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Síndrome do pensamento acelerado de Dani Russo, não existe, dizem médicos

SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) – A chamada síndrome do pensamento acelerado ganhou as redes sociais após a cantora e youtuber Dani Russo, 24, contar em seu Instagram que recebeu este diagnóstico. A síndrome, porém, não existe. Embora seja popularmente conhecida, não é reconhecida pela ciência, nem aparece na CID (Classificação Internacional de Doenças) e, segundo especialistas, pode ser apenas a expressão de alguns transtornos, como o de ansiedade generalizada e o bipolar.

“Minha ansiedade dói na mente, dói no meu corpo, não me deixa respirar”, afirmou Russo em postagem nas redes sociais.

De acordo com o psiquiatra Elie Cheniaux, professor de psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e docente do programa de pós-graduação em Psiquiatria e Saúde Mental da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), a menção à síndrome só aparece nas obras de Augusto Cury, psiquiatra e escritor brasileiro conhecido por livros como “O vendedor de sonho..

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SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) – A chamada síndrome do pensamento acelerado ganhou as redes sociais após a cantora e youtuber Dani Russo, 24, contar em seu Instagram que recebeu este diagnóstico. A síndrome, porém, não existe. Embora seja popularmente conhecida, não é reconhecida pela ciência, nem aparece na CID (Classificação Internacional de Doenças) e, segundo especialistas, pode ser apenas a expressão de alguns transtornos, como o de ansiedade generalizada e o bipolar.

"Minha ansiedade dói na mente, dói no meu corpo, não me deixa respirar", afirmou Russo em postagem nas redes sociais.

De acordo com o psiquiatra Elie Cheniaux, professor de psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e docente do programa de pós-graduação em Psiquiatria e Saúde Mental da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), a menção à síndrome só aparece nas obras de Augusto Cury, psiquiatra e escritor brasileiro conhecido por livros como "O vendedor de sonhos".

Na obra "Ansiedade – Como enfrentar o mal do século", com subtítulo "A Síndrome do Pensamento Acelerado: como e por que a humanidade adoeceu coletivamente, das crianças aos adultos", em que apresenta a suposta doença, Cury cita que ela seria produzida pelo "desgaste cerebral intenso" decorrente da aceleração do pensamento.

Alguns dos sintomas seriam mente inquieta ou agitada, insatisfação e sofrimento por antecipação. As causas decorreriam do excesso de informação, trabalho intelectual e uso de celulares e computadores, por exemplo.

"O pensamento acelerado é um sintoma inespecífico, acontece em vários transtornos mentais", afirma Cheniaux. Segundo ele, a vivência pode ser mais comumente associada à ansiedade, que nem sempre é patológica.

"Na ansiedade, pode haver essa sensação de que os pensamentos estão mais rápidos, mas não vai haver só essa vivência. São muitas as manifestações, como tremores, falta de ar, taquicardia e tensão muscular", diz o médico.

Cheniaux explica que sentir ansiedade é natural e pode ser benéfico. "A ansiedade mobiliza o indivíduo a enfrentar dificuldades ou fugir delas quando não há solução."

Nos casos, entretanto, em que o sintoma não é justificável e gera prejuízos no dia a dia, a pessoa precisa procurar um especialista para fazer o diagnóstico correto. Segundo o psiquiatra, o tratamento varia de acordo com o tipo de transtorno identificado.

Katia Mecler, psiquiatra e professora do programa de pós-graduação em Psiquiatria Forense da UFRJ, reforça que a síndrome de pensamento acelerado não é classificada pela OMS (Organização Mundial de Saúde) como uma doença.

"No transtorno bipolar, na fase da mania, que é uma fase de euforia e de aceleração, pode haver o pensamento acelerado. Ele pode ser um sintoma de outros transtornos, mas por si só não é considerado uma doença", afirma.

A médica recomenda o cultivo de hábitos saudáveis para a proteção contra a ansiedade, como fazer exercícios físicos. Segundo ela, também é importante criar oportunidades diárias para relaxar. Algumas atividades que podem ajudar são a leitura, a meditação, o contato com a natureza ou outras iniciativas que garantam momentos de descontração.

"É um ato de resistência criar minutos por dia para entrar em contato com aquilo que faz o sistema de alguém não ficar em tensão o tempo inteiro", diz.

Mecler também recomenda que as pessoas busquem ter mais consciência das próprias emoções. "Acho que grande parte dessas doenças psíquicas vêm da necessidade contínua de viver o tempo inteiro na demanda do mundo externo", aponta. "Quanto mais uma pessoa sabe o que está sentindo, mais ela encontra recursos para, inclusive, procurar ajuda na hora certa."

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