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‘Não posso abandonar meus alunos’: os professores ucranianos que viraram soldados e continuam dando aulas

Muitos professores entraram na guerra pela necessidade de defender seu país. Alguns deles retomaram suas aulas por celular nas trincheiras. Fedir Shandor dá suas aulas nas trincheiras no leste da Ucrânia.
VICTOR SHCHADEY
É uma manhã comum de segunda-feira na Ucrânia e Fedir Shandor está iniciando a sua conexão com a internet para dar as suas aulas online.
O professor universitário tem ensinado de forma virtual desde o início da pandemia de covid-19. Nos últimos meses, Shandor continuou lecionando de modo online também por outro motivo: ele está na linha de frente do conflito com a Rússia.
O homem de 47 anos se inscreveu no Exército após a invasão russa, mas estava preocupado porque queria que seus alunos continuassem estudando.
O resultado disso? Ele dá aulas duas vezes por semana em seu celular sobre temas como turismo e sociologia diretamente das trincheiras.
“Tenho ensinado há 27 anos. Não posso simplesmente abandonar isso. É nisso que sou bom”, diz ele à BBC.
Shandor tem ensinad..

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Muitos professores entraram na guerra pela necessidade de defender seu país. Alguns deles retomaram suas aulas por celular nas trincheiras. Fedir Shandor dá suas aulas nas trincheiras no leste da Ucrânia.
VICTOR SHCHADEY
É uma manhã comum de segunda-feira na Ucrânia e Fedir Shandor está iniciando a sua conexão com a internet para dar as suas aulas online.
O professor universitário tem ensinado de forma virtual desde o início da pandemia de covid-19. Nos últimos meses, Shandor continuou lecionando de modo online também por outro motivo: ele está na linha de frente do conflito com a Rússia.
O homem de 47 anos se inscreveu no Exército após a invasão russa, mas estava preocupado porque queria que seus alunos continuassem estudando.
O resultado disso? Ele dá aulas duas vezes por semana em seu celular sobre temas como turismo e sociologia diretamente das trincheiras.
"Tenho ensinado há 27 anos. Não posso simplesmente abandonar isso. É nisso que sou bom", diz ele à BBC.
Shandor tem ensinado enquanto integra as Forças Armadas desde o início da invasão russa na Ucrânia em fevereiro.
Ele se alistou porque queria lutar pelo seu país e proteger a sua esposa e a filha deles. "Tinha que deter os russos antes que viessem à minha casa", diz.
Anton Tselovalnyk tem ensinado seus alunos sobre arquitetura
ANTON TSELOVALNYK
Sua dedicação ao trabalho também o ajudou a manter altos números de participação nas suas aulas.
"Mesmo os estudantes que antes faltavam às aulas, agora assistem a todas", diz uma de suas alunas, Iryna, de 20 anos. "Ele sempre nos disse que temos que ser inteligentes, que estamos lutando por uma nação inteligente", acrescenta a jovem.
Barulho ao fundo
Mas ensinar nas trincheiras não é fácil, e os alunos tiveram que se acostumar a ouvir os bombardeios ao fundo.
"Durante uma aula, os sons eram muito altos e os alunos escutavam tudo. Logo me escondi nas trincheiras e continuei ensinando", conta.
Em meio ao conflito, ele também conseguiu mostrar a seus alunos os estilhaços e ensinar sobre diferentes mísseis.
As aulas de Shandor também são uma novidade para seus companheiros soldados, que muitas vezes acompanham esses momentos e tiram fotos dele no trabalho.
Uma dessas fotos, na qual ele aparece segurando o celular em uma trincheira, foi compartilhada na internet e viralizou na Ucrânia. Desde então, vários artistas de todo o país fizeram desenhos e caricaturas do momento.
Às vezes, barulho dos bombardeios atrapalham aulas
ANTON TSELOVALNYK
A "melhor distração"
Shandor não é o único professor que luta na linha de frente do conflito. Segundo o ministro da Educação da Ucrânia, Serhiy Shkarlet, cerca de 900 professores se juntaram às Forças Armadas até agora.
"Estamos orgulhosos de cada um deles", disse. "Também temos pessoas que se juntaram às forças armadas da Ucrânia no Ministério da Educação", acrescentou o ministro.
Outro caso é o de Anton Tselovalnyk.
As aulas dele foram canceladas nas duas primeiras semanas de guerra, mas depois de um tempo, as escolas onde ele havia trabalhado começaram a enviar mensagens pedindo ajuda.
O homem de 42 anos respondeu imediatamente, optando por ensinar diretamente das trincheiras ou nos alojamentos próximos. Nada pode impedi-lo, nem mesmo o frio.
Ele conta que no início não se tratava de ensinar as crianças, mas de conversar e apoiar uns aos outros. "As crianças costumavam ir à escola todos os dias e de repente tudo parou".
Tselovalnyk tem ensinado seus alunos, que vão do Ensino Fundamental ao Ensino Médio, sobre arquitetura.
"O mais importante agora é manter a conexão entre seu passado e seu futuro. Ensinar agora também é assim para mim", diz.
Muitos tiveram que aprender novas habilidades na Ucrânia por causa da guerra.
GETTY IMAGES
Uma de suas alunas, Viktoria Volkova, de 17 anos, diz que as aulas de Tselovalnyk são divertidas e ajudam a manter o bom humor entre os estudantes.
"É a melhor distração", diz a jovem. Ela conta que seu professor, muitas vezes, mostra para a classe o entorno do local onde está, conta sobre as trincheiras que ele ajudou a construir e os lugares onde senta para observar as estrelas.
"Ele é atencioso e carinhoso durante as aulas. Sempre pede comentários e tenta tornar o assunto interessante para a gente", acrescenta Volkova.
Cirurgia virtual
Outros professores, como Maksym Kozhemiaka, usam seus conhecimentos médicos para ajudar os militares na Ucrânia.
Aulas de Kozhemiaka permitem que estudantes continuem aprendendo em meio à guerra.
UNIVERSIDAD ESTATAL DE ZAPORIYIA
O professor de traumatologia da Universidade Estadual de Zaporizhzhia, de 41 anos, percebeu que poderia ser útil no hospital militar da cidade e se ofereceu para ajudar.
Depois de alguns dias trabalhando no local, descobriu uma maneira de ajudar seus alunos a continuar seus estudos também.
"Pensamos que poderíamos fazer aulas online", diz ele. "Já tínhamos experiência de ensino online durante a covid", pontua.
E assim, após as duas primeiras semanas difíceis da guerra, Kozhemiaka retomou o ensino permitindo que seus alunos o observassem virtualmente enquanto ele fazia cirurgias.
Ele usa uma combinação de aulas ao vivo e realidade aumentada para que os estudantes participem e discutam cirurgias mesmo em suas próprias casas.
"Temos ensinado médicos e jovens estudantes a tratar as feridas de combate", explica ele.
Daryna Bavysta acompanha as aulas virtuais de Kozhemiaka e afirma que tem aprendido muito.
"Agora entendo tudo o que acontece na sala de cirurgias", comenta. "Maksym explica tudo durante suas cirurgias ao vivo online: o que ele está fazendo e como", diz.
Mas ela está preocupada com o seu professor. "Não é apenas psicologicamente difícil, mas também fisicamente: você quer dar tudo para as pessoas que está tratando. Nossos soldados", diz.
Para Kozhemiaka, abandonar as aulas não era uma opção.
"Ensinar é o trabalho da minha vida", diz ele. "Não podia desistir. Estávamos no caminho certo como país antes da guerra e ainda estamos, então precisamos lutar juntos por nossa vitória e permanecer unidos".
"É importante continuar trabalhando no que fazia antes. Por que uma guerra deveria nos parar?"
Colaboração de Svitlana Libet.
– Este texto foi originalmente publicado em https://www.bbc.com/portuguese/internacional-62032171

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Fies abre inscrições para segundo semestre de 2022 nesta terça; veja calendário completo

Estudantes podem se candidatar ao programa federal de financiamento até sexta-feira (12). O Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) abriu, nesta terça-feira (9), o período de inscrições para o segundo semestre de 2022. O prazo termina às 23h59 de sexta (12) e o resultado deve ser divulgado na próxima terça (16).
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REDAÇÕES NOTA MIL: leia exemplos do Enem 2020
RENEGOCIAÇÃO DO FIES: entenda as regras para pagar dívidas
VAGAS OCIOSAS: Fies terá orçamento 35% menor para 2022
O Fies é um programa de financiamento para estudantes em instituições de ensino superior privadas (veja detalhes mais abaixo).
Veja o calendário do Fies:
Inscrições: 9 a 12 de agosto
Resultados (pré-selecionados): 16 de agosto
Complementação das inscrições dos pré-selecionados: 17 a 19 de agosto
Convocação da lista de espera: 22 de agosto a 22 de setembro
Abaixo, tire suas dúvidas a respeito do programa:
O que é o Fies?
Por meio do Fies, é possível usar a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para..

