Connect with us

G1

Sonecas podem ser um fator de risco para hipertensão

Pesquisa divulgada hoje pela Associação Americana do Coração alerta para possível relação entre o hábito e um pior quadro de saúde Estou antecipando a coluna que normalmente sai às terças por uma boa causa: acaba de ser liberada pesquisa da Associação Americana do Coração (American Heart Association), publicada na revista “Hypertension”, mostrando que o hábito de tirar uma soneca está associado ao risco aumentado para hipertensão e acidentes vasculares encefálicos, conhecidos popularmente como derrames. Este é o primeiro estudo a usar não apenas informações sobre indivíduos acompanhados por um longo período, mas também um tipo de método chamado randomização mendeliana. Pausa para explicação: trata-se de uma análise na qual variantes genéticas, associadas a uma determinada exposição – no caso, os cochilos – são utilizadas para investigar seu efeito sobre algum desfecho.
Pesquisa divulgada hoje pela Associação Americana do Coração alerta para possível relação entre o hábito de tirar uma ..

Published

on


Pesquisa divulgada hoje pela Associação Americana do Coração alerta para possível relação entre o hábito e um pior quadro de saúde Estou antecipando a coluna que normalmente sai às terças por uma boa causa: acaba de ser liberada pesquisa da Associação Americana do Coração (American Heart Association), publicada na revista “Hypertension”, mostrando que o hábito de tirar uma soneca está associado ao risco aumentado para hipertensão e acidentes vasculares encefálicos, conhecidos popularmente como derrames. Este é o primeiro estudo a usar não apenas informações sobre indivíduos acompanhados por um longo período, mas também um tipo de método chamado randomização mendeliana. Pausa para explicação: trata-se de uma análise na qual variantes genéticas, associadas a uma determinada exposição – no caso, os cochilos – são utilizadas para investigar seu efeito sobre algum desfecho.
Pesquisa divulgada hoje pela Associação Americana do Coração alerta para possível relação entre o hábito de tirar uma soneca e o risco aumentado para hipertensão
Thomas H. para Pixabay
“Os resultados são especialmente importantes uma vez que milhões de pessoas adotam tal hábito”, afirmou o líder do trabalho, E Wang, médico e professor do hospital universitário da Central South University, na China, que está entre as 100 melhores instituições de ensino da medicina no mundo. Os pesquisadores usaram o UK Biobank, com informações de mais de 500 mil indivíduos entre 40 e 69 anos que fornecem amostras de sangue, urina e saliva. Além dos dados genéticos e de saúde, todos respondem a questionários detalhados sobre seu estilo de vida.
Entre 2006 e 2019, foram realizados quatro levantamentos sobre cochilos ao longo do dia. Excluídos os registros dos que já apresentavam um quadro de hipertensão e/ou haviam sofrido um derrame, sobraram 360 mil perfis para serem analisados. Os pesquisadores procuravam uma associação entre o costume de dormir durante o dia e o primeiro relato dos problemas de saúde citados. Com este objetivo, criaram três conjuntos relacionados ao hábito: nunca ou raramente; às vezes; e com frequência. Três quartos dos participantes se mantiveram na mesma categoria. O que o estudo mostrou:
Um maior percentual de pessoas que tiravam um cochilo era composto de homens de menor grau de instrução e renda que também fumavam, bebiam durante o dia, sofriam de insônia e roncavam.
Se comparados com os que nunca tiravam uma soneca, os que tinham esse hábito apresentavam 12% mais chances de desenvolver um quadro de pressão alta e risco aumentado em 24% de sofrer um derrame.
Aqueles com menos de 60 anos que dormiam durante o dia manifestavam 20% mais chances de sofrer de hipertensão, se comparados com os da mesma idade sem esse hábito. Depois dos 60, a soneca estava vinculada a um risco 10% maior de hipertensão em relação aos que nunca cochilavam.
A randomização mendeliana mostrou que, entre uma categoria de frequência de sonecas para a outra, o risco crescia 40%. Quem cochilava mais tinha uma propensão genética atrelada à hipertensão.
“Embora tirar um cochilo não seja prejudicial, muita gente tem esse hábito por causa de dificuldades para dormir à noite, condição que está associada a um quadro pior de saúde. O estudo complementa outros achados que mostram que sonecas refletem um aumento de risco para problemas cardiovasculares”, afirmou Michael Grandner, professor da Universidade do Arizona, especialista em sono e coautor do guia “Life´s essential 8 cardiovascular health score” (“Oito métricas essenciais para a saúde cardiovascular”). Em junho, a Associação Americana do Coração adicionou o sono como o oitavo item para a pontuação que mede a saúde do coração e do cérebro.
Outra pesquisa liberada hoje acompanhou mais de 100 mil participantes durante 30 anos e reforça a relação entre um volume maior de atividade física e o aumento da expectativa de vida. A orientação atual da Associação Americana do Coração é de pelo menos 150 minutos de atividade aeróbica moderada por semana ou 75 minutos de intensidade vigorosa. Adultos que se exercitavam de duas a quatro vezes mais do que essa recomendação tinham uma redução entre 26% e 31% do risco de mortalidade em comparação com o padrão de 150 minutos de atividade moderada, e entre 21% e 23% em comparação com o padrão de intensidade vigorosa.

Continue Reading
Click to comment

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado.

G1

Já ouviu falar de depressão tardia? Descoberta de estudo da Unicamp pode auxiliar prevenção e tratamento

Pesquisa identificou que alterações em 75 proteínas do sangue têm relação com a doença. Enfermidade acomete pessoas com mais de 55 anos e é confundida com outras questões de saúde. Pesquisa da Unicamp identifica fatores que podem ajudar no diagnóstico da depressão tardia
Uma pesquisa da Unicamp identificou que a alteração nos índices de 75 proteínas presentes no sangue têm relação com a depressão tardia – doença que acomete pessoas com 55 anos ou mais. A descoberta pode prevenir a doença, ajudar no diagnóstico e também no tratamento da enfermidade.
Por afetar pessoas mais velhas, esse tipo de depressão pode ser confundida com outras questões de saúde, como menopausa ou alteração na tireoide, explica a psicóloga Ana Silvia Rennó.
Isso dificulta o diagnóstico. “Geralmente as pessoas tendem a olhar a causa física, deixando a causa emocional de lado”, informou Rennó.
Foi o que ocorreu com a aposentada Angélica Petry, que teve os sintomas associados à menopausa e só descobriu a depressão..

Published

on


Pesquisa identificou que alterações em 75 proteínas do sangue têm relação com a doença. Enfermidade acomete pessoas com mais de 55 anos e é confundida com outras questões de saúde. Pesquisa da Unicamp identifica fatores que podem ajudar no diagnóstico da depressão tardia
Uma pesquisa da Unicamp identificou que a alteração nos índices de 75 proteínas presentes no sangue têm relação com a depressão tardia – doença que acomete pessoas com 55 anos ou mais. A descoberta pode prevenir a doença, ajudar no diagnóstico e também no tratamento da enfermidade.
Por afetar pessoas mais velhas, esse tipo de depressão pode ser confundida com outras questões de saúde, como menopausa ou alteração na tireoide, explica a psicóloga Ana Silvia Rennó.
Isso dificulta o diagnóstico. "Geralmente as pessoas tendem a olhar a causa física, deixando a causa emocional de lado", informou Rennó.
Foi o que ocorreu com a aposentada Angélica Petry, que teve os sintomas associados à menopausa e só descobriu a depressão após a filha se esforçar para que ela pedisse ajuda.
"Eu tive pânico e daí era muita irritabilidade, muito choro. Um dia minha filha falou: 'mãe, chega. Vamos para um psiquiatra, vamos procurar um profissional, você precisa de ajuda'. No início eu resisti um pouco", admite.
"Depois que eu comecei a fazer tratamento, que tomo remédio até hoje, é outra qualidade de vida, sabe?", completa a aposentada.
As descobertas da Unicamp
Daniel Martins de Souza, pesquisador da Unicamp
Reprodução/EPTV
O estudo, que durou um ano e meio e acompanhou 50 pacientes, identificou nos portadores da depressão tardia a alteração nas 75 proteínas. Essas mudanças nas taxas não foram encontradas nas pessoas livres da doença.
"Nós coletamos sangue de pacientes com depressão tardia e a gente procurou alterações palpáveis, facilmente detectáveis no sangue dessas pessoas. Isso então pode ser um indicativo, pode ajudar num eventual diagnóstico dessa doença ou até predizer que alguém vai ter esse enfermidade", explicou o professor da Unicamp Daniel Martins de Souza.
"E também ajudar usando essas proteínas como alvos para novas terapias (tratamentos)", completou o pesquisador.
Estudo da Unicamp descobre proteínas ligadas à depressão tardia
Reprodução/EPTV
A pesquisa apontou, ainda, que seis dessas proteínas estão relacionadas com a forma mais grave da enfermidade.
"Em relação aos pacientes que não tinham depressão, elas estavam ou aumentadas ou diminuídas. Então dependendo do quão mais grave era essa depressão, a gente via que o nível dessas seis proteínas ou aumentava, ou diminuía proporcionalmente à gravidade", afirmou a pesquisadora da Unicamp, Lícia Costa.
Quais os próximos passos?
Com a descoberta das proteínas relacionadas à depressão, Daniel Martins de Souza analisa que é hora de se debruçar sobre os medicamentos que podem ajudar a equilibrar a taxa delas no sangue.
"Essas proteínas têm um papel biológico no organismo. Sabendo mais sobre a biologia da depressão tardia, esses resultados podem ser usados para reaproveitar eventuais medicamentos que toquem na produção dessas proteínas ou até no que a biologia que estas proteínas estão envolvidas".
VÍDEOS: destaques da região de Campinas

