DANIELE MADUREIRA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – “Preciso de 'mais gás' em você”. A cobrança sutil, em um email enviado pelo chefe poucas semanas depois de iniciar o novo trabalho, deixou Renato (nome fictício), 36, incomodado. Analista sênior de TI de uma grande empresa de telecomunicações, ele tentava fazer o seu melhor depois de herdar tarefas de um colega recém-demitido, delegadas pelo chefe que tirou férias logo após a sua contratação, no regime remoto.
O incômodo inicial deu lugar a um mal-estar profundo quando, nas reuniões online, ele, um analista sênior, passou a ser comparado depreciativamente com um analista júnior. Críticas enviadas pelo chefe por email não raro tinham outros analistas copiados, alguns com dez anos ou mais de casa, que deixaram de ser promovidos com a chegada de Renato.
Contratado em meio à pandemia e morando em Belo Horizonte (MG), distante da sede da empresa, em São Paulo, ele não encontrou receptividade na equipe. Não sabia com quem conversar p..