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Estudantes podem se candidatar ao programa federal de financiamento até sexta-feira (12). O Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) abriu, nesta terça-feira (9), o período de inscrições para o segundo semestre de 2022. O prazo termina às 23h59 de sexta (12) e o resultado deve ser divulgado na próxima terça (16).
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O Fies é um programa de financiamento para estudantes em instituições de ensino superior privadas (veja detalhes mais abaixo).
Veja o calendário do Fies:
Inscrições: 9 a 12 de agosto
Resultados (pré-selecionados): 16 de agosto
Complementação das inscrições dos pré-selecionados: 17 a 19 de agosto
Convocação da lista de espera: 22 de agosto a 22 de setembro
Abaixo, tire suas dúvidas a respeito do programa:
O que é o Fies?
Por meio do Fies, é possível usar a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para pleitear um financiamento das mensalidades de uma instituição de ensino privada.
Atenção: diferentemente do Prouni, o programa não oferece bolsas de estudos, e sim um "empréstimo". Depois de concluir a graduação, o candidato deverá quitar a dívida, em parcelas proporcionais à sua renda.
Quem pode se inscrever?
Para se inscrever, o candidato precisa ter:
participado de alguma edição do Enem a partir de 2010;
alcançado pontuação média nas quatro provas (Ciências Humanas, Ciências da Natureza, Linguagens e Matemática) igual ou superior a 450, e nota superior a zero na redação;
renda familiar mensal bruta per capita de 1 a 3 salários mínimos.
Como participar?
O aluno deve:
Entrar em http://fies.mec.gov.br.
Clicar em "Minha Inscrição" e, em seguida, em "Fazer Cadastro".
Digitar os dados de acesso da conta "gov.br" (CPF e senha).
Analisar os cursos com vagas disponíveis e escolher até três opções. É possível alterar essas informações quantas vezes quiser, até o encerramento das inscrições.
O que é IES?
Ao buscar os cursos disponíveis, o sistema do Fies pede que o candidato preencha o campo "IES".
A sigla significa "instituição de ensino superior": ou seja, é preciso escrever o nome da faculdade ou da universidade onde se deseja estudar.
Abaixo, veja um vídeo sobre o que considerar antes de assinar o contrato do Fies:
7 perguntas para não cair em uma cilada no Fies
Quem é prioridade?
Além da nota do Enem, o sistema do Fies também considera a seguinte ordem de prioridade ao selecionar os alunos aprovados:
I – Candidatos que não tenham concluído o ensino superior e que nunca tenham se vinculado ao Fies.
II – Candidatos que não tenham concluído o ensino superior, mas já tenham sido beneficiados pelo financiamento estudantil (com todas as dívidas pagas).
III – Candidatos que já tenham concluído o ensino superior e não tenham sido beneficiados pelo Fies.
IV – Candidatos que já tenham concluído o ensino superior, por meio do Fies, com as dívidas pagas.
Quem ainda tiver débitos no programa não poderá se inscrever.
Como participar da lista de espera?
Os candidatos que não tiverem sido aprovados na chamada única (a ser divulgada em 18 de março) concorrerão automaticamente por uma vaga na lista de espera.
O que fazer depois de ser aprovado?
O candidato deve entrar novamente no site do Fies e complementar seus dados de inscrição.
Depois disso:
– em até 5 dias, ir à instituição de ensino para apresentar a documentação exigida;
– em até 10 dias, contados a partir do terceiro dia útil da visita à instituição de ensino, comparecer a um agente financeiro (como a Caixa Econômica Federal) para formalizar o contrato de financiamento.
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‘Cantinho da disciplina’ funciona para educar crianças?