Veja mais notícias da região no g1 Campinas

Continue Reading

G1

O risco de Alzheimer precoce em pessoas com Síndrome de Down

Pacientes enfrentam processo de envelhecimento acelerado e casos de demência podem surgir entre os 35 e 40 anos Nos últimos anos, a médica norte-americana Tara Goodwin passou a se dedicar exclusivamente a pacientes adultos com Síndrome de Down. Membro da Global Down Syndrome Foundation, militante dos direitos desse grupo, e ela própria mãe de um filho portador da condição, uma de suas bandeiras é garantir a qualidade de vida dessas pessoas que enfrentam um risco aumentado para a Doença de Alzheimer.
Síndrome de Down: pessoas sofrem processo de envelhecimento acelerado e casos de demência podem surgir entre os 35 e 40 anos
Daniil Slavinski para Pixabay
Em 1904, a expectativa de vida de um paciente com Down era de 9 anos; em 1984, era de 28; hoje está em torno de 60 anos. O que mudou? Antes, eles não eram submetidos a procedimentos cirúrgicos, embora problemas como a cardiopatia congênita sejam frequentes em quem é portador da síndrome.
“Foi um enorme avanço que possibilitou o aumento ..

Published

on


Pacientes enfrentam processo de envelhecimento acelerado e casos de demência podem surgir entre os 35 e 40 anos Nos últimos anos, a médica norte-americana Tara Goodwin passou a se dedicar exclusivamente a pacientes adultos com Síndrome de Down. Membro da Global Down Syndrome Foundation, militante dos direitos desse grupo, e ela própria mãe de um filho portador da condição, uma de suas bandeiras é garantir a qualidade de vida dessas pessoas que enfrentam um risco aumentado para a Doença de Alzheimer.
Síndrome de Down: pessoas sofrem processo de envelhecimento acelerado e casos de demência podem surgir entre os 35 e 40 anos
Daniil Slavinski para Pixabay
Em 1904, a expectativa de vida de um paciente com Down era de 9 anos; em 1984, era de 28; hoje está em torno de 60 anos. O que mudou? Antes, eles não eram submetidos a procedimentos cirúrgicos, embora problemas como a cardiopatia congênita sejam frequentes em quem é portador da síndrome.
“Foi um enorme avanço que possibilitou o aumento da sua expectativa de vida, mas esses adultos sofrem com um envelhecimento acelerado e, aos 40 anos, têm problemas que afligem os idosos. O Alzheimer pode se manifestar entre 35 e 40 anos”, explicou a médica em evento on-line realizado em setembro. E por que isso acontece? A síndrome é uma alteração genética na qual, em vez de ter dois cromossomos no par 21, a pessoa tem três. Para complicar, o cromossomo 21 traz o gene da APP, a proteína precursora amiloide, que desempenha um papel crucial no Alzheimer: ela se transforma na proteína beta-amiloide, que pode se agrupar em placas que causam danos ao cérebro. Resumindo: o risco aumentado está atrelado ao fato de carregarem três cromossomos 21.
A médica Tara Goodwin, membro da Global Down Syndrome Foundation
Divulgação
No entanto, a doutora Tara alerta que o diagnóstico para Alzheimer tem que ser por exclusão e que há outras condições médicas associadas à Síndrome de Down a serem checadas antes, porque também provocam mudanças de comportamento, como hipotireoidismo, apneia do sono, perda auditiva ou visual: “a perda de audição, por exemplo, pode ser confundida com desorientação. Entre os sintomas de disfunção da tireoide estão fadiga, lentidão de raciocínio e irritabilidade, mas o tratamento correto resolve essas questões”. Há ainda testes indicados para quem apresenta um quadro de prejuízo intelectual e sua orientação é de que devem ser feitos entre os 35 e 40 anos e repetidos anualmente.
Na sua avaliação, os medicamentos para ansiedade, depressão e insônia podem esbarrar em efeitos colaterais severos: “a polifarmácia é especialmente perigosa para esse grupo”. Valoriza as intervenções não medicamentosas e, para diminuir a angústia que se abate sobre as pessoas com demência – porque perdem a noção do que está acontecendo – sugere um grande quadro com a agenda do dia: “com uma lista das atividades que pode ser consultada a qualquer momento, a rotina se torna mais previsível e menos assustadora”.
Contou que já viu casos de pacientes medicados com antipsicóticos porque falavam sozinhos, um comportamento bastante comum entre os portadores da síndrome: “é uma forma de lidar com o estresse e resolver as dificuldades do dia a dia”. Para quem se interessar, o guia criado pela National Down Syndrome Society é encontrado neste link.

Continue Reading

G1

As dicas de terapeutas de família para ‘consertar’ relações destruídas pela briga política

Desavenças relacionadas às eleições de 2022, por exemplo, podem ser aliviadas com boas doses de paciência e investimento numa relação de respeito à diferença, apontam os psicólogos. Devemos acabar com o conceito de uma família idealizada e sem divergências, apontam psicólogos
Getty Images via BBC
Para muitos brasileiros, a escolha dos próximos governantes trouxe um efeito colateral importante: o rompimento de laços com familiares e amigos que têm uma visão política oposta.
Mas será que existem maneiras de resgatar essas relações?
Terapeutas ouvidos pela BBC News Brasil destacam que, sim, as eleições até podem ser um elemento de ruptura, mas é possível restaurar a proximidade com boas doses de paciência, boa vontade e diálogo.
Para o psicanalista Christian Dunker, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), o primeiro passo está em deixar de lado aquela ideia de que as famílias são perfeitas.
“Muita gente enxerga a família como um lugar de santificação. Pre..

