Moda do futuro: projeto de bioeconomia cria polo industrial no meio da floresta gerenciado por mulheres ribeirinhas, no Pará


Parceria da empresa de moda sustentável Da Tribu e mulheres extrativistas de Cotijuba inaugura um novo Ciclo da Borracha na ilha amazônica, com floresta em pé, inovação tecnológica e beneficiamento de produtos para a geração de renda para comunidades originárias. Imagem aérea da APA: área preservada guarda seringal secular que, com manejo sustentável, gera renda para famílias ribeirinhas em parceria com empresa de moda
Da Tribu
O seringal secular que irradia floresta a dentro no quintal da família Magno conta muito sobre a história de Cotijuba – uma das 39 ilhas que compõem a região insular de Belém. Mas revela, sobretudo, o futuro que tem sido construído de maneira coletiva na comunidade extrativista Pedra Branca, localizada na Área de Proteção Ambiental (APA), banhada pela Baía de Guajará e pela Baía do Marajó.
Barracão no meio da floresta comporta maquinário de beneficiamento do látex em Cotijuba
Lula Fonseca/g1
Ali, no meio da mata preservada, acaba de ser instalada uma máquina que marca a nova era do Ciclo da Borracha na ilha: com manejo sustentável, floresta em pé e geração de renda para mulheres ribeirinhas a partir do beneficiamento do látex, que se torna material para a criação de produtos do setor fashion no Brasil e em diversos países. A proposta é impactar cerca de 2 mil famílias, em cinco polos produtivos, até o final deste ano.
Corina Magno opera a máquina que produz o fio emborrachado: tecnologia criada especialmente para o projeto multiplica a produção e garante padrão de qualidade ao produto, permitindo que o fio seja vendido em maior escala para a indústria da moda
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Batizada de "Máquina da Prosperidade", a tecnologia inédita foi criada especialmente para a comunidade, e torna industrial o processo de beneficiamento do látex, até então feito de forma manual, criando alternativas ecológicas e de impacto social para a indústria da moda, que é a segunda mais poluidora do mundo, atrás apenas da indústria petrolífera. Segundo levantamento publicado pela Global Fashion Agenda, organização sem fins lucrativos, mais de 92 milhões de toneladas de resíduos têxteis foram descartados em anos recentes.
No centro da foto, Kátia Fagundes e Corina Magno: força feminina conduz o novo Ciclo da Borracha em Cotijuba
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Tainah Fagundes e Manoel Magno: conexão entre as mulheres empresárias e a comunidade Pedra Branca alia sabedoria ancestral da extração do látex e preservação da floresta à inovação tecnológica e empreendedorismo social
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Cotijuba é a terceira maior ilha do entorno da capital do Pará. A extração de borracha faz parte da história do local desde a década de 1960, quando o látex era vendido para a indústria bélica dos EUA e para a fabricação de pneus. Com a desvalorização da matéria-prima no mercado mundial nos anos 1980, a demanda pelo látex se esvaziou, e os seringueiros precisaram atuar em outras frentes, como a pesca, transporte de passageiros e atividades turísticas na região.
A exploração da borracha, até então predominantemente masculina, é reativada e ganha outros rumos pelas mãos das mulheres de Cotijuba. Essa virada ocorre quando o caminho de Corina Magno, liderança da Comunidade Pedra Branca, se cruza ao de Kátia e Tainah Fagundes, mulheres à frente da empresa paraense Da Tribu, de moda sustentável. Em 2016, inicia-se a parceria que fez do látex material para a criação de fios emborrachados e couro ecológico, revelando a vocação da ilha para a bioeconomia.
"Já pensou um futuro no qual grandes marcas de design e moda produzam a partir de materiais biodegradáveis, sustentáveis, gerando renda para povos da floresta? Estamos na construção coletiva desse sonho", diz Tainah Fagundes, diretora de criação da empresa Da Tribu.
Couro ecológico e fios emborrachados criados em parceria com mulheres ribeirinhas dão forma a roupas e acessórios da moda
Da Tribu
“Desta vez, não tem mais aquele mau cheiro da borracha fervendo na panela de ferro – como foi a minha infância toda, quando eu acompanhava meu pai no serviço. Aquilo fazia mal pra gente”, conta Corina, filha mais jovem de Manoel Magno, líder comunitário de 77 anos, que há cinco décadas se dedica à preservação do seringal e à extração do látex, tradição que já alcança a 3ª geração da sua família.