Pesquisas sobre o funcionamento do cérebro infantil mostram que ele ainda é imaturo para 'aprender' bons comportamentos em momento de estresse; mas especialistas dizem que 'cantos da calma' em casa podem ajudar no processo de regulação emocional. Como disciplinar as crianças é uma das grandes questões dos pais; descobertas sobre o funcionamento do cérebro colocam em xeque práticas comuns como o 'cantinho do pensamento'
Getty Images/Via BBC
Adianta colocar a criança de castigo ou, em uma versão mais suave, num “cantinho da disciplina”?
Essa é uma das dúvidas mais comuns de pais e cuidadores diante da “desobediência” infantil.
Defensores do “cantinho do pensamento” dizem que sim, argumentando que o método dá aos pais uma estratégia que evita a violência.
Leia também
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Pesquisas sobre o funcionamento do cérebro infantil mostram que ele ainda é imaturo para 'aprender' bons comportamentos em momento de estresse; mas especialistas dizem que 'cantos da calma' em casa podem ajudar no processo de regulação emocional. Como disciplinar as crianças é uma das grandes questões dos pais; descobertas sobre o funcionamento do cérebro colocam em xeque práticas comuns como o 'cantinho do pensamento'
Getty Images/Via BBC
Adianta colocar a criança de castigo ou, em uma versão mais suave, num "cantinho da disciplina"?
Essa é uma das dúvidas mais comuns de pais e cuidadores diante da "desobediência" infantil.
Defensores do "cantinho do pensamento" dizem que sim, argumentando que o método dá aos pais uma estratégia que evita a violência.
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Crianças passavam horas em pé no 'cantinho do castigo'
Mas o conhecimento recente da neurociência coloca essa ideia em xeque, ao mostrar que o cérebro das crianças sequer tem maturidade para aprender um "bom comportamento" ou refletir sobre as regras da família durante um castigo.
Essas evidências científicas apontam que a criança só vai incorporar sentimentos negativos durante essas punições — por exemplo, ressentimento —, em vez de aprender habilidades importantes de vida e ferramentas que a ajude a controlar as próprias emoções.
Ao mesmo tempo, especialistas defendem que dá, sim, para montar em casa um "cantinho" que sirva para acalmar na hora em que as tensões e as brigas escalonam.
Tudo isso a BBC News Brasil vai detalhar a seguir:
O cérebro infantil
Um ponto-chave das pesquisas sobre o cérebro infantil é o chamado córtex pré-frontal.
É a área do cérebro que "nos ajuda a pensar racionalmente, controlar impulsos, refletir sobre sentimentos e gerenciar nosso corpo e emoções", explica Claire Lerner, pesquisadora que ajudou a elaborar as diretrizes da organização desenvolvimento infantil Zero to Three, nos EUA.
Os cientistas descobriram que, durante toda a infância, mas sobretudo nos primeiros anos de vida, o córtex pré-frontal está imaturo. "O córtex pré-frontal está nos estágios mais rudimentares do desenvolvimento nessa idade", diz Lerner.
Córtex pré-frontal, que controla impulsos e emoções, ainda é imaturo nas crianças
Getty Images/Via BBC
Ou seja, do ponto de vista fisiológico, a criança ainda não é capaz de controlar a maior parte das suas reações, porque tem um controle ainda inconsistente delas. Quando é tomada por emoções difíceis, como frustração, raiva ou medo, seu corpo reage — por exemplo, "explodindo" em crises de birra.
"Ao contrário das crenças populares, crianças pequenas que não cumprem o que é pedido, perdem o controle de suas emoções ou se distraem facilmente não são 'crianças más' nem estão sendo intencionalmente beligerantes ou não-cooperativas", explica o Centro de Desenvolvimento Infantil da Universidade de Harvard.
Ela cita uma das famosas pesquisas em que as crianças são colocadas diante de uma guloseima — e perguntadas se preferem comê-la imediatamente ou esperar para receber um segundo doce.
Embora, nesse estudo, muitas crianças de 3 anos tenham reconhecido que o melhor seria esperar para ter dois doces, prevaleceu na maioria delas o impulso de comer a única guloseima à sua frente.
Na prática, as crianças ainda têm pouco controle sobre as reações emocionais do seu corpo
Getty Images/Via BBC
"Claramente, elas sabem, pela lógica, que é melhor esperar, mas saber não é suficiente" para seu cérebro em formação, concluem os estudiosos.
"Sabemos que é só pelos 20 e poucos anos que essa parte do cérebro fica plenamente formada, o que também explica por que adolescentes são famosos por nem sempre tomarem as melhores decisões ou terem grande dificuldade em controlar seus impulsos", conclui Lerner.
Mas, mesmo tendo isso em mente, como lidar com os momentos em que as crianças perdem o controle ou se recusam a cumprir tarefas do dia a dia?
Os desafios e as birras
"Essas dúvidas provavelmente aparecem em ao menos 75% das consultas que os pais fazem comigo, porque estão vivenciando algum tipo de desafio — batalhas sobre a hora de dormir, o tempo de tela, birras em público ou em casa, todas questões comuns da primeira infância", diz Claire Lerner.
"Quando começou toda essa discussão sobre o 'time-out' ('castigo'), nos anos 1990, meus filhos eram novos e era uma estratégia muito comum: 'se você não parar com isso, vai para o quarto!'", relata. "E daí começamos a aprender muito mais sobre o desenvolvimento do cérebro das crianças, e do que ele é ou não capaz."
Compreender os sentimentos e seus gatilhos é uma habilidade de vida, diz psicóloga
Getty Images/Via BBC
A estratégia ainda é defendida pela educadora infantil Cris Poli, conhecida por ter protagonizado o programa Supernanny na TV brasileira.
Ela argumenta que um "cantinho da disciplina" evita gritos e agressões nas relações entre crianças e cuidadores, a partir dos 2 anos de idade.
"Desobediência? Coloque regras simples, discipline seus filhos", ela diz, citando por exemplo a importância de uma regra para escovar os dentes após as refeições.
"Você explica a regra no nível do entendimento dela. Desobedeceu? Você lembra, mostra a regrinha, dá um aviso. Se desobedecer de novo em 24 horas — não uma semana, mas sim 24h —, vai para o cantinho da disciplina. 'Você vai ficar aqui sentadinho para pensar por que decidiu desobedecer'. Um minuto por ano de idade", diz.
"Quando termina o tempo, você pergunta à criança: 'você lembra (o motivo da punição)?' Dá um beijo, abraço, parabéns. Você não fica nervosa, não bate, não grita. É diálogo. Porque disciplina não é agressiva, é com amor."
Habilidades de vida
De fato, quando surgiu como uma alternativa às agressões físicas, o "cantinho do pensamento" trouxe um avanço — o problema é que ele desconsidera os conhecimentos mais recentes sobre o comportamento infantil, argumenta a psicóloga e autora Nanda Perim.
Ela cita as pesquisas da americana Jane Nelsen, cujo trabalho é base da "disciplina positiva", corrente que defende a criação por meio não da punição, mas do ensinamento de habilidades de vida.
Ao coibir desejos e impulsos sobre os quais a criança ainda não tem controle, o "cantinho da disciplina" desperta uma reação primitiva no cérebro infantil: a de "fugir ou lutar", defende Perim.
"O cérebro vai reagir a essa ameaça ou fugindo, ou lutando. E isso pode (se traduzir) em baixa autoestima, de ela achar que é ruim, porque faz tanta coisa errada. Ou vai querer se vingar, para sentir que está no controle da própria vida, e vai fazer (o comportamento indesejado) de novo, mas escondendo dos pais", ela diz.
"Com 6, 7 ou 8 anos, a criança está começando a desenvolver (controle emocional). E daí ela precisa de alfabetização emocional — dar nome às emoções dela, reconhecer como essas emoções mexem com seu corpinho, quais os gatilhos para elas brotarem, quais os gatilhos da calma para elas melhorarem. Isso é habilidade de vida. Mandando a criança ficar olhando para a parede, ela não vai aprender nada disso", prossegue a psicóloga.
"Aliás, eu ensino muito mais habilidades de vida quando eu mostro ao meu filho que eu também sinto raiva e que administrar minha raiva é difícil. Porque meu filho olha para mim e fala 'quando é difícil para mim, é porque eu sou uma pessoa, não é porque eu sou ruim e tenho problema'."
Na mesma linha, Claire Lerner diz que as pesquisas sobre o cérebro "mostraram, para nós no campo (da psicologia infantil), que medidas punitivas são contraproducentes — porque passa às crianças a mensagem de que suas emoções não importam, de que 'você é uma criança ruim e decepcionante'. E vimos que isso não reduz o comportamento (indesejado) para além do momento do castigo".
Como lidar com comportamentos desafiadores
Quando a criança desaba porque não ganhou o brinquedo que viu na loja, é preciso entender que ela própria tem pouco controle sobre seu corpo. Na prática, diz Lerner, dá para ter empatia com isso sem deixar de impor limites claros.
"É uma linha tênue. Não é nem 'tá bom, vamos comprar o unicórnio', nem 'você está sendo um mimado, um manipulador, nada de TV para você pelo resto do dia'", diz.
A primeira recomendação dela é manter a calma e ensinar à criança o que ela está sentindo. E também reforçar as regras e combinados da família.
"Eu diria que a maioria de nós neste campo concorda, de modos gerais, que é disso que as crianças precisam: compaixão, empatia, ideias para solucionar problemas. 'Eu sei, é muito difícil quando você não pode assistir a mais um episódio do seu programa de TV favorito, mas é a nossa regra. Se você precisa de espaço para lidar com isso, sem problemas. Podemos pensar em outras coisas que você pode fazer'. Você está dando apoio, mas também estabelecendo um limite."
Nanda Perim fala que é importante olhar não só ao comportamento da criança, mas ao que pode estar por trás dele.
Toda essa discussão também gera ressalvas aos métodos de educação positiva – seja pela ênfase, em alguns casos, em atribuir o comportamento infantil a fatores como estresse e ansiedade. Seja porque algumas mães enxergam isso como uma ferramenta de culpabilizá-las.
Especialistas dizem que não é esse o caso.
"Digo que não traz mais culpa, mas sim mais responsabilidade. (…) Claro que dá muito mais trabalho analisar o fundo do iceberg e não só a pontinha — se a criança está com sono, fome, falta de rotina, ou se sentindo deixada de lado, inúmeros fatores que levam a esses reflexos", diz.
No exemplo da relutância em escovar os dentes, Perim sugere:
"A gente não vai explicar o que é cárie para uma criança de dois anos. A gente vai bolar uma rotina em que ela tenha tempo para três passos — entender, elaborar e aceitar que a hora de escovar os dentes está chegando, e dar duas opções: por exemplo, dois sabores de pasta de dente. Ao invés de dizer 'quer escovar os dentes?', que a criança vai responder 'não', você pode dizer 'quer escovar os dentes com sabor menta ou morango?' Porque a resposta imediata do cérebro na primeira infância é não, por ser a resposta que defende a autonomia dela. Se a gente dá opções, o cérebro vai ter que pensar numa resposta", afirma.
"Se ela responde 'ah, nenhuma das duas'. Daí a gente vai encontrar ferramentas para suprir uma necessidade de comunicação. Mas tem que entender que não é a criança testando a gente, não é um cabo de guerra. Com isso, a gente para de educar à base do medo, de 'o que a odontopediatra vai pensar do meu filho?', e passa a educar pelo lado do 'pera lá: deixa eu analisar o que pode ser (a raiz desse comportamento)?' (…) Na educação tradicional vão achar que 'a mãe dessa criança é uma trouxa'. Mas na educação democrática é só a gente suprindo necessidades de acordo com o desenvolvimento da criança."
Cantinhos de calma, e não de punição
Nessa linha, espaços da casa ou da escola podem ser vistos como locais não de punição a um comportamento, mas de regulação emocional em momentos de estresse. Dessa ideia surgiram os "cantinhos da calma".
"São espaços que ajudam a acalmar, com livros e objetos de conforto (almofadas, brinquedos que possam ser jogados ou apertados)", explica Lerner.
A proposta é que a criança tope, voluntariamente, se acalmar ali — caso contrário, volta a ser uma medida punitiva.
Mesmo assim, nem sempre dá certo.
"Tudo isso é maravilhoso quando funciona. Porque pode acontecer de a criança se levantar do cantinho do aconchego e correr freneticamente, talvez em condições inseguras, jogando objetos pela casa, arranhando, batendo, cuspindo — coisas que observo diariamente nos meus encontros com famílias", afirma Lerner.
"É aí que os pais ficam confusos. O que você faz quando seu filho fica tão fora de controle que se torna destrutivo? É hora de repensar. Porque no fim das contas, não temos controle sobre as crianças, apenas controlamos a situação."
Nesses casos, uma opção limite indicada por Lerner é manter a criança em um local fechado e seguro da casa, até ela se acalmar, enquanto os pais se fazem presentes de um modo calmo.
"Percebi que era tão prejudicial permitir que as criança fosse destrutiva daquele jeito, enquanto os pais imploravam para ela parar de bater, cuspir ou arranhar — mais prejudicial do que apenas dizer 'entendo, você está muito nervoso porque não vamos ao parquinho, seu corpo está fora de controle, você tem este espaço seguro incrível onde pode bater, chutar, e eu estarei do outro lado da porta'. E sugiro aos pais que cantem ou falem do outro lado para mostrar sua presença. (…) Mas nenhum aspecto disso é punitivo. Para mim fica no limite de dar amor e apoio, calma e corregulação emocional", defende Lerner.
Outro ponto importante: essas estratégias precisam ser combinadas previamente com as crianças, mas em momentos de calma, e não de raiva — quando o cérebro tem baixa capacidade de processar esse tipo de informação.
"Se os pais não têm um plano em mente, é quando as coisas saem do controle. Porque sem um plano eles se tornam reativos, e a reatividade é o que escalona essas situações", afirma.
E pais também precisam ter suas necessidades supridas nesse processo todo, defende Nanda Perim.
"'O que eu preciso nessa relação com a minha criança? Por que eu estou gritando tanto? Quais os meus gatilhos? Quais estressores da minha vida estão me fazendo tão mal e me fazendo ser mais explosivo com a minha criança?' Se eu entendo a minha criança melhor, e me entendo melhor, é claro que a relação é muito mais gostosa. A criança se sente ouvida, amada, respeitada, e responde a isso", prossegue.
Perim cita outra pesquisadora do tema, Mona Delahooke. "Ela diz que você não precisa ser uma mãe perfeita para ter um filho incrível. Significa melhor do que os outros filhos? Não. Mas alguém que tenha habilidades de vida, que se conhece, que sabe lidar com suas emoções, seus gatilhos. Ele vai ser perfeito? Não. Mas pode uma pessoa incrível, que busque relações saudáveis, com habilidades de vida que nós não tivemos porque nossos pais não tiveram acesso a essas informações."
Veja os vídeos mais assistidos do g1

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Prouni 2022: último dia para se inscrever no processo seletivo do 2º semestre

Programa oferece bolsas de estudo integrais e parciais em instituições particulares de ensino superior. Prazo foi prorrogado em um dia após falhas no sistema de inscrições. Sala de aula
Divulgação/Universidade Católica de Brasília
Termina nesta sexta-feira (5) o período de inscrição para o processo seletivo do Programa Universidade Para Todos (Prouni) do 2º semestre. Os interessados devem se inscrever pelo http://acessounico.mec.gov.br/prouni até às 23h59.
O prazo foi prorrogado em um dia pelo Ministério da Educação (MEC) após falhas no sistema de inscrição. Na quarta-feira (3), o g1 mostrou que alguns alunos notaram a ausência da chamada “classificação parcial” no sistema de acompanhamento da inscrição. Eles também reclamaram do “sumiço” de vagas que estavam sendo ofertadas no sistema no início da semana.
O Prouni é um programa do MEC que oferece bolsas de estudo integrais (cobrem 100% da mensalidade) e parciais (50%) em instituições particulares de ensino superior.
Para concorrer a..