Published

on


Desavenças relacionadas às eleições de 2022, por exemplo, podem ser aliviadas com boas doses de paciência e investimento numa relação de respeito à diferença, apontam os psicólogos. Devemos acabar com o conceito de uma família idealizada e sem divergências, apontam psicólogos
Getty Images via BBC
Para muitos brasileiros, a escolha dos próximos governantes trouxe um efeito colateral importante: o rompimento de laços com familiares e amigos que têm uma visão política oposta.
Mas será que existem maneiras de resgatar essas relações?
Terapeutas ouvidos pela BBC News Brasil destacam que, sim, as eleições até podem ser um elemento de ruptura, mas é possível restaurar a proximidade com boas doses de paciência, boa vontade e diálogo.
Para o psicanalista Christian Dunker, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), o primeiro passo está em deixar de lado aquela ideia de que as famílias são perfeitas.
"Muita gente enxerga a família como um lugar de santificação. Precisamos encará-la de uma forma mais humana, onde as pessoas cometem erros e são capazes de se desculpar e voltar atrás", diz.
O especialista entende que o seio familiar nunca foi um lugar de serenidade e concordância, mas, sim, de conflitos.
"Por que será que todo mundo fica receoso antes da festa de Natal? Nós sabemos que ali, quando todos os parentes estiverem reunidos, surgirão conversas desagradáveis, ressentimentos antigos, histórias não resolvidas…", lista.
"Nas fotos, até parece que todos se dão bem, mas sabemos no fundo que se trata de um barril de pólvora recheado de ciúmes, invejas, traições, dificuldades conjugais e disputas geracionais", complementa.
Dunker também destaca que dois acontecimentos recentes no Brasil influenciaram a forma como lidamos com pessoas próximas: a votação presidencial de 2018 e a pandemia de Covid-19.
"Há quatro anos, as eleições nos pegaram de surpresa e não estávamos preparados para lidar com tantas posições extremadas. Com isso, muitas brigas e rupturas aconteceram", analisa.
"Dois anos depois, tivemos a pandemia, em que a necessidade de ficar em isolamento em casa reforçou a importância dos laços sociais e da interação com o outro."
Na visão do psicanalista, esses dois eventos antagônicos fizeram com que as pessoas criassem maneiras de manter certas relações e ignorar comportamentos ou posições políticas contrárias.
"A gente vê mais claramente agora o papel das 'tias do deixa disso', que são aquelas figuras que intervém nos debates antes que eles se transformem em brigas", observa o professor da USP.
Mas será que esse pacto de silêncio é suficiente para evitar males maiores?
Pandemia reforçou a importância das conexões sociais, analisam especialistas
Getty Images via BBC
Relações exigem empenho
Para a psicóloga Paula Regina Peron, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), jogar a sujeira para debaixo do tapete até evita conflitos no momento, mas pode postergar ou até ampliar problemas futuros.
"O que fica sem conversar na hora se torna difícil de falar depois", acredita.
"Se você deixa passar todos os incômodos que aparecem, isso só aumenta as dificuldades na relação entre as pessoas", conta.
A recomendação dela, portanto, é sempre buscar o diálogo, às vezes até com a ajuda de um mediador neutro, ou alguém que conte com o respeito de todas as partes envolvidas no conflito.
"Sempre vai ter aquele parente mais bem humorado, que consegue acalmar os ânimos ou julgar a situação de forma imparcial, apontando os erros de um e de outro", observa Peron.
A professora da PUC-SP lembra que qualquer relação entre dois indivíduos depende de um investimento mútuo.
"As pessoas precisam se empenhar para estabelecer e fortalecer os laços. Sem o interesse das partes envolvidas, isso não se mantém."
Nessas horas, outro exercício relevante é pensar em duas questões-chave. Em primeiro lugar, quais são aqueles que você realmente gosta e quer ter por perto? Segundo, quais são as visões de mundo e posicionamentos políticos inegociáveis para conviver com alguém?
"Nem sempre a família consanguínea é a mais saudável para um sujeito. Ele pode encontrar o apoio e a intimidade em outros grupos", lembra Peron.
"E há situações em que as diferenças são tão disruptivas que o melhor a ser feito é nem reconstruir certos laços", acrescenta.
A psicóloga chama a atenção para o fato de as famílias representarem, num plano limitado, as relações sociais de poder típicas do próprio país.
"A família não costuma ser uma ilha isolada do resto da cultura do lugar onde a gente vive", explica.
"Por isso vemos que muitos desses grupos reproduzem o racismo, o machismo e outras intolerâncias."
Dunker concorda. "A família pode ser o espaço em que os racismos se reforçam ou são tratados e resolvidos."
Viva as diferenças
Nos casos em que as discordâncias não são tão dramáticas assim e é possível pensar em curar as feridas abertas, uma saída envolve entender que é normal as pessoas pensarem de forma diferente.
"Esse é um bom momento para a família refletir sobre as diferenças e, se os conflitos não forem fundamentais, abrir espaço para negociações", sugere Peron.
"O grupo inteiro pode crescer com essa experiência, ao entender que não há necessidade de um pensamento homogêneo em tudo", acredita.
Pensar em quais relações você realmente quer manter é um dos passos para reatar laços e curar feridas emocionais
Getty Images via BBC
Dunker também aponta que pode ser uma boa separar a política pública da vida privada.
"Muitas vezes, usamos os candidatos como uma maneira de extravasar frustrações e conflitos que vêm desde a infância", destaca.
"Uma maneira de evitar as brigas agora é reforçar os sentimentos de urbanidade, da educação e do bom trato entre as pessoas, mesmo com aquelas que você discorda", diz.
Dentro desse contexto, dar tempo ao tempo é outra medida sensata.
"Não adianta ficar forçando uma relação que foi desgastada e nem tudo precisa ser dito no calor da hora", afirma o professor da USP.
"Pode ser necessário esperar mais um tempinho até que a temperatura esfrie e você consiga estabelecer um diálogo novamente."
Ainda dentro dessa questão, a forma como vencedores e perdedores vão se comportar durante as próximas semanas pode ser absolutamente decisiva.
"Aprender a ganhar e a perder é uma tarefa básica da educação que nossa sociedade parece ter esquecido", pontua Dunker.
"Na história brasileira, o lado vitorioso costuma usar o sarcasmo e a humilhação como ferramentas diante do derrotado."
E isso, por sua vez, gera uma reação de vingança, raiva e rancor entre quem perdeu.
Dunker também lembra que, não raro, o derrotado não aceita os resultados ou não consegue admitir os erros que foram cometidos durante o processo — e isso cria instabilidades e tensões permanentes, que prejudicam os relacionamentos e até o desenvolvimento do país.
"Pode até parecer um clichê, mas só ganha no futuro quem aprende a perder no presente."
Por fim, Peron lembra que cada família tem uma dinâmica própria e, por mais que as recomendações e dicas ajudem, é preciso analisar caso a caso.
"As eleições podem até fazer com que os familiares evidenciem diferenças e rompam relações", admite.
"Mas precisamos lembrar que dependemos uns dos outros e tudo fica mais difícil quando estamos completamente sozinhos", conclui.
– Esse texto foi publicado originalmente em https://www.bbc.com/portuguese/brasil-63096035

Continue Reading

G1

Carta para os meus netos

Um dia especial como hoje é uma boa oportunidade para se falar de valores que devem nos acompanhar durante a vida Queridos Gabriel e Sophie:
Embora a palavra queridos seja modestíssima para descrever meus sentimentos em relação a vocês, tentarei me conter para esta carta não se limitar a excessos amorosos de avó. Hoje é um dia importante e, apesar de ainda não significar muito para os dois, terá lugar de destaque nas aulas de História e em breve ambos estudarão o que está acontecendo. Portanto, trata-se de uma boa oportunidade para compartilhar valores que devem acompanhá-los durante a vida, porque a missão que cabe a cada um de nós é transformar o mundo num lugar melhor: sem preconceitos, sem fanatismo, com oportunidades para todos.
Carta para Sophie e Gabriel: sejam livres para viver a vida em seus próprios termos, mas sempre respeitando os outros
Acervo pessoal
Em primeiro lugar, sejam livres para viver a vida em seus próprios termos, seguindo seus sonhos e paixões, mas sempre resp..

Published

on


Um dia especial como hoje é uma boa oportunidade para se falar de valores que devem nos acompanhar durante a vida Queridos Gabriel e Sophie:
Embora a palavra queridos seja modestíssima para descrever meus sentimentos em relação a vocês, tentarei me conter para esta carta não se limitar a excessos amorosos de avó. Hoje é um dia importante e, apesar de ainda não significar muito para os dois, terá lugar de destaque nas aulas de História e em breve ambos estudarão o que está acontecendo. Portanto, trata-se de uma boa oportunidade para compartilhar valores que devem acompanhá-los durante a vida, porque a missão que cabe a cada um de nós é transformar o mundo num lugar melhor: sem preconceitos, sem fanatismo, com oportunidades para todos.
Carta para Sophie e Gabriel: sejam livres para viver a vida em seus próprios termos, mas sempre respeitando os outros
Acervo pessoal
Em primeiro lugar, sejam livres para viver a vida em seus próprios termos, seguindo seus sonhos e paixões, mas sempre respeitando os outros. Somente quem não tem apreço pela liberdade acha que é preciso silenciar quem pensa diferente.
Ponham sua energia e seu coração no que decidirem fazer, porque ter um propósito nos alimenta e permite que sigamos em frente mesmo quando encontramos obstáculos – e haverá um monte deles! Não se sintam obrigados a fazer uma única escolha: hoje em dia vivemos muito e podemos atuar em diferentes atividades e profissões.
Somos parte do meio ambiente e temos o compromisso de preservar a natureza, que é tão generosa com os habitantes do nosso planeta azulzinho.
Por último: vocês não são meus leitores, mas sou uma avó que escreve sobre longevidade. Para quem tem 11 e 5 anos, parece meio ficção científica, mas crianças sortudas viram adolescentes, depois adultos e velhos. Vamos aos “segredinhos” para trilhar esse caminho:
Cuidem da saúde, ela é um bem precioso. A lista de cuidados nem é tão grande assim: brinquem bastante ao ar livre e, quando crescerem, não parem, há diversas atividades físicas divertidas. A comida tem que continuar sendo colorida, com grãos, legumes, frutas. Não fumem. Bebam apenas para brindar em ocasiões felizes. Durmam o tempo necessário para descansar corpo e mente, sem o celular piscando ao lado da cama.
Cerquem-se de pessoas que vocês amam e que os amem de volta: este círculo de amizade e apoio vai ser fundamental nas horas difíceis. Não esqueçam de rir muito!
Alimentem a curiosidade: aprender é bacana em qualquer idade. Depois da escola e da universidade, virão outros cursos que trarão conhecimento, novos amigos e horizontes. Se fosse diferente, não seria um tédio?
Sabe quando seu pai diz que dinheiro não nasce em árvore? Parece bizarro (todo mundo sabe disso!), mas ele quer ensinar uma lição: precisamos aprender a poupar não apenas para comprar algo ou viajar, mas para ter uma reserva para daqui a uns 60 anos…

