: nunca ou raramente; às vezes; e com frequência. Três quartos dos participantes se mantiveram na mesma categoria. O que o estudo mostrou:
Um maior percentual de pessoas que tiravam um cochilo era composto de homens de menor grau de instrução e renda que também fumavam, bebiam durante o dia, sofriam de insônia e roncavam.
Se comparados com os que nunca tiravam uma soneca, os que tinham esse hábito apresentavam 12% mais chances de desenvolver um quadro de pressão alta e risco aumentado em 24% de sofrer um derrame.
Aqueles com menos de 60 anos que dormiam durante o dia manifestavam 20% mais chances de sofrer de hipertensão, se comparados com os da mesma idade sem esse hábito. Depois dos 60, a soneca estava vinculada a um risco 10% maior de hipertensão em relação aos que nunca cochilavam.
A randomização mendeliana mostrou que, entre uma categoria de frequência de sonecas para a outra, o risco crescia 40%. Quem cochilava mais tinha uma propensão genética atrelada à hipertensão.
“Embora tirar um cochilo não seja prejudicial, muita gente tem esse hábito por causa de dificuldades para dormir à noite, condição que está associada a um quadro pior de saúde. O estudo complementa outros achados que mostram que sonecas refletem um aumento de risco para problemas cardiovasculares”, afirmou Michael Grandner, professor da Universidade do Arizona, especialista em sono e coautor do guia “Life´s essential 8 cardiovascular health score” (“Oito métricas essenciais para a saúde cardiovascular”). Em junho, a Associação Americana do Coração adicionou o sono como o oitavo item para a pontuação que mede a saúde do coração e do cérebro.
Outra pesquisa liberada hoje acompanhou mais de 100 mil participantes durante 30 anos e reforça a relação entre um volume maior de atividade física e o aumento da expectativa de vida. A orientação atual da Associação Americana do Coração é de pelo menos 150 minutos de atividade aeróbica moderada por semana ou 75 minutos de intensidade vigorosa. Adultos que se exercitavam de duas a quatro vezes mais do que essa recomendação tinham uma redução entre 26% e 31% do risco de mortalidade em comparação com o padrão de 150 minutos de atividade moderada, e entre 21% e 23% em comparação com o padrão de intensidade vigorosa.

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Tendência

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