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Programa oferece bolsas de estudo integrais e parciais em instituições particulares de ensino superior. Prazo foi prorrogado em um dia após falhas no sistema de inscrições. Sala de aula
Divulgação/Universidade Católica de Brasília
Termina nesta sexta-feira (5) o período de inscrição para o processo seletivo do Programa Universidade Para Todos (Prouni) do 2º semestre. Os interessados devem se inscrever pelo http://acessounico.mec.gov.br/prouni até às 23h59.
O prazo foi prorrogado em um dia pelo Ministério da Educação (MEC) após falhas no sistema de inscrição. Na quarta-feira (3), o g1 mostrou que alguns alunos notaram a ausência da chamada "classificação parcial" no sistema de acompanhamento da inscrição. Eles também reclamaram do "sumiço" de vagas que estavam sendo ofertadas no sistema no início da semana.
O Prouni é um programa do MEC que oferece bolsas de estudo integrais (cobrem 100% da mensalidade) e parciais (50%) em instituições particulares de ensino superior.
Para concorrer a uma vaga, o candidato deve ter realizado o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020 ou 2021 e ter obtido média mínima de 450 pontos nas áreas de conhecimento e nota superior a zero na redação.
Além disso, é preciso atender a pelo menos um dos pontos abaixo:
Ter cursado o ensino médio completo em escola da rede pública;
Ter cursado o ensino médio completo em escola privada como bolsista integral;
Ter cursado o ensino médio parcialmente em escola da rede pública e parcialmente em instituição privada, na condição de bolsista integral;
Ter cursado o ensino médio parcialmente em escola da rede pública e parcialmente em instituição privada com bolsa parcial ou sem a condição de bolsista; e
Ter cursado o ensino médio completo em escola privada com bolsa parcial da respectiva instituição ou sem a condição de bolsista;
Ser pessoa com deficiência, na forma prevista na legislação; ou
Ser professor da rede pública de ensino, exclusivamente para os cursos de licenciatura e pedagogia, destinados à formação do magistério da educação básica.
Para concorrer às bolsas integrais, o estudante deve ainda ter renda familiar bruta mensal per capita de até um salário mínimo e meio (R$ 1.818 por pessoa).
Para as bolsas parciais, o limite da renda familiar bruta mensal per capita é de três salários mínimos (R$ 3.636 por pessoa).
Cronograma do Prouni do 2º semestre
Inscrições: 1º a 5 de agosto
Resultado da 1ª chamada: 8 de agosto
Comprovação das informações: 8 a 17 de agosto
Resultado da 2ª chamada: 22 de agosto
Comprovação das informações da 2ª chamada: 22 a 31 de agosto
Lista de espera: 5 a 6 de setembro
Resultado da lista de espera: 9 de setembro
Comprovação das informações: 10 a 16 de setembro
e

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UnB suspende aulas presenciais em algumas turmas após suspeita de varíola dos macacos

Segundo Universidade de Brasília, dois estudantes de Comunicação podem estar com doença. Instituição também recomendou reforço nas medidas de prevenção, como uso de máscara e higienização das mãos no campus. Pátio do Campus Darcy Ribeiro da Universidade de Brasília (UnB)
Geraldo Bechker/TV Globo
A Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB) suspendeu, nesta quinta-feira (4), as aulas presenciais em algumas turmas. De acordo com a UnB, dois alunos do curso, que estiveram nas salas, podem estar com a varíola dos macacos (monkeypox).
Conforme um comunicado da universidade, os estudantes estão em isolamento. A orientação é para que as turmas que tiveram aulas com eles adotem o ensino a distância.
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REDE PÚBLICA: teste para detectar vírus da varíola dos macacos passa a ser feito no DF
Segundo o documento, a contaminação dos dois jovens está sendo investigada e eles são monitorados pelo setor de vigilânc..

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Segundo Universidade de Brasília, dois estudantes de Comunicação podem estar com doença. Instituição também recomendou reforço nas medidas de prevenção, como uso de máscara e higienização das mãos no campus. Pátio do Campus Darcy Ribeiro da Universidade de Brasília (UnB)
Geraldo Bechker/TV Globo
A Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB) suspendeu, nesta quinta-feira (4), as aulas presenciais em algumas turmas. De acordo com a UnB, dois alunos do curso, que estiveram nas salas, podem estar com a varíola dos macacos (monkeypox).
Conforme um comunicado da universidade, os estudantes estão em isolamento. A orientação é para que as turmas que tiveram aulas com eles adotem o ensino a distância.
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Segundo o documento, a contaminação dos dois jovens está sendo investigada e eles são monitorados pelo setor de vigilância epidemiológica da UnB. Além disso, para as demais turmas, a instituição reforçou medidas de prevenção, como uso de máscara, higienização das mãos e dos objetos pessoais.
A instituição também recomendou que os ambientes fiquem arejados, com portas e janelas abertas.
Casos no DF
Imagem de pessoa infectada pela varíola dos macacos
Reprodução/TV Anhanguera
Até segunda-feira (1º), quando foi emitido o último boletim da Secretaria de Saúde, o Distrito Federal tinha 38 casos confirmados de varíola dos macacos. Havia ainda outros 97 casos suspeitos e 12 tinham sido descartados.
As regiões com maior número de ocorrências são o Plano Piloto, o Guará e Águas Claras. A transmissão comunitária também foi confirmada no DF, ou seja, não é possível rastrear a origem da infecção e o vírus já circula entre as pessoas, independentemente de viagem para o exterior.
A varíola dos macacos é uma doença viral rara transmitida pelo contato próximo com uma pessoa infectada. Os sintomas iniciais mais comuns são:
Febre
Dor de cabeça
Dores musculares
Dor nas costas
Gânglios (linfonodos) inchados
Calafrios
Exaustão
A transmissão pode ocorrer pelas seguintes formas:
Por contato com o vírus: com um animal, pessoa ou materiais infectados, incluindo através de mordidas e arranhões de animais, manuseio de caça selvagem ou pelo uso de produtos feitos de animais infectados. Ainda não se sabe qual animal mantém o vírus na natureza, embora os roedores africanos sejam suspeitos de desempenhar um papel na transmissão da varíola às pessoas.
De pessoa para pessoa: pelo contato direto com fluidos corporais como sangue e pus, secreções respiratórias ou feridas de uma pessoa infectada, durante o contato íntimo – inclusive durante o sexo – e ao beijar, abraçar ou tocar partes do corpo com feridas causadas pela doença. Ainda não se sabe se a varíola do macaco pode se espalhar através do sêmen ou fluidos vaginais.
Por materiais contaminados que tocaram fluidos corporais ou feridas, como roupas ou lençóis;
Da mãe para o feto através da placenta;
Da mãe para o bebê durante ou após o parto, pelo contato pele a pele;
Úlceras, lesões ou feridas na boca também podem ser infecciosas, o que significa que o vírus pode se espalhar pela saliva.
Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

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Câmara aprova projeto que cria política nacional de educação digital

Texto estabelece estratégias para desenvolvimento de inclusão digital e inclui programação e robótica no currículo da educação básica desde o ensino fundamental. Proposta vai ao Senado. A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (4) um projeto que institui a Política Nacional de Educação Digital, que estabelece estratégias visando a capacitação de profissionais e a inclusão de programação e robótica no currículo da educação básica. O texto segue para o Senado.
A proposta detalha diretrizes para o desenvolvimento da educação digital por meio de quatro eixos:
inclusão digital, com a promoção de estratégias gratuitas voltadas a todas as camadas da população;
educação digital escolar, englobando o pensamento computacional, cultura digital e tecnologia assistiva;
capacitação e especialização digital, voltada à formação de profissionais e desenvolvimento de competências digitais e habilidades necessárias à empregabilidade;
pesquisa científica em tecnologias da informação e comunicação..

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Texto estabelece estratégias para desenvolvimento de inclusão digital e inclui programação e robótica no currículo da educação básica desde o ensino fundamental. Proposta vai ao Senado. A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (4) um projeto que institui a Política Nacional de Educação Digital, que estabelece estratégias visando a capacitação de profissionais e a inclusão de programação e robótica no currículo da educação básica. O texto segue para o Senado.
A proposta detalha diretrizes para o desenvolvimento da educação digital por meio de quatro eixos:
inclusão digital, com a promoção de estratégias gratuitas voltadas a todas as camadas da população;
educação digital escolar, englobando o pensamento computacional, cultura digital e tecnologia assistiva;
capacitação e especialização digital, voltada à formação de profissionais e desenvolvimento de competências digitais e habilidades necessárias à empregabilidade;
pesquisa científica em tecnologias da informação e comunicação, com objetivo de estimular a produção de novos conhecimentos.
O texto, de autoria da deputada Angela Amim (PP-SC) e relatado pelo deputado Israel Batista (PSB-DF), propõe a promoção de competências informacionais e digitais, ferramentas on-line entre outras estratégias como forma de estimular a inclusão digital.
Em relação à educação digital escolar, a proposta diz que as ações deverão ser desenvolvidas respeitando as diretrizes curriculares vigentes e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), além de propor diretrizes prioritárias, como a promoção ao desenvolvimento de competências digitais, a promoção de práticas de educação midiática, entre outros.
O eixo de capacitação e especialização digital deverá ser desenvolvido com base em estratégias prioritárias como:
identificação das competências digitais;
consolidação do conteúdo para ensino e especialização digital por meio de cursos online;
promoção de rede nacional de cursos de educação profissional, entre outros.
Já a pesquisa Científica em Tecnologias da Informação e Comunicação tem entre suas diretrizes a promoção de parcerias entre o Brasil e centros de ciência e tecnologia de grande relevância internacional e a promoção do compartilhamento de recursos digitais entre instituições de ensino.
Conforme o projeto, a política de educação digital será regulamentada pelo governo, deverá obedecer ao plano plurianual e respeitar os respectivos limites orçamentários e competência de cada órgão governamental envolvido.
Diretrizes e Bases
O projeto também inscreve na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) o termo educação digital, definida como “o desenvolvimento de competências voltadas ao letramento digital de jovens e adultos, avançando progressivamente em direção à proficiência digital”.
A proposta ainda determina que o ensino de programação, computação e robótica deverá compor os currículos da educação básica desde o ensino fundamental.
VÍDEOS: notícias sobre educação

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Projeto de vida no novo ensino médio: alunos comemoram; professores se queixam de falta de formação

Espécie de programa para ajudar os jovens a se conhecerem melhor e a tomarem decisões pessoais e profissionais, matéria passou a ser obrigatória no currículo das redes pública e privada. Novo ensino médio: escolas começam a implantar novo sistema a partir deste ano
Uma das inovações do currículo do novo ensino médio, em vigor no país há pouco mais de seis meses, o projeto de vida traz uma mistura de sentimentos. Enquanto alunos comemoram a oportunidade de ter um espaço para debater em sala de aula carreira e futuro profissional, professores se queixam da falta de formação para dar a matéria, que é obrigatória tanto para escolas públicas quanto privadas.
“Estar na sala de aula com os colegas e o professor e não precisar decorar fórmulas ou estudar teorias que não vou utilizar no meu dia a dia é um alívio. Em vez disso, posso refletir sobre o que quero para a minha vida”, avalia o goianiense Marcelo Pereira, de 16 anos, sobre os 50 minutos que tem toda quarta-feira entre as aulas de geog..