Continue Reading

G1

Câncer: por que a comunicação entre médico e paciente é fundamental

Tema foi destaque do II Congresso Luso-Brasileiro de Psico-oncologia, que reuniu especialistas dos dois países Um dos destaques do II Congresso Luso-Brasileiro de Psico-oncologia, realizado virtualmente nos dias 23 e 24, foi a comunicação entre médico e paciente. Coube ao oncologista Ricardo Caponero, do Hospital Oswaldo Cruz, dar a dimensão da sua relevância numa doença tão associada a más notícias. Em sua palestra, salientou como a formação médica é falha neste aspecto, a ponto de a Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco em inglês) ter lançado documento com as diretrizes para orientar os profissionais.
O médico oncologista Ricardo Caponero: “tenho que conhecer a biografia do paciente e respeitar sua autonomia”
Divulgação
“A comunicação se dá desde o primeiro contato e é um processo contínuo, e não pontual. É preciso estabelecer uma semântica comum: avaliar o que o paciente sabe, perguntar o que ele quer saber, determinar o volume de informação para aquele momento. Falar não ..

Published

on


Tema foi destaque do II Congresso Luso-Brasileiro de Psico-oncologia, que reuniu especialistas dos dois países Um dos destaques do II Congresso Luso-Brasileiro de Psico-oncologia, realizado virtualmente nos dias 23 e 24, foi a comunicação entre médico e paciente. Coube ao oncologista Ricardo Caponero, do Hospital Oswaldo Cruz, dar a dimensão da sua relevância numa doença tão associada a más notícias. Em sua palestra, salientou como a formação médica é falha neste aspecto, a ponto de a Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco em inglês) ter lançado documento com as diretrizes para orientar os profissionais.
O médico oncologista Ricardo Caponero: “tenho que conhecer a biografia do paciente e respeitar sua autonomia”
Divulgação
“A comunicação se dá desde o primeiro contato e é um processo contínuo, e não pontual. É preciso estabelecer uma semântica comum: avaliar o que o paciente sabe, perguntar o que ele quer saber, determinar o volume de informação para aquele momento. Falar não causa dano, o que causa é a forma”.
Ele recomendou a utilização da plataforma Vital Talks, que ensina como abordar questões relacionadas com doenças graves, como ferramenta para melhorar as habilidades dos profissionais. Na sua opinião, um dos problemas mais comuns é focar apenas a doença: “tenho que conhecer a biografia do paciente e respeitar sua autonomia”.
Caponero compartilhou dados de pesquisas para embasar sua apresentação. Uma delas descrevia como o momento do diagnóstico deflagra uma crise traumática e, embora a pessoa possa parecer tranquila, por dentro está vivendo um terremoto e às vezes nem sequer registra o que está sendo dito. “Três meses após o diagnóstico, 100% admitiram ter sofrido um choque profundo, 50% disseram ter recebido pouca ou nenhuma informação e 17% negaram que a conversa tivesse ocorrido”, relatou, acrescentando que cabe ao médico trabalhar para a redução do estresse do paciente: “ansiedade e depressão concorrem para um desfecho desfavorável”.
A psiquiatra Susana Almeida, professora da Faculdade de Medicina do Porto, afirmou que as várias fases da doença oncológica – pré-diagnóstico, diagnóstico, tratamento inicial, pós-tratamento, recorrências, doença progressiva, fase terminal – implicam tarefas e desafios diferentes que demandam a atenção do profissional de saúde:
“O sofrimento em geral melhora quando o doente entra numa fase ativa do tratamento e sente que recupera algum controle sobre a situação. A sociedade também tende a exigir que o paciente mantenha uma atitude positiva, expectativa que pode gerar culpa ou vergonha”.
Ela ressaltou que, quando o tratamento inicial termina, as pessoas se tornam hiper-vigilantes em relação a eventuais sinais de recidiva: “é importante normalizar essa ansiedade e entender que ela não é patológica. O indivíduo vinha lidando com uma ameaça concreta, é impossível fazer um ‘reset’ de uma hora para a outra”.
A advogada Luciana Dadalto, doutora em ciências da saúde pela Faculdade de Medicina da UFMG e uma referência em testamento vital, defendeu a criação de uma lei voltada para os direitos do paciente: “temos que nos basear nas leis existentes, como a Constituição e até o Código de Defesa do Consumidor”. Criticou o que chamou de “conspiração do silêncio" numa sociedade que se nega a falar sobre a finitude humana. “Quando surge a pergunta: ‘e se o tratamento curativo não der certo?’, a resposta normalmente é que essa conversa não é para agora. Na verdade, temos que desabilitar a ‘máquina’ que ‘apita’ quando uma pessoa entra num hospital e que a despe da sua identidade e autonomia”, enfatizou.
A psicóloga Fabiana Caron, presidente da Sociedade Brasileira de Psico-Oncologia
Acervo pessoal
O evento foi organizado pela Sociedade Brasileira de Psico-Oncologia (SBPO) e Fabiana Caron, presidente da entidade, lamenta que o Conselho Federal de Psicologia não reconheça a especialidade da psico-oncologia: “assim como os médicos passam por uma residência para conseguir a especialização na área, o mesmo deveria ocorrer para os psicólogos. Sem uma formação adequada, é maior a dificuldade para tecer a rede de cuidados de que o paciente precisa”. Ela ainda alerta para a necessidade de que os psiquiatras tenham uma visão mais profunda da psico-oncologia, uma vez que protocolos como a quimioterapia interagem com psicotrópicos.

Continue Reading

G1

Fraturas de quadril vão dobrar até 2050

Pesquisadores alertam que é preciso investir na prevenção e que uma proporção maior de homens será afetada pelo problema A fratura de quadril caminha para se tornar uma severa questão de saúde pública global à medida que a população envelhece e fica mais frágil. Pesquisadores da Universidade de Hong Kong analisaram dados de pacientes de 19 países, com 50 anos ou mais, que haviam sofrido fratura entre 2005 e 2008. Com base nas informações disponíveis, a projeção é de que, em 2050, esse número dobre, com uma proporção maior de homens sendo afetados pelo problema.
A fratura de quadril caminha para se tornar uma severa questão de saúde pública global à medida que a população envelhece e fica mais frágil
Anja#pray para Pixabay
O estudo, apresentado no encontro anual da Sociedade Americana de Pesquisa Óssea e Mineral no começo do mês, sugere algumas razões possíveis para a diferença entre os sexos. Uma delas é o aumento da expectativa de vida masculina que, em 2050, chegará a 75 anos em te..