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Espécie de programa para ajudar os jovens a se conhecerem melhor e a tomarem decisões pessoais e profissionais, matéria passou a ser obrigatória no currículo das redes pública e privada. Novo ensino médio: escolas começam a implantar novo sistema a partir deste ano
Uma das inovações do currículo do novo ensino médio, em vigor no país há pouco mais de seis meses, o projeto de vida traz uma mistura de sentimentos. Enquanto alunos comemoram a oportunidade de ter um espaço para debater em sala de aula carreira e futuro profissional, professores se queixam da falta de formação para dar a matéria, que é obrigatória tanto para escolas públicas quanto privadas.
"Estar na sala de aula com os colegas e o professor e não precisar decorar fórmulas ou estudar teorias que não vou utilizar no meu dia a dia é um alívio. Em vez disso, posso refletir sobre o que quero para a minha vida", avalia o goianiense Marcelo Pereira, de 16 anos, sobre os 50 minutos que tem toda quarta-feira entre as aulas de geografia e matemática.
Acontece que a legislação que determinou a implementação da disciplina não é tão detalhada. Ela deixa, por exemplo, a cargo das instituições de ensino a definição de como e quando o projeto de vida será incluído na grade. (veja mais detalhes abaixo)
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Também não estipula o perfil do profissional que dará a aula. Secretarias estaduais têm escolhido entre os seus docentes aqueles que tenham características como dinamismo, empatia, habilidade de escuta, resiliência e abertura ao diálogo. Algumas redes dizem fornecer capacitação, mas tem professores que relatam sentir falta desse preparo. "Me sinto perdido", diz um deles.
Nas particulares, a realidade parece ser outra. Entre as escolas ouvidas pelo g1, de estados como Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, elas dizem já oferecer uma disciplina de "orientação socioemocional" em seu currículo desde antes da obrigatoriedade, com treinamento específico para os professores.
Confira abaixo o que prevê esse componente e as primeiras impressões de estudantes e docentes:
O que é o projeto de vida?
A alteração na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional que institui o novo ensino médio não traz muitos detalhes acerca do projeto de vida, apenas a determinação de que deve ser aplicado no ensino médio, considerando a formação do estudante nos "aspectos físicos, cognitivos e socioemocionais".
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC, documento que estipula o conteúdo e as habilidades que devem ser desenvolvidas pelas escolas) prevê o projeto de vida como um meio de o estudante exercer sua cidadania e tomar suas decisões com “liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade”.
Carga horária – Não há uma carga horária mínima exigida para o componente. Além disso, a escola pode escolher se aplica a atividade já no primeiro ano ou se a distribui ao longo dos três anos.
Avaliação – A instituição também pode decidir se o projeto de vida valerá nota no boletim ou não.
Professor – Tampouco há uma definição sobre o perfil do profissional que ministrará a matéria. A escola pode designar um professor que já integra a rede de ensino ou contratar alguém especificamente para a função.
Projeto de vida não tem carga horária mínima
TV Globo/Reprodução
Em geral, as secretarias estaduais de educação, que são as responsáveis pela oferta do ensino médio na rede pública, têm escolhido professores que já fazem parte do seu corpo docente. É o caso de ao menos 17 estados, segundo levantamento do g1 feito junto às 27 unidades da federação.
A maioria encaixa a disciplina na grade do primeiro ano do ensino médio, mas tem lugares, como o Distrito Federal, em que é oferecida ao longo dos três anos.
Além disso, das 17 secretarias que responderam aos questionamentos da reportagem, 14 disseram que a matéria já foi implementada em todas as suas escolas. Nos outros três estados, ainda precisa implantar em parte da rede – e isso ocorre por diferentes razões. Em Pernambuco, por exemplo, falta adotar em 24 escolas indígenas, onde, segundo o governo local, está em andamento um processo de negociação com os povos indígenas.
'Aula é sobre o que quero para meu futuro'
Novidade principalmente na rede pública, a matéria tem tido boa receptividade entre os estudantes. Na escola em que Kathielly Moura, de 15 anos, estuda na cidade de Serrinha, na Bahia, foi o professor de filosofia que assumiu o projeto de vida. Para ela, a decisão foi acertada.
"As aulas de filosofia são mais reflexivas e o projeto de vida, também. Meu professor tem essa [característica] e os alunos gostam muito das aulas dele", diz.
Kathielly Moura é estudante de 1º ano do ensino médio em Serrinha, na Bahia.
Arquivo Pessoal
Kathielly é representante de sua turma e conta que o retorno que os colegas dão da nova disciplina é positivo. Ela ainda atribui ao projeto de vida a mudança de pensamento que teve sobre o próximo passo após concluir o ensino médio.
"Eu mesma estava em dúvida do [curso] que queria fazer na faculdade e essa disciplina me ajudou bastante porque comecei a me encontrar. Essa matéria faz algumas perguntas que nos ajudam muito a diferenciar o que a gente quer do que é uma dúvida [sobre áreas e projetos de vida]", avalia.
Quem também elogia o novo componente é Alessandra Santos, de 15 anos, de Querência, no Mato Grosso.
"Essa aula é sobre o que eu quero para o meu futuro, o que quero da vida, e tem me ajudado muito a pensar no que quero para mim. Tenho refletido bastante", afirma.
Alessandra Santos faz o 1º ano do ensino médio na rede estadual do Mato Grosso
Arquivo pessoal
Ela conta que desde a infância sonhava em seguir carreira em perícia criminal, mas, depois das reflexões da disciplina, pode mudar totalmente de rumo. "Agora estou pensando em ser professora de filosofia".
No colégio particular Qi Metropolitano, do Rio de Janeiro, onde Isabelle Gambôa cursa o 1º ano, a disciplina equivalente ao projeto de vida é chamada de socioemocional. Segundo ela, a orientação foi fundamental para encarar a nova etapa de ensino.
"A proposta do novo ensino médio me deu medo, ainda mais depois desse período de pandemia. Ficou tudo muito complicado na minha cabeça, as questões de matéria ficaram meio emboladas, mas o socioemocional me ajudou no autoconhecimento e na organização [dos conteúdos das aulas]", relata.
Na escola, a responsável pela disciplina é uma orientadora pedagógica com formação em psicopedagoga – outro ponto positivo para a aluna. "Conseguimos ter uma abertura maior justamente por ela ser nossa orientadora. Temos a liberdade de conversar sobre nossas experiências, sobre o que nós queremos e sempre podemos ir à sala dela para tirar qualquer dúvida", conta.
'Como professor, me sinto perdido'
Apesar da boa impressão que o projeto de vida tem deixado nos alunos, o mesmo não acontece entre alguns professores da rede pública.
"Os alunos se envolvem porque é uma aula mais aberta, não é conteudista [com foco em conteúdo]. Mas, enquanto eles se encontram, eu, como professor, me sinto perdido. Não há uma formação específica para lecionar projeto de vida e a Secretaria de Educação deixa tudo nas nossas costas", queixa-se um professor da rede estadual do Rio de Janeiro que prefere não se identificar.
A falta de uma capacitação é também um dos problemas apontados pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp).
"Pretender que os jovens elaborem projetos de vida nesse contexto de falta de estrutura nas escolas estaduais, ausência de formação continuada para os professores e diálogo verdadeiro no ambiente escolar nos parece apenas uma forma de transferir aos alunos o ônus por todas essas deficiências, com base em um falso protagonismo e um 'direito de escolha' que não é cabível nesse contexto", diz a entidade em nota enviada ao g1.
Situação parecida é vivida pelo professor Paulo Mendes, que dá aulas na rede estadual de Divinópolis (MG). Ele relata não se sentir tão preparado em relação ao projeto de vida quanto está em geografia, área de sua formação.
"Para dar aulas de geografia, eu estudei por quatro anos, fiz pós-graduações e, agora, estou fazendo meu mestrado. Mas, para ensinar o projeto de vida, a única coisa que disseram foi 'vai lá e completa sua carga horária'. Não recebi nenhum tipo material de apoio, nenhuma formação continuada, nada".
Ele conta que ficar responsável pelo projeto de vida não foi uma escolha, mas uma necessidade. "Eu leciono uma das disciplinas do novo ensino médio, mas também precisei assumir o projeto de vida para completar minha carga horária mínima. Como professor concursado, preciso cumprir um mínimo de horas e só a disciplina pela qual sou responsável não preenche o requisito", explica.
Professores reclamam de falta de capitação sobre projeto de vida
Reprodução
O que dizem as secretarias
A Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro informou que oferece aos professores formação para o novo ensino médio com um módulo voltado para o projeto de vida, apesar de o apoio da secretaria aos profissionais não ser específico para o projeto de vida ou outros componentes curriculares.
Sobre as críticas da Apeoesp, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo disse que "os docentes contam com formações eventuais em Aulas de Trabalho Pedagógico Coletivo (ATPCs), transmitidas via Centro de Mídias SP, pela Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação do Estado de São Paulo (EFAPE)".
Acrescentou ainda que a "disciplina e as competências socioemocionais no ensino médio são contempladas por meio de ações formativas direcionadas a docentes, diretores, professores coordenadores do núcleo pedagógico e supervisores".
Já a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais disse que "os profissionais responsáveis pela aplicação do projeto de vida têm a sua disposição formação continuada e webinários oferecidos pela SEE/MG sobre o referencial teórico e operacionalização do componente curricular".
Impacto do projeto de vida
Para o psicopedagogo Carlos Alberto Gonçalves, o novo componente pode ser o maior diferencial do novo ensino médio se for devidamente aplicado.
"A ideia de oferecer aos alunos um espaço em que eles possam apenas refletir sobre o que querem, quem são e quem podem ser é sensacional, especialmente nessa etapa escolar em que há muita tensão sobre notas, conteúdos e vestibulares".
No entanto, ele ressalta que é preciso ser dado apoio aos docentes.
"Não vejo problema em oferecer a atividade para um professor que já atua com a turma, mas, para isso, é preciso que seja ofertada também uma formação específica para este profissional. Afinal, mais do que nunca, a responsabilidade de ajudar o aluno a decidir sobre seu futuro recai sobre ele e não é uma responsabilidade qualquer", observa.
"Se a proposta é tornar o ensino médio mais atrativo e eficiente, isso deve ser feito desde o começo e desde a base, que é onde está o professor", completa Gonçalves.

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Prouni 2022: MEC prorroga prazo de inscrição para sexta-feira

Programa oferece bolsas de estudo integrais e parciais em instituições particulares de ensino superior. Prazo aumentou em um dia após alunos apontarem falha no sistema de inscrição. Sala de aula da rede municipal de Vitória
André Sobral/Prefeitura de Vitória
O Ministério da Educação prorrogou para sexta-feira (5) o período de inscrição para o processo seletivo do Programa Universidade Para Todos (Prouni) do 2º semestre. Os interessados devem se inscrever pelo http://acessounico.mec.gov.br/prouni até às 23h59.
A prorrogação acontece após falhas no sistema de inscrição. Nesta quarta-feira (3), o g1 mostrou que alguns alunos notaram a ausência da chamada “classificação parcial” no sistema de acompanhamento da inscrição. Eles também reclamaram do “sumiço” de vagas que estavam sendo ofertadas no sistema no início da semana.
O Prouni é um programa do Ministério da Educação (MEC) que oferece bolsas de estudo integrais (cobrem 100% da mensalidade) e parciais (50%) em instituições particulare..

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Programa oferece bolsas de estudo integrais e parciais em instituições particulares de ensino superior. Prazo aumentou em um dia após alunos apontarem falha no sistema de inscrição. Sala de aula da rede municipal de Vitória
André Sobral/Prefeitura de Vitória
O Ministério da Educação prorrogou para sexta-feira (5) o período de inscrição para o processo seletivo do Programa Universidade Para Todos (Prouni) do 2º semestre. Os interessados devem se inscrever pelo http://acessounico.mec.gov.br/prouni até às 23h59.
A prorrogação acontece após falhas no sistema de inscrição. Nesta quarta-feira (3), o g1 mostrou que alguns alunos notaram a ausência da chamada "classificação parcial" no sistema de acompanhamento da inscrição. Eles também reclamaram do "sumiço" de vagas que estavam sendo ofertadas no sistema no início da semana.
O Prouni é um programa do Ministério da Educação (MEC) que oferece bolsas de estudo integrais (cobrem 100% da mensalidade) e parciais (50%) em instituições particulares de ensino superior.
Para concorrer a uma vaga, o candidato deve ter realizado o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020 ou 2021 e ter obtido média mínima de 450 pontos nas áreas de conhecimento e nota superior a zero na redação.
Além disso, é preciso atender a pelo menos um dos pontos abaixo:
Ter cursado o ensino médio completo em escola da rede pública;
Ter cursado o ensino médio completo em escola privada como bolsista integral;
Ter cursado o ensino médio parcialmente em escola da rede pública e parcialmente em instituição privada, na condição de bolsista integral;
Ter cursado o ensino médio parcialmente em escola da rede pública e parcialmente em instituição privada com bolsa parcial ou sem a condição de bolsista; e
Ter cursado o ensino médio completo em escola privada com bolsa parcial da respectiva instituição ou sem a condição de bolsista;
Ser pessoa com deficiência, na forma prevista na legislação; ou
Ser professor da rede pública de ensino, exclusivamente para os cursos de licenciatura e pedagogia, destinados à formação do magistério da educação básica.
Para concorrer às bolsas integrais, o estudante deve ainda ter renda familiar bruta mensal per capita de até um salário mínimo e meio (R$ 1.818 por pessoa).
Para as bolsas parciais, o limite da renda familiar bruta mensal per capita é de três salários mínimos (R$ 3.636 por pessoa).
Cronograma do Prouni do 2º semestre
Inscrições: 1º a 4 de agosto
Resultado da 1ª chamada: 8 de agosto
Comprovação das informações: 8 a 17 de agosto
Resultado da 2ª chamada: 22 de agosto
Comprovação das informações da 2ª chamada: 22 a 31 de agosto
Lista de espera: 5 a 6 de setembro
Resultado da lista de espera: 9 de setembro
Comprovação das informações: 10 a 16 de setembro
e

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Prouni do 2º semestre: vagas ‘somem’ do sistema e classificação parcial não é divulgada, dizem candidatos

Programa distribui bolsas de estudo parciais e integrais para estudantes de baixa renda. Ministério da Educação não havia se pronunciado até a última atualização desta reportagem. A um dia do prazo final das inscrições, candidatos do Programa Universidade Para Todos (Prouni) do 2º semestre relataram ao g1 dois problemas no processo seletivo:
a ausência da chamada “classificação parcial” (mecanismo anunciado pelo Ministério da Educação para ajudar alunos a escolherem cursos nos quais tenham maior chance de aprovação);
e o “sumiço” de vagas que, no início da semana, estavam sendo ofertadas no sistema.
Até a última atualização desta reportagem, a pasta não havia se pronunciado.
Às escuras
O sistema do Prouni é dinâmico: ao longo do período de inscrições, o candidato pode mudar suas opções de curso quantas vezes quiser. Valerão as que estiverem marcadas às 23h59 da quinta-feira (4).
Até a última edição do programa, o site mostrava as notas de corte parciais de cada graduação, calculadas c..

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Programa distribui bolsas de estudo parciais e integrais para estudantes de baixa renda. Ministério da Educação não havia se pronunciado até a última atualização desta reportagem. A um dia do prazo final das inscrições, candidatos do Programa Universidade Para Todos (Prouni) do 2º semestre relataram ao g1 dois problemas no processo seletivo:
a ausência da chamada "classificação parcial" (mecanismo anunciado pelo Ministério da Educação para ajudar alunos a escolherem cursos nos quais tenham maior chance de aprovação);
e o "sumiço" de vagas que, no início da semana, estavam sendo ofertadas no sistema.
Até a última atualização desta reportagem, a pasta não havia se pronunciado.
Às escuras
O sistema do Prouni é dinâmico: ao longo do período de inscrições, o candidato pode mudar suas opções de curso quantas vezes quiser. Valerão as que estiverem marcadas às 23h59 da quinta-feira (4).
Até a última edição do programa, o site mostrava as notas de corte parciais de cada graduação, calculadas com base no desempenho dos alunos inscritos até aquele momento. Por exemplo: se alguém que tivesse tirado 600 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) visse que o índice mínimo exigido em medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) era de 890, poderia mudar sua escolha para alguma que oferecesse maior chance de aprovação.
Para o Prouni deste 2º semestre, o MEC anunciou uma mudança: em vez de exibir as antigas notas de corte, passaria a mostrar a classificação parcial do candidato em relação aos seus concorrentes diretos, de mesmo perfil (em ampla concorrência ou em determinado tipo de ação afirmativa).
No entanto, até a tarde desta quarta-feira (3), a um dia do prazo final das inscrições, havia apenas o aviso de "aguardar apuração":
Classificação parcial não está sendo exibida no site do Prouni, dizem alunos
Reprodução
O MEC não detalhou a partir de que horário a classificação parcial seria disponibilizada. Em outros processo seletivos, como no Sistema de Seleção Unificada (Sisu), a atualização acontece diariamente, à meia-noite.
"Estou me sentindo afetada de todas as maneiras. Tento medicina há 6 anos e agora me enxergo com chances reais de passar, mas essa falta de classificação torna impossível acompanhar o processo e decidir em qual universidade me inscrever", diz a candidata paraibana Liliane Karolayne.
Vagas desaparecendo
Outro problema descrito pelos participantes é o "sumiço" de vagas que estavam sendo ofertadas no Prouni no início da semana.
Na segunda-feira, o Centro Universitário Serra dos Órgãos (Unifeso), em Teresópolis (RJ), oferecia 32 vagas para pretos, pardos e indígenas; 5 para pessoas com deficiência e 24 na ampla concorrência:
Vagas do Prouni na segunda-feira
Reprodução
Nesta quarta-feira (3), os números estavam menores: 26 vagas para pretos, pardos e indígenas; 4 para pessoas com deficiência e 20 na ampla concorrência:
Vagas somem do sistema, dizem candidatos
Reprodução
O mesmo aconteceu em outras instituições de ensino.
"Estamos nos sentindo impotentes", diz a candidata Millena Horato. "De repente, 11 vagas da universidade que escolhi simplesmente sumiram. As inscrições já vão acabar amanhã."
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UFV abre novas vagas para programas de pós-graduação