Published

on


Pesquisadores alertam que é preciso investir na prevenção e que uma proporção maior de homens será afetada pelo problema A fratura de quadril caminha para se tornar uma severa questão de saúde pública global à medida que a população envelhece e fica mais frágil. Pesquisadores da Universidade de Hong Kong analisaram dados de pacientes de 19 países, com 50 anos ou mais, que haviam sofrido fratura entre 2005 e 2008. Com base nas informações disponíveis, a projeção é de que, em 2050, esse número dobre, com uma proporção maior de homens sendo afetados pelo problema.
A fratura de quadril caminha para se tornar uma severa questão de saúde pública global à medida que a população envelhece e fica mais frágil
Anja#pray para Pixabay
O estudo, apresentado no encontro anual da Sociedade Americana de Pesquisa Óssea e Mineral no começo do mês, sugere algumas razões possíveis para a diferença entre os sexos. Uma delas é o aumento da expectativa de vida masculina que, em 2050, chegará a 75 anos em termos globais – e essa é uma idade na qual o risco cresce. De acordo com Ching-Lung Cheung, professor do departamento de farmacologia e farmácia da universidade, um outro aspecto deve ser levado em conta: “a osteoporose tem sido subdiagnosticada entre os homens. O uso de medicamentos para combater a osteoporose masculina depois de uma fratura de quadril é muito menor, numa proporção entre 30% e 67% abaixo do que é empregado para as mulheres”.
Na osteoporose, há uma diminuição da massa óssea, o que deixa os ossos mais frágeis e predispostos a fraturas. O risco aumenta depois da menopausa e também para os homens, a partir dos 50 anos. Histórico familiar, sofrer de artrite reumatoide, fumar e beber em excesso contribuem para o quadro.
Os países que tiveram maior declínio no número de fraturas foram Dinamarca, Singapura e Hong Kong, enquanto o maior número ocorreu na Holanda e Coreia do Sul. O melhor desempenho para lidar com a questão se deve, segundo os pesquisadores, a um conjunto de fatores: conscientização das pessoas sobre como manter a saúde dos ossos, monitoramento adequado de quem apresenta um quadro de osteoporose e cuidados depois de uma fratura. “Programas de prevenção de quedas e orientações clínicas claras para o atendimento e acompanhamento dos pacientes têm feito muita diferença”, avaliou Chor-Wing Sing, coautor do trabalho. Ele citou um estudo feito em Hong Kong mostrando que a diminuição de casos estava diretamente associada ao fato de mulheres acima dos 50 anos terem se tornado mais ativas fisicamente e adeptas de musculação.

Continue Reading

G1

E quando o declínio cognitivo é do médico?

Em artigo, professora de direito afirma que é preciso discutir como avaliar se o desempenho de um profissional da saúde está sendo afetado Médicos mais velhos se beneficiam de sua longa experiência e das habilidades que desenvolveram ao longo de décadas de prática. Ao mesmo tempo, à medida que o tempo passa, aumenta o risco de declínio cognitivo – que não é exclusividade de pacientes – impactando seu desempenho e tomada de decisões. O comprometimento cognitivo pode afetar seriamente a performance de um profissional da saúde ao causar lapsos de memória, redução da atenção e da capacidade de resolver problemas. Como lidar com a questão? Cabe ao conselho dos hospitais desenvolver formas de monitoramento e tomar algum tipo de atitude? Há limites éticos e morais para essas ações? Esse foi o teor do artigo da advogada Sharona Hoffman, professora de direito e bioética da Case Western Reserve University, publicou no “Journal of Medical Regulation”.
O Colégio Americano de Cirurgiões lançou, em ..

Published

on


Em artigo, professora de direito afirma que é preciso discutir como avaliar se o desempenho de um profissional da saúde está sendo afetado Médicos mais velhos se beneficiam de sua longa experiência e das habilidades que desenvolveram ao longo de décadas de prática. Ao mesmo tempo, à medida que o tempo passa, aumenta o risco de declínio cognitivo – que não é exclusividade de pacientes – impactando seu desempenho e tomada de decisões. O comprometimento cognitivo pode afetar seriamente a performance de um profissional da saúde ao causar lapsos de memória, redução da atenção e da capacidade de resolver problemas. Como lidar com a questão? Cabe ao conselho dos hospitais desenvolver formas de monitoramento e tomar algum tipo de atitude? Há limites éticos e morais para essas ações? Esse foi o teor do artigo da advogada Sharona Hoffman, professora de direito e bioética da Case Western Reserve University, publicou no “Journal of Medical Regulation”.
O Colégio Americano de Cirurgiões lançou, em 2016, documento que enfatiza a necessidade de que os membros avaliem suas funções neurocognitivas
Debora Alves para Pixabay
Samantha já havia escrito “Cognitive decline and the workplace” (“Declínio cognitivo e o ambiente de trabalho”), onde abordava as barreiras legais para a implantação de testes. No entanto, fazia a ressalva de que, em diversas atividades – quase todas ligadas a questões de segurança – há uma idade de aposentadoria compulsória. É o caso de bombeiros, pilotos e controlares aéreos, por exemplo. Depois de destacar que, apesar do envelhecimento da população, o problema ainda não ganhou a atenção do meio jurídico, sua sugestão é de que programas de monitoramento de profissionais idosos sejam construídos com cuidado e sensibilidade.
Nos Estados Unidos, país onde a discussão vem ganhando destaque, mais de 15% dos médicos têm idade superior a 65 anos. Se levarmos em conta que o risco de Alzheimer dobra a cada cinco anos depois dos 65 e que quase um terço das pessoas acima dos 85 tem a doença, não se trata de um debate fútil. Entre 2016 e 2019, o Yale New Haven Hospital, em Connecticut, submeteu 141 profissionais com mais de 70 anos a testes. A maioria (125) era composta por médicos, mas também havia enfermeiros, dentistas e psicólogos. A instituição descobriu que 18 deles, o equivalente a 12.7% da equipe, apresentavam algum tipo de déficit cognitivo que poderia impactar negativamente suas funções.
Em Ontário, no Canadá, uma análise realizada entre médicos descobriu que 22% dos profissionais acima dos 75 anos tinham dificuldades cognitivas; na faixa entre 50 e 75, o índice baixava para 14%. O Colégio Americano de Cirurgiões lançou, em 2016, um documento sobre o envelhecimento que enfatiza a necessidade de que os membros avaliem suas funções neurocognitivas através de ferramentas on-line que garantirão a privacidade da consulta, compartilhando qualquer achado preocupante com seus pares no ambiente de trabalho.

Continue Reading

G1

Políticas públicas para a velhice: o que se espera do próximo governo

A pouco mais de uma semana do Dia Internacional da Pessoa Idosa, candidatos não têm se manifestado sobre esse segmento da população Em 1º. de outubro, comemora-se o Dia Internacional da Pessoa Idosa. Será a véspera do primeiro turno das eleições, por isso aproveito para tratar de uma questão que vem sendo relegada ao segundo (ou seria quinto?) plano: as políticas públicas voltadas para o envelhecimento ativo dos cidadãos. Não estou sozinha na empreitada. Pedi a contribuição de estudiosos do assunto e começo pelo médico e gerontólogo Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil (ILC-BR), que também dirigiu o Departamento de Envelhecimento e Curso de Vida da Organização Mundial da Saúde. “Há 35 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais e estamos envelhecendo num cenário de enorme desigualdade”, analisa, propondo cinco eixos de ação:
Políticas públicas centradas numa perspectiva de direitos para o grupo que mais cresce no país e alinhadas com o compromisso ..

Published

on


A pouco mais de uma semana do Dia Internacional da Pessoa Idosa, candidatos não têm se manifestado sobre esse segmento da população Em 1º. de outubro, comemora-se o Dia Internacional da Pessoa Idosa. Será a véspera do primeiro turno das eleições, por isso aproveito para tratar de uma questão que vem sendo relegada ao segundo (ou seria quinto?) plano: as políticas públicas voltadas para o envelhecimento ativo dos cidadãos. Não estou sozinha na empreitada. Pedi a contribuição de estudiosos do assunto e começo pelo médico e gerontólogo Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil (ILC-BR), que também dirigiu o Departamento de Envelhecimento e Curso de Vida da Organização Mundial da Saúde. “Há 35 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais e estamos envelhecendo num cenário de enorme desigualdade”, analisa, propondo cinco eixos de ação:
Políticas públicas centradas numa perspectiva de direitos para o grupo que mais cresce no país e alinhadas com o compromisso com a “Década do Envelhecimento Saudável” (2021-2030) da OMS;
Fortalecimento do SUS e investimento no campo da gerontecnologia para promover a saúde e gerar empregos;
Representatividade dos mais velhos nas discussões políticas através da sua participação em conselhos e estímulo a estados e municípios para ampliar a rede de cidades amigas da pessoa idosa;
Programas de incentivo que garantam proteção social, aprendizado contínuo e acesso ao mercado de trabalho para os idosos;
Combate à discriminação etária, dando visibilidade à diversidade das velhices.
Políticas públicas para o envelhecimento ativo: distância entre o marco legal e o Brasil real
Daniel Nebreda para Pixabay
Para a economista Ana Amelia Camarano, pesquisadora da Diretoria de Estudos Sociais do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, a pandemia escancarou a falta de políticas de cuidado: “quem está cuidando e quem vai cuidar? Essa é a pergunta que deve ser respondida, porque está entrelaçada com a geração de empregos, principalmente de mulheres”. Começa pelas crianças para chegar aos idosos, afirmando que dois terços das que nascem pertencem a famílias pobres. A mãe não trabalha fora porque tem que cuidar, perpetuando o ciclo de pobreza, ao passo que uma política de creches garantiria renda para esta mulher e mais condições de desenvolvimento para seus filhos.
“O cuidador familiar é quase sempre uma esposa ou uma filha. Em 2013, fiz uma estimativa de que há um milhão de mulheres nessa posição. Elas precisam ser remuneradas e devemos inseri-las no sistema de previdência social, ou estarão diante de uma perspectiva de precariedade até o fim da vida”, diz.
A geriatra Karla Giacomin, coordenadora da Frente Nacional de Fortalecimento à ILPI e vice-presidente do ILC-BR, declara que as instituições de longa permanência são apenas a “ponta do iceberg” da falta de uma política de cuidados. Defende que o pagamento e o cofinanciamento das ILPIs têm que ser uma responsabilidade tripartite: municipal, estadual e federal: “hoje, com exceção das de alta renda, as famílias têm que escolher entre trabalhar ou cuidar do idoso”. Avalia que assistimos ao desmonte das políticas de saúde coletiva: “as intervenções do governo são indispensáveis para mudanças relevantes como a redução do tabagismo, da ingestão de sal ou da melhoria da merenda escolar”.
“Temos que proteger os que envelhecem precariamente e garantir que o maior número de pessoas consiga envelhecer sem precisar de cuidados. As duas coisas não se excluem, são complementares. Sabemos que 35% dos casos de demência podem ser evitados com ações de educação para a adoção de um estilo de vida saudável. No entanto, além de informação, as pessoas precisam de meios para se exercitar, se alimentar bem, cuidar da visão, da audição, da pressão”.
Marília Berzins, doutora em saúde pública e presidente do Observatório da Longevidade Humana e Envelhecimento, é assertiva: “temos um marco legal e um Brasil real, que está muito longe de oferecer o conjunto de políticas já estabelecidas”. Defende o fortalecimento do Sistema Único de Assistência Social para oferecer uma rede de proteção: “nem sabemos ao certo quantas ILPIs há no país e a maioria é de filantrópicas, principalmente religiosas. Vem crescendo o número de particulares, mas as públicas são raríssimas. Quando se fala de centros-dia, na cidade de São Paulo não chegam a 25 e cada um dispõe de apenas 30 vagas por período, manhã ou tarde. Também é preciso criar unidades de referência de saúde da pessoa idosa e investir em estratégias inovadores para o cuidado”.
Uma de suas bandeiras é o reconhecimento da profissão de cuidador, cuja regulamentação foi vetada pelo presidente Jair Bolsonaro: “essa mão de obra é fundamental, tem que ser bem preparada e valorizada”. Lembra ainda que o SUS precisa ofertar uma política nacional de cuidados: “os jovens têm prioridade nos aparelhos auditivos, que são da maior importância para prevenir a demência de idosos, e o mesmo acontece com a reabilitação”.

Continue Reading

G1

O que você pode aprender com cinco pesquisas sobre fatores de risco para o coração

Novos estudos ratificam a importância de dormir bem, adotar uma dieta saudável e prestar atenção redobrada aos problemas cardiovasculares femininos Fibrilação atrial feminina: doenças coronarianas são a principal causa de morte entre mulheres e uma em cada quatro desenvolve fibrilação atrial – o que aumenta as chances de um derrame. Diabetes e tabagismo são mais perigosos para o sexo feminino e a hipertensão tende a ser mais prevalente e menos controlada entre idosas. Some-se a isso o fato de as mulheres vivenciarem experiências como a gravidez e a menopausa, com grandes mudanças hormonais. Resultado: fatores de risco específicos de gênero vêm ganhando atenção dos pesquisadores. A fibrilação atrial é uma das condições nas quais as questões reprodutivas acendem um sinal amarelo. Cientistas britânicos usaram dados do UK Biobank e examinaram o papel de características como: idade da primeira menstruação e da menopausa, regularidade do ciclo menstrual, nascimento do primeiro filho, número ..

Published

on


Novos estudos ratificam a importância de dormir bem, adotar uma dieta saudável e prestar atenção redobrada aos problemas cardiovasculares femininos Fibrilação atrial feminina: doenças coronarianas são a principal causa de morte entre mulheres e uma em cada quatro desenvolve fibrilação atrial – o que aumenta as chances de um derrame. Diabetes e tabagismo são mais perigosos para o sexo feminino e a hipertensão tende a ser mais prevalente e menos controlada entre idosas. Some-se a isso o fato de as mulheres vivenciarem experiências como a gravidez e a menopausa, com grandes mudanças hormonais. Resultado: fatores de risco específicos de gênero vêm ganhando atenção dos pesquisadores. A fibrilação atrial é uma das condições nas quais as questões reprodutivas acendem um sinal amarelo. Cientistas britânicos usaram dados do UK Biobank e examinaram o papel de características como: idade da primeira menstruação e da menopausa, regularidade do ciclo menstrual, nascimento do primeiro filho, número de gestações que chegaram a termo e total de anos reprodutivos. Com informações de mais de 235 mil mulheres, o estudo mostrou que a menarca que ocorre cedo ou muito tarde; menstruações irregulares; nenhuma ou múltiplas gestações; ou menopausa precoce ou tardia geram um risco significativamente maior de fibrilação atrial e demandam monitoramento.
Nove entre dez pessoas sofrem com noites maldormidas e, de acordo com pesquisa da Sociedade Europeia de Cardiologia, o sono de má qualidade está associado a um risco maior de doença cardiovascular
Pixabay
Quem dorme diminui o risco de doença coronariana: nove entre dez indivíduos sofrem com noites maldormidas e, de acordo com pesquisa recente da Sociedade Europeia de Cardiologia, o sono de má qualidade está associado ao risco aumentado de doença cardiovascular e acidente vascular encefálico (derrame). Os autores do trabalho estimam que sete em cada dez casos poderiam ser evitados se as pessoas dormissem melhor. Para piorar, outro estudo afirma que não dormir bem nos torna mais egoístas… O blog publicou diversas colunas sobre dicas para um bom descanso, confira aqui.
Cigarro é ainda pior do que se imaginava: o alerta vem novamente da Sociedade Europeia de Cardiologia. A médica dinamarquesa Eva Holt, autora do trabalho, afirma: “sabemos que fumar causa entupimento das artérias, mas também deixa o coração mais espesso e fraco. Isso significa que fumantes dispõem de um volume menor de sangue no ventrículo esquerdo e menos força para bombeá-lo para o resto do corpo. Mas nunca é tarde demais para largar o vício”.
Mudanças na dieta, ferramenta valiosa para hipertensos: apresentado num encontro da Associação Americana do Coração (AHA em inglês), estudo mostra que ajustes feitos na alimentação são até mais eficazes que outras mudanças no estilo de vida para pacientes jovens ou de meia-idade que tenham hipertensão no estágio 1. A análise apontou que, nos EUA, a adoção de dieta à base de carnes magras, frutas, legumes, nozes e grãos – e restrição de açúcar, sal e carne vermelha – poderia evitar, nos próximos dez anos, 15 mil eventos cardíacos em homens e 11 mil em mulheres.
Centros dedicados à saúde do coração das mulheres: já há consenso entre cientistas que problemas cardiovasculares femininos não recebem a atenção devida. Elas sofrem com diagnósticos e tratamentos tardios e estão sub-representadas em ensaios clínicos. Levantamento publicado no “Canadian Journal of Cardiology” sugere que a criação de centros dedicados à saúde do coração das mulheres diminuiria o volume de desfechos negativos. Pacientes com dor no peito, isquemia ou mesmo infarto nem sempre apresentam bloqueio das principais artérias coronárias, mas sofrem o estreitamento e disfunção de vasos secundários, quadro que pode passar despercebido.