Os interessados devem se inscrever até a data especificada para cada curso. Veja quais são. Campus da Universidade Federal de Viçosa (UFV), foto de arquivo
Nathalie Guimarães/g1
A Universidade Federal de Viçosa (UFV) divulgou vagas para programas de pós-graduação na instituição. Os interessados devem se inscrever pelo site de gerenciamento de processo seletivo (GPS). Confira abaixo os cursos e datas limites:
Pós-graduação stricto sensu
Arquitetura e Urbanismo – inscrições até 03/10/2022;
Bioquímica Aplicada – inscrições até 23/08/2022;
Botânica – inscrições até 05/08/2022;
Ciência e Tecnologia de Alimentos – Bolsista Estrangeiro – inscrições até 17/08/2022;
Engenharia Agrícola – inscrições até 08/08/2022;
Fisiologia Vegetal – inscrições até 16/08/2022.
Pós-graduação lato sensu
Sistemas Fotovoltaicos Isolados e Conectados à Rede Elétrica – 14/08/2022.
VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes

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Os interessados devem se inscrever até a data especificada para cada curso. Veja quais são. Campus da Universidade Federal de Viçosa (UFV), foto de arquivo
Nathalie Guimarães/g1
A Universidade Federal de Viçosa (UFV) divulgou vagas para programas de pós-graduação na instituição. Os interessados devem se inscrever pelo site de gerenciamento de processo seletivo (GPS). Confira abaixo os cursos e datas limites:
Pós-graduação stricto sensu
Arquitetura e Urbanismo – inscrições até 03/10/2022;
Bioquímica Aplicada – inscrições até 23/08/2022;
Botânica – inscrições até 05/08/2022;
Ciência e Tecnologia de Alimentos – Bolsista Estrangeiro – inscrições até 17/08/2022;
Engenharia Agrícola – inscrições até 08/08/2022;
Fisiologia Vegetal – inscrições até 16/08/2022.
Pós-graduação lato sensu
Sistemas Fotovoltaicos Isolados e Conectados à Rede Elétrica – 14/08/2022.
VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes

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Mineira que esperou mais de duas décadas para realizar sonho de ser dentista relembra trajetória: ‘passava na porta da faculdade e queria estar ali’

Ina Márcia de Oliveira Sousa ficou órfã ainda criança e trabalhou como doméstica aos 13 anos para sustentar a si mesma e os irmãos. Vaga na universidade foi conquistada aos 42 anos por meio do Prouni, que neste ano encerra as inscrições na quinta-feira (4). Ina Márcia se formou em Odontologia aos 46 anos, em Uberaba
Capital Formaturas
Concluir uma graduação é um objetivo buscado por muitas pessoas e, quando conquistado, se torna motivo de orgulho para elas e os familiares. No caso de Ina Márcia Oliveira de Sousa, de Uberaba, a caminhada até o diploma foi ainda mais difícil e só foi finalizada em 2018, quando ela tinha 46 anos.
Agora, aos 49, a dentista conversou com o g1 Triângulo para contar sobre os obstáculos que enfrentou na busca para realizar o sonho de se formar.
Ela também falou sobre o Programa Universidade Para Todos (Prouni), método pelo qual ela conseguiu a vaga na universidade e que, neste ano, terá as inscrições para a edição do 2º semestre encerradas na quinta-feira (4..

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Ina Márcia de Oliveira Sousa ficou órfã ainda criança e trabalhou como doméstica aos 13 anos para sustentar a si mesma e os irmãos. Vaga na universidade foi conquistada aos 42 anos por meio do Prouni, que neste ano encerra as inscrições na quinta-feira (4). Ina Márcia se formou em Odontologia aos 46 anos, em Uberaba
Capital Formaturas
Concluir uma graduação é um objetivo buscado por muitas pessoas e, quando conquistado, se torna motivo de orgulho para elas e os familiares. No caso de Ina Márcia Oliveira de Sousa, de Uberaba, a caminhada até o diploma foi ainda mais difícil e só foi finalizada em 2018, quando ela tinha 46 anos.
Agora, aos 49, a dentista conversou com o g1 Triângulo para contar sobre os obstáculos que enfrentou na busca para realizar o sonho de se formar.
Ela também falou sobre o Programa Universidade Para Todos (Prouni), método pelo qual ela conseguiu a vaga na universidade e que, neste ano, terá as inscrições para a edição do 2º semestre encerradas na quinta-feira (4).
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Infância
De origem humilde, Ina ficou órfã quando tinha apenas 1 ano e 4 meses de idade. Após perder os pais, ela ficou sob os cuidados de outras pessoas até ser acolhida pela avó materna. Foi também nessa época que ela descobriu que tinha dois irmãos.
"A gente morava na roça, e nós viemos para Uberaba porque ela percebeu que precisava dar um futuro pra nós. Ela abdicou de tudo que ela tinha e dos sonhos dela na tentativa de dar um futuro para mim e para os meus irmãos", lembrou.
Porém, quando Ina estava com 13 anos, a avó dela também faleceu. Para ajudar a si mesma e os irmãos, a então adolescente começou a trabalhar como doméstica. Mesmo assim, segundo ela, o sonho de estudar não se apagou.
"Eu passava muitas vezes na porta da faculdade, e o sonho que eu tinha ainda era conseguir entrar ali dentro", contou.
Graduação
Aos 24 anos, Ina se casou com Elias Sousa, que trabalhava como protético e que tinha o sonho de se formar em Odontologia. Para acompanhar o marido, ela fez um curso técnico na área de ortodontia e ortopedia funcional dos maxilares, além de ter ajudado ele a participar do processo seletivo para ingressar na faculdade.
"Foi ali que meu amor pela odontologia começou, na vontade de mudar a realidade das pessoas e para elas entenderem o valor da prevenção. A odontologia, se tratada como prevenção, é o melhor remédio de todas as dores", afirma.
Porém, o sonho de se formar na área só seria realizado mais de 20 anos depois. O primeiro passo foi dado quando a uberabense descobriu que poderia se inscrever no Prouni, ao visitar a escola do filho, Rafael.
"O diretor da escola me explicou que era um programa de bolsas para as universidades particulares. Naquele dia eu saí tão convicta que cheguei em casa e já falei meu esposo assim: 'eu vou fazer faculdade', e eles não entendiam", continuou.
Desse momento em diante, ela colocou o ingresso na faculdade como meta. Ina ganhou uma bolsa e entrou no cursinho preparatório na escola em que o filho estudava.
No ano seguinte, a tão sonhada vaga na universidade foi conquistada pelo Prouni, e a futura cirurgiã-dentista entrou na Uniube, em julho de 2013.
Ina atua como dentista em um consultório que mantém com o marido em Uberaba
Ina Márcia/Arquivo Pessoal
Formatura
Passado o desafio de entrar na universidade, novos obstáculos apareceram no caminho de Ina: as aulas teóricas apresentavam temáticas que, segundo ela, eram difíceis para quem não havia concluído o ensino médio convencional.
"Foi quando todos os alunos e professores me abraçaram. Eles entendiam o momento que eu estava passando, entendi as minhas dificuldades e me estenderam a mão".
Com o passar do tempo, a aluna que sempre sentava na primeira carteira da sala de aula e conversava com os professores passou a se acostumar com a rotina. Até que, em 27 de julho de 2018, Ina pode, enfim, segurar o tão sonhado diploma de Odontologia, aos 46 anos de idade.
Atualmente, Ina trabalha em um consultório junto ao esposo. Com o diploma em mãos, a agora dentista aconselha pessoas que, assim como ela, têm um sonho que, por vezes, possa parecer impossível.
"A gente tem que sonhar e a gente tem que buscar informação. Então, quando você tiver um sonho, que você busque todas as informações possíveis para poder atingi-lo. Talvez naquele momento seja impossível, mas um dia será possível. Tenha fé".
Ina acompanhada pelo filho e pelo tio na formatura dela, em 2018
Capital Formaturas
Prouni
Utilizado por Ina para conseguir ingressar na Uniube, o Programa Universidade Para Todos (Prouni) do 2º semestre de 2022 está com as inscrições abertas até quinta-feira (4). O cadastro pode ser feito pela página http://acessounico.mec.gov.br/prouni.
O Prouni é um programa do Ministério da Educação (MEC) que oferece bolsas de estudo integrais (cobrem 100% da mensalidade) e parciais (50%) em instituições particulares de ensino superior.
Para se inscrever no processo seletivo, o candidato deve ter realizado o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020 ou 2021 e ter obtido média mínima de 450 pontos nas áreas de conhecimento e nota superior a zero na redação.
Além disso, é preciso atender a pelo menos um dos pontos abaixo:
Ter cursado o ensino médio completo em escola da rede pública;
Ter cursado o ensino médio completo em escola privada como bolsista integral;
Ter cursado o ensino médio parcialmente em escola da rede pública e parcialmente em instituição privada, na condição de bolsista integral;
Ter cursado o ensino médio parcialmente em escola da rede pública e parcialmente em instituição privada com bolsa parcial ou sem a condição de bolsista; e
Ter cursado o ensino médio completo em escola privada com bolsa parcial da respectiva instituição ou sem a condição de bolsista;
Ser pessoa com deficiência, na forma prevista na legislação; ou
Ser professor da rede pública de ensino, exclusivamente para os cursos de licenciatura e pedagogia, destinados à formação do magistério da educação básica.
LEIA MAIS: Prouni 2022: inscrições para o processo seletivo do 2º semestre começam
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Escola Sesi oferece bolsas de estudo 100% gratuitas para cidades do Centro-Oeste de Minas; veja como se inscrever

Oportunidades são para alunos de escolas públicas do ensino fundamental e médio em Divinópolis, Itaúna e Pará de Minas. Aulas; escola; quadro; colégio; estudar
Vivian Honorato/Prefeitura de Londrina
O Serviço Social da Indústria (Sesi) em Divinópolis, Itaúna e Pará de Minas oferece bolsas de estudos com 100% de gratuidade para alunos de escolas públicos. A inscrição pode ser feita até o próximo domingo (7), de forma on-line.
São quase 100 vagas voltadas para estudantes do 6º ao 8º ano do ensino fundamental e médio, de acordo com a disponibilidade de cada escola.
Além da gratuidade, o programa de bolsas oferece isenção de matrícula e mensalidade, material didático e uniformes gratuitos.
Veja abaixo o quadro de vagas conforme as escolas e cidades:
Vagas em Divinópolis
Vagas em Itaúna
Vagas em Pará de Minas
Seleção
A seleção será feita por meio de provas de língua portuguesa e matemática, que serão aplicadas no dia 13 de agosto, às 9h, na unidade Sesi em que o aluno quer estudar.
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Oportunidades são para alunos de escolas públicas do ensino fundamental e médio em Divinópolis, Itaúna e Pará de Minas. Aulas; escola; quadro; colégio; estudar
Vivian Honorato/Prefeitura de Londrina
O Serviço Social da Indústria (Sesi) em Divinópolis, Itaúna e Pará de Minas oferece bolsas de estudos com 100% de gratuidade para alunos de escolas públicos. A inscrição pode ser feita até o próximo domingo (7), de forma on-line.
São quase 100 vagas voltadas para estudantes do 6º ao 8º ano do ensino fundamental e médio, de acordo com a disponibilidade de cada escola.
Além da gratuidade, o programa de bolsas oferece isenção de matrícula e mensalidade, material didático e uniformes gratuitos.
Veja abaixo o quadro de vagas conforme as escolas e cidades:
Vagas em Divinópolis
Vagas em Itaúna
Vagas em Pará de Minas
Seleção
A seleção será feita por meio de provas de língua portuguesa e matemática, que serão aplicadas no dia 13 de agosto, às 9h, na unidade Sesi em que o aluno quer estudar.
Os selecionados serão divulgados no dia 25 de agosto no site do Sesi.
VÍDEOS: veja tudo sobre o Centro-Oeste de Minas

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Unicamp 2023: análise das fotos de cotistas deve reduzir pela metade demanda para banca verificar autodeclaração étnico-racial

Comissão registrará fotos dos candidatos e espera agilizar processo com nova medida. Primeira fase acontece em 6 de novembro, e a segunda está marcada para 11 e 12 de dezembro. Estudantes durante a prova da primeira fase do vestibular 2022 da Unicamp
Julio Cesar Costa / g1
A Unicamp projeta reduzir pela metade a demanda de trabalho da banca responsável por verificar a autodeclaração de candidatos pretos e pardos optantes por cotas étnico-raciais no vestibular 2023, a partir da análise de fotos que serão registradas pela comissão organizadora (Comvest) dos candidatos durante a segunda fase do processo seletivo. A medida foi anunciada nesta segunda-feira (1) durante a abertura do período de inscrições, e o objetivo da universidade é tornar o processo mais ágil.
“A nossa expectativa é de reduzir pelo menos à metade o número de pessoas que irão para averiguação [das características fenotípicas] via Google Meet [serviço de comunicação por vídeo]. Isso torna o fluxo mais rápido para convocar..

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Comissão registrará fotos dos candidatos e espera agilizar processo com nova medida. Primeira fase acontece em 6 de novembro, e a segunda está marcada para 11 e 12 de dezembro. Estudantes durante a prova da primeira fase do vestibular 2022 da Unicamp
Julio Cesar Costa / g1
A Unicamp projeta reduzir pela metade a demanda de trabalho da banca responsável por verificar a autodeclaração de candidatos pretos e pardos optantes por cotas étnico-raciais no vestibular 2023, a partir da análise de fotos que serão registradas pela comissão organizadora (Comvest) dos candidatos durante a segunda fase do processo seletivo. A medida foi anunciada nesta segunda-feira (1) durante a abertura do período de inscrições, e o objetivo da universidade é tornar o processo mais ágil.
"A nossa expectativa é de reduzir pelo menos à metade o número de pessoas que irão para averiguação [das características fenotípicas] via Google Meet [serviço de comunicação por vídeo]. Isso torna o fluxo mais rápido para convocar os candidatos. Na simulação que nós fizemos, uma banca pelo Meet analisa sete pessoas por hora, e nós temos condições de avaliar entre 80 e 100 fotografias a cada mesma hora", ressaltou o diretor da Comvest, José Alves de Freitas Neto.
Veja abaixo detalhes sobre a abertura de inscrições do vestibular.
A resolução da Unicamp que instituiu a abertura da comissão de averiguação dispõe que ela usa exclusivamente o critério fenotípico para aferir a condição declarada pelo candidato à vaga reservada.
"Fenótipo define-se como o conjunto de características visíveis do indivíduo, predominantemente, a cor da pele, a textura do cabelo e o formato do rosto, as quais, combinadas ou não, permitirão validar ou invalidar a condição étnico-racial afirmada pelo candidato autodeclarado negro [preto ou pardo], para fins de matrícula na Unicamp", diz trecho.
Vantagens da medida
Segundo Freitas Neto, não é possível o candidato apresentar uma foto e, com isso, serão avaliadas pela universidade apenas imagens registradas pela Comvest. Entre as vantagens, avaliou, estão a qualidade da captação nos dois dias de prova, em ambiente com o mesmo tipo de iluminação e pelo mesmo equipamento, e a possibilidade de solucionar dificuldades de candidatos que precisam se preocupar com a conexão da internet ou em conciliar o horário com momento de eventual trabalho.
"Os candidatos que não tiverem informações suficientemente conclusivas participarão das etapas complementares da comissão de averiguação, tal como existiu nos dois anos anteriores. Nós temos esta etapa, ela é apenas afirmativa, então todos os candidatos que tiverem validação das características fenotípicas por parte da banca já estarão dispensados de ter que se submeter à nova apreciação via plataforma. Já os candidatos que tiverem alguma dúvida ou que não atendam aos critérios estabelecidos participarão da reunião. Ela [nova medida] não tem função de veto", falou.
Na edição 2022 do vestibular, 1.513 candidatos foram convocados para participar da averiguação. Deste total, 1 mil compareceram e, neste grupo, 91,9% tiveram as autodeclarações validadas.
"Nós tivemos na primeira chamada deste ano 444 optantes por cotas. Nós poderíamos dizer que teríamos, pegando também as 340 vagas para pretos e pardos [da modalidade que considera o desempenho nas provas do] Enem, 800 pessoas convocadas. Se reduzirmos para 400, significa que teremos um fluxo mais rápido de averiguação, inclusive para os candidatos, que têm validação e podem comemorar a vaga na univerisdade", destacou o diretor da Comvest.
A banca de averiguação será obrigatória para candidatos autodeclarados pretos e pardos inscritos exclusivamente na modalidade via Enem, que reserva total de 639 oportunidades na seguinte forma:
50% de cada curso ao segmento EP (escola pública)
25% de cada curso ao segmento PP (autodeclarado preto ou pardo)
25% de cada curso ao segmento EP + PPI (escola pública + autodeclarado preto ou pardo)
Por outro lado, quem se inscrever também para a disputa da modalidade tradicional, que totaliza 2.540 oportunidades na graduação, já terá a foto deste processo considerada na avaliação da Unicamp.
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'Inscrição dupla'
A Unicamp anunciou na manhã desta segunda-feira a liberação de uma "inscrição dupla" no Vestibular 2023 para estudantes que fizeram o ensino médio integralmente na rede pública. Segundo a comissão organizadora, eles podem participar da modalidade tradicional do exame, que está com inscrições abertas para todos os públicos, e também se candidatar para a modalidade que usa as notas no Enem como critério de seleção para vagas. Veja aqui mais detalhes.
Faça a inscrição no Vestibular 2023 da Unicamp aqui – prazo termina em 2 de setembro
Freitas Neto explicou que a abertura visa elevar a participação de candidatos da rede pública na modalidade Enem e, consequentemente, tentar ampliar o ingresso de estudantes com este perfil na universidade. Segundo ele, a expectativa é dobrar o número de inscritos.
No caso do vestibular tradicional, o candidato deve preencher um formulário até 2 de setembro, e ainda pagar uma taxa de R$ 192 caso não seja isento. As provas das duas fases serão aplicadas, respectivamente, em novembro e dezembro deste ano.
Caso um candidato não manifeste interesse no edital via Enem neste momento, ainda haverá uma "segunda chance" em novembro, quando a Unicamp abrirá o período de inscrições para todos os públicos, e não somente para candidatos oriundos da rede pública.
Vista da Unicamp, em Barão Geraldo, distrito de Campinas (SP)
Rafael Smaira/G1
Cronograma
Inscrições e pagamento: 1 de agosto a 2 de setembro, com pagamento até 9/9/2022;
Prova de habilidades específicas – música: entre setembro e outubro de 2022;
1ª fase: 6 de novembro de 2022;
2ª fase: 11 e 12 de dezembro de 2022;
Provas de habilidades específicas: 4 a 6 de janeiro de 2023;
Divulgação da primeira chamada: 6 de fevereiro de 2023;
Matrícula online da primeira chamada: 7 a 9 de fevereiro de 2023;
Obras literárias
A lista de obras literárias obrigatórias no vestibular 2023 é a mesma do exame anterior:
"Carta de Achamento do Brasil" – Pero Vaz de Caminha;
"Niketche – uma História de Poligamia" – Paulina Chiziane;
"Tarde" – Olavo Bilac;
"Bons dias" – Machado de Assis;
"Sonetos escolhidos" – Luís de Camões;
Sobrevivendo no inferno" – Racionais MC's;
"O seminário dos ratos" – Lygia Fagundes Telles (ficou de fora em 2021 após redução);
"O marinheiro" – Fernando Pessoa;
"A falência" – Júlia Lopes de Almeida;
"O ateneu" – Raul Pompeia;
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