Continue Reading

G1

Como superar a dor causada por uma mãe abusiva

“Um indivíduo submisso sofre forte impacto na construção da sua autoestima, tem dificuldade em reconhecer seu valor”, diz psicóloga Quando se pensa na figura materna, a associação é imediata: amor incondicional, dedicação, cuidado. Mas, e quando afeto e acolhimento não existem? Apesar da ideia de uma mãe abusiva ser tão chocante que, para o imaginário coletivo, parece inverossímil, a experiência é bastante real – e dolorosa – para quem vive esse tipo de relação. Em agosto, a ex-atriz infantil Jennette McCurdy, agora com 30 anos, lançou “I´m glad my mom died” (“Feliz porque mamãe morreu”), que imediatamente se tornou um best-seller. No livro, conta que, aos 11 anos, a mãe a submeteu a uma dieta de restrição calórica para que permanecesse franzina, com aparência infantil. Também deu banho nela até os 17 anos e costumava examinar seu corpo de forma inapropriada. No entanto, só teve consciência de que era vítima de uma relação abusiva depois da sua morte, em 2013. “Primeiro fiquei devastad..

Published

on


“Um indivíduo submisso sofre forte impacto na construção da sua autoestima, tem dificuldade em reconhecer seu valor”, diz psicóloga Quando se pensa na figura materna, a associação é imediata: amor incondicional, dedicação, cuidado. Mas, e quando afeto e acolhimento não existem? Apesar da ideia de uma mãe abusiva ser tão chocante que, para o imaginário coletivo, parece inverossímil, a experiência é bastante real – e dolorosa – para quem vive esse tipo de relação. Em agosto, a ex-atriz infantil Jennette McCurdy, agora com 30 anos, lançou “I´m glad my mom died” (“Feliz porque mamãe morreu”), que imediatamente se tornou um best-seller. No livro, conta que, aos 11 anos, a mãe a submeteu a uma dieta de restrição calórica para que permanecesse franzina, com aparência infantil. Também deu banho nela até os 17 anos e costumava examinar seu corpo de forma inapropriada. No entanto, só teve consciência de que era vítima de uma relação abusiva depois da sua morte, em 2013. “Primeiro fiquei devastada, depois senti uma ponta de alívio, logo seguida de culpa. Procurei ajuda e abandonei a terapeuta quando ela me disse que eu tinha sofrido abuso, porque não podia encarar a verdade”, contou em entrevistas. Jennette deu voz à sua dor numa obra libertadora, mas muitos ainda estão aprisionados neste trauma. Conversei com Simone Domingues, psicóloga especialista em neuropsicologia, com pós-doutorado em neurociências pela Universidade de Lille (França) e uma das autoras do canal @dezporcentomais, sobre o caminho da superação.
Simone Domingues, psicóloga especialista em neuropsicologia: o autoconhecimento abre a alternativa de se construir um caminho próprio e valioso
Acervo pessoal
O que caracteriza uma relação abusiva?
É o tipo de relação pautada por atos repetitivos com o objetivo de manipular e subjugar através da violência. Violência que pode ser física, com empurrões, tapas, surras; psicológica, com ações e agressões verbais vexatórias, com a intenção de humilhar, de destruturar; ou sexual. Pais e mães se valem de sua autoridade para desvalorizar e desrespeitar esse filho ou filha, não levando em conta as necessidades e os sentimentos da outra pessoa.
Qual é o impacto provocado por esse tipo de relação?
Os pais são muito importantes para a criação da autoestima, para aprendermos a regular nossas emoções. Um indivíduo submisso, que não pode expressar suas opiniões, seus sentimentos, sofre forte impacto na construção da sua autoestima, tem dificuldade em reconhecer seu valor. Se não reconhece seu valor e está acostumado com uma relação na qual o outro é que determina as regras, as chances de embarcar em novas relações abusivas são grandes. A pessoa vai fazer de tudo para ser aceita e amada, o que gera um risco maior de ansiedade, depressão e perfeccionismo, porque acredita que não pode falhar.
Por que a expressão mãe narcisista se tornou popular? Ela é um retrato da relação abusiva?
Aqui vale uma reflexão porque, apesar de ser muito empregada, a expressão vem sendo utilizada erroneamente. A literatura científica não a reconhece. O chamado transtorno de personalidade narcisista tem um padrão caracterizado por um perfil de grandiosidade, necessidade de admiração e falta de empatia, ou seja, de dificuldade de reconhecer as necessidades do outro. Esse padrão indica uma autoestima vulnerável, que precisa ser alimentada continuamente. Se houver qualquer dúvida ou sinal de que não está sendo admirada, a pessoa sente o golpe – é a ferida narcísica. No entanto, é prevalente em homens, que correspondem a 75% dos casos.
No imaginário coletivo, o espaço da mãe é o do afeto. Isso torna ainda mais doloroso conviver com uma mãe abusiva?
Ouço com frequência no consultório: “do meu pai eu esperaria tal coisa, da minha mãe, não”. Uma falha no que é esperado do papel da mãe amorosa tem um peso enorme. Por trás, há uma equação perversa recorrente. Meninas que sofrem abusos tendem a repetir suas experiências, num processo de mimetismo de negligência, maus-tratos, violência. O autoconhecimento é que vai romper esse ciclo. Todos somos falhos e os filhos vão perceber isso em algum momento, mas podemos nos permitir mudar.
E para quem sofreu os abusos, qual é o caminho?
Primeiro eu gostaria de alertar para a necessidade de criar espaços seguros onde as crianças possam ser acolhidas e se abrir. Boa parte dos relatos de violência cometidos por mulheres surge a partir de relações de confiança da criança com um terapeuta, psicólogo ou professor. Muitas vezes, a saída é o afastamento, é deixar de conviver. O que nos leva a outra situação complicada: quando a mãe abusiva envelhece e precisa de ajuda. É difícil ter o amor ou o cuidado desse filho ou filha se a relação foi pautada pelo medo e pela submissão. O caminho também é o processo de autoconhecimento, com a aceitação da própria história. Quando aceito e entendo que não dá para modificar o que houve, posso construir um caminho próprio e valioso. Posso não ter tido o pai ou a mãe que gostaria, mas me tornar o filho que desejo ser é uma escolha minha. E não perpetuar os erros da minha criação com meus filhos.

Continue Reading

G1

Brasil tem redução de insetos terrestres, diz estudo da UFSCar, Unicamp e UFRGS; entenda causas

Pesquisa analisou tendência de 5 anos no declínio de insetos como abelhas, borboletas, vespas, formigas e besouros, que são considerados essenciais para ecossistema e as atividades agrícolas. Estudo da UFSCar e outras 2 universidades aponta redução de insetos como as abelhas
Getty Images/BBC
Um estudo desenvolvido pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em Araras (SP), em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), detectou a redução no número de insetos terrestres no Brasil, como abelhas, borboletas, vespas, formigas e besouros.
Eles são considerados essenciais para a manutenção do ecossistema e das atividades agrícolas. Entre as causas está o uso de agrotóxicos. (veja abaixo as principais causas).
Compartilhe no WhatsApp
Compartilhe no Telegram
Umas das responsáveis pelo projeto é Kayna Agostini, docente no Departamento de Ciências da Natureza, Matemática e Educação (DCNME-Ar), do campus de Araras da UFS..

Published

on


Pesquisa analisou tendência de 5 anos no declínio de insetos como abelhas, borboletas, vespas, formigas e besouros, que são considerados essenciais para ecossistema e as atividades agrícolas. Estudo da UFSCar e outras 2 universidades aponta redução de insetos como as abelhas
Getty Images/BBC
Um estudo desenvolvido pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em Araras (SP), em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), detectou a redução no número de insetos terrestres no Brasil, como abelhas, borboletas, vespas, formigas e besouros.
Eles são considerados essenciais para a manutenção do ecossistema e das atividades agrícolas. Entre as causas está o uso de agrotóxicos. (veja abaixo as principais causas).
Compartilhe no WhatsApp
Compartilhe no Telegram
Umas das responsáveis pelo projeto é Kayna Agostini, docente no Departamento de Ciências da Natureza, Matemática e Educação (DCNME-Ar), do campus de Araras da UFSCar.
Os pesquisadores analisaram as tendências dos últimos cinco anos, com base em 45 estudos publicados. Foram aplicados, também, questionários a 156 cientistas que pesquisam insetos no país.
O estudo 'Insect decline in Brazil: an appraisal of current evidence' foi publicado na revista científica Biology Letters. O documento pode ser acessado de forma online.
LEIA TAMBÉM: O que aconteceria se todos os insetos desaparecessem da face da Terra?
Campus da UFSCar em Araras
Divulgação/CCS UFSCar
Conclusões dos estudos
Entre as principais causas do declínio de insetos terrestres, com base nos pesquisadores, estão:
mudanças no uso da terra, com substituição da vegetação nativa pela agricultura;
uso de agrotóxicos;
mudanças climáticas.
A introdução de espécies exóticas, apesar de menos comum, também pode interferir na sobrevivência de animais locais. As exóticas podem ser competidoras de espécies nativas e acabar com uma população.
No caso das abelhas, por exemplo, a drástica modificação de alguns espaços, com a retirada da vegetação e a implementação do asfaltos e luzes, excluiu o espaço propício para a construção de seus ninhos, o que pode estar associado à redução no número dessa população.
Drástica modificação dos espaços provoca morte de abelhas e consequente redução no número da espécie
TV Globo/Reprodução
Outras investigações
A iniciativa investigou também a quantidade de animais aquáticos nos últimos anos. Com base nos estudos, não houve declínio, porém não se pode afirmar que os espaços estão bem conservados.
"A maioria das pesquisas é muito recente, e as regiões desses insetos já estavam degradadas. Como não houve monitoramento antes de toda a poluição e a mudança do ambiente, não sabemos, de fato, se houve ou não declínio em um maior espaço de tempo", afirma Agostini.
Segundo Agostini, o conhecimento e o monitoramento são passos essenciais para a conservação das espécies.
"Há muitas desconhecidas e, ao mesmo tempo, dados científicos pulverizados. Os desafios passam por aumentar os investimentos na área para conseguirmos seguir com a pesquisa, realizando essas descobertas e, também, tendo um monitoramento anual dos insetos para, assim, auxiliar em tomadas de decisão, com vistas à conservação das espécies."
Importância dos insetos
Os insetos desempenham um papel fundamental na produção de alimentos e na preservação de nosso ecossistema.
Os insetos quebram as estruturas biológicas, o que acelera o processo de decomposição. Isso ajuda a reabastecer o solo. Eles também fornecem alimentos para pássaros, morcegos e pequenos mamíferos.
Além de ser uma valiosa fonte de alimento para outras espécies e servir aos ecossistemas pela reciclagem, os insetos fornecem outro serviço vital: a polinização, que é essencial para a produção de alimentos.
Veja mais notícias da região no g1 São Carlos e Araraquara

Continue Reading

G1

Estigma dos opioides ainda afeta os cuidados paliativos

Seminário debateu resistência dos médicos em prescrever drogas que aliviam a dor mas podem causar dependência Na quinta-feira passada, assisti ao seminário “Cuidados paliativos e a dimensão do possível”, organizado pelos médicos Daniel Tabak e Claudia Burlá, na Academia Nacional de Medicina. Decidi escrever sobre três palestras com as quais muitos vão se identificar, uma vez que envolvem questões com que nos deparamos ao lidar com uma doença grave ou o fim de vida de um ente querido. Começo pela apresentação “É possível cuidar da dor sem medo dos opioides?”, feita pelo médico Henrique Parsons, professor do departamento de cuidados paliativos da Universidade de Ottawa, que tratou de um assunto delicado: a opiofobia, isto é, a resistência dos profissionais de saúde em prescrever esse tipo de substância. Seu primeiro slide mostrava um “SIM” em letras garrafais, mas com ressalvas: “é preciso formação técnica adequada, indicação precisa, disponibilidade das drogas, avaliações constantes e a..

Published

on


Seminário debateu resistência dos médicos em prescrever drogas que aliviam a dor mas podem causar dependência Na quinta-feira passada, assisti ao seminário “Cuidados paliativos e a dimensão do possível”, organizado pelos médicos Daniel Tabak e Claudia Burlá, na Academia Nacional de Medicina. Decidi escrever sobre três palestras com as quais muitos vão se identificar, uma vez que envolvem questões com que nos deparamos ao lidar com uma doença grave ou o fim de vida de um ente querido. Começo pela apresentação “É possível cuidar da dor sem medo dos opioides?”, feita pelo médico Henrique Parsons, professor do departamento de cuidados paliativos da Universidade de Ottawa, que tratou de um assunto delicado: a opiofobia, isto é, a resistência dos profissionais de saúde em prescrever esse tipo de substância. Seu primeiro slide mostrava um “SIM” em letras garrafais, mas com ressalvas: “é preciso formação técnica adequada, indicação precisa, disponibilidade das drogas, avaliações constantes e a educação de pacientes e familiares”, detalhou.
Utilização de opioides no manejo da dor: médicos resistem a prescrever drogas que podem causar dependência
Truthseeker08 por Pixabay
Os opioides são drogas naturais, semissintéticas e sintéticas utilizadas para o manejo da dor em casos de câncer, falências orgânicas (cardíaca, renal, hepática), doenças neurodegenerativas, demências e esclerose múltipla. No entanto, seu uso indiscriminado provocou a chamada crise dos opioides, que ceifou cerca de 500 mil vidas norte-americanas nas primeiras décadas do século XXI, deixando a comunidade médica de cabelos em pé – recomendo a série “Dopesick” que mostra, sem retoques, como a farmacêutica Purdue Pharma promoveu o analgésico oxicodona através de agressivas campanhas de marketing.
“O estigma ainda é muito forte. Há receio em relação à prescrição por causa dos efeitos colaterais, do risco de intoxicação e adição, mas uma dose baixa de morfina pode ser mais segura que outras drogas. Ela não faz parte necessariamente do fim da vida, e sim do manejo de sintomas a serem tratados”, explicou Parsons.
Os efeitos colaterais podem ser pesados, envolvendo problemas de neurotoxicidade como delirium, mioclonias (espasmos) e sedação, além de constipação, náusea, vômitos e hipopneia (interrupção da respiração). “O monitoramento é fundamental e, no começo, é necessário ver o paciente com frequência, para checar se as doses estão corretas. Também é preciso ser realista em relação às expectativas: a dor zero não é real”, disse o médico.
“Como cuidar do luto dos que duraram?” foi o tema da psicóloga Erika Pallotino, criadora do Instituto Entrelaços: “luto não é um evento pós-morte. Ele começa no diagnóstico, passa pelo tratamento, pelos cuidados de fim de vida, pelo óbito e pós-óbito. Em todas essas etapas, uma parte nossa morre. Mas a história da doença não pode ser maior que a história da vida”, enfatizou. Sobre o Dia Mundial dos Cuidados Paliativos, comemorado em 8 de outubro, lembrou que o tema “Curando corações e comunidades” (“Healing hearts and communities”) é uma referência às perdas que a pandemia provocou:
“Eventos globais aumentaram a carga de luto de famílias e provedores de saúde, a necessidade de curar une humanos do mundo todo. Para cada morto, há nove enlutados, o que significa que há 6 milhões de pessoas nesta situação no Brasil. Mais de 130 mil crianças perderam seus cuidadores, entre pais e avós. As mortes causadas pela Covid demandam políticas públicas sobre o luto”.
A juíza de direito do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro Maria Aglaé Tedesco Vilardo, doutora em bioética, ética aplicada e saúde coletiva, discorreu sobre os limites e possibilidades da autonomia do indivíduo. E foi enfática ao mostrar como a legislação protege o direito ao livre arbítrio dos pacientes. De acordo com a Constituição, “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”; pelo Código Civil, “os direitos da personalidade são intransmissíveis e irrenunciáveis, não podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária”; enquanto o Estatuto da Pessoa Idosa prevê “o direito de optar pelo tratamento de saúde que lhe for reputado mais favorável”. Até o Estatuto da Pessoa com Deficiência estabelece: “o consentimento prévio, livre e esclarecido é indispensável para tratamento, procedimento, hospitalização e pesquisa científica, mesmo em situação de curatela, assegurada a participação, no maior grau possível”. Nosso corpo, nossas regras – tenham isso em mente.

Continue Reading

Tendência

Copyright © 2022 - BILLNETWORK - Humberg Trajano - Programer