Manoel Magno: há cinco décadas o seringueiro protege a floresta de Cotijuba e agora vê com esperança a parceria junto à Da Tribu, que alia geração de renda à mata preservada
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“A floresta é o começo de tudo”, diz Manoel, história viva dos ciclos de exploração da borracha na ilha. Ele recebeu o lote de terra no qual vive há décadas como indenização pelo fechamento de uma indústria de pneus na região. Mas já era seringueiro muitos antes disso, desde adolescente. Ele conta que, com a falta da indústria, muitos colegas seus derrubaram as árvores dos lotes. Mas ele fez questão de manter a mata em pé em seu terreno.
“Eu gosto muito do trabalho com a seringa. Eu gosto de seringueira, amo a mata. Aqui, ninguém derruba, não. Pessoal tudo já derrubaram. Mas aqui, ninguém mexe”, diz Manoel, que diariamente acorda às 4h para falar com os passarinhos e cuidar das seringas, que dependem da extração da sua seiva para manter a árvore saudável.
“Voltar a trabalhar com a seringueira trouxe esperança pra gente”, celebra Magno.
"Com a Da Tribu, comecei a fase de 'vamos ver o que vai dar', porque estava embutida em mim a memória do látex da minha infância, em que eu tinha aversão ao cheiro. Então, eu entrei apostando, mas duvidando ao mesmo tempo. Aí, no decorrer da história, eu fui conhecendo outros saberes, os nossos saberes da comunidade, que jamais devemos desvalorizar. Os saberes empíricos são muitos importantes, e junto com os saberes acadêmicos que a Da Tribu trouxe, isso foi uma mistura que fez aumentar mais a potência daquilo que a gente teria na nossa mão", conta Corina.
"Eu aprendi a valorizar uma história de pertencimento da minha família, do meu pai, dos meus avós, que também foram seringueiros. E foi aí que tive mais força de chamar as meninas e incentivar", relata a líder comunitária.
Couro ecológico seca ao sol na comunidade Pedra Branca: material de alta durabilidade e biodegradável é alternativa ao couro animal
Da Tribu
Biomateriais
Da parceria entre Da Tribu e a comunidade Pedra Branca, surgiram o fio MagnusLat e o TEA (Tecido Emborrachado da Amazônia) – ambos materiais que combinam algodão orgânico com látex. De relevante durabilidade, baixo uso de água e variadas texturas e cores, essas tecnologias são alternativas sustentáveis para o couro animal e derivados de petróleo que causam profundo dano socioambiental.
“Somos um empreendimento social da Amazônia e que atua em parceria com mulheres extrativistas de comunidades ribeirinhas. Dessa troca de saberes, criamos biomateriais a partir do látex, dando origem a produtos feitos de borracha vegetal – biodegradável e renovável”, destaca Tainah Fagundes, diretora de criação da marca Da Tribu.
A partir do fio e do tecido de borracha natural, é possível dar forma a roupas, sapatos, bolsas, mochilas, alças, cadarços, objetos de decoração, biojoias, tramados, macramês e uma infinidade de possibilidades criativas para o mundo da moda.
A parceria da Da Tribu com famílias extrativistas começou em 2013, ainda na comunidade Paulo Fontelles, na Região Metropolitana de Belém. A partir daí, a marca passou a desenvolver tecnologias próprias para a vulcanização do látex e produção dos fios, processo que foi levado até a comunidade Pedra Branca, em 2016.
Biojoias são o carro-chefe da Da Tribu: feitas de biomateriais, as criações de Kátia Fagundes são vendidas em todo o Brasil e para o exterior
Lula Fonseca
“A gente jamais imaginaria esse momento. Se há 6, 7 anos alguém chegasse e dissesse 'tá vendo aquela borracha velha, fedorenta, aquilo vai virar uma biojoia', eu ia duvidar”, diz Corina.
“A borracha, nesse ciclo que a gente está vivendo, me encantou de uma forma que ela jamais me encantou na minha infância. Foi uma transformação, ressignificação. Agora, nós, mulheres, estamos à frente do processo, e dá muito orgulho ver o tanto de coisa bonita que está sendo feita a partir do látex”, orgulha-se.
Design da Amazônia para o mundo: Tainah Fagundes ao lado da ministra Margareth Menezes, que usa um colar da marca Da Tribu, no evento Mica.
Da Tribu
A tecnologia social é parte indissociável da moda produzida pela Da Tribu, que fortalece uma rede produtiva que celebra o ecossistema e a valorização dos saberes tradicionais da Amazônia. O trabalho ganha reconhecimento internacional, e faz da marca representante da região Norte e do Brasil no Mercado das Indústrias Culturais Argentinas (MICA), realizado no começo de junho deste ano em Buenos Aires. A comitiva de 90 empreendedores criativos brasileiros tiveram a oportunidade de participar de atividades formativas, além de comercializar produtos e serviços nas rodadas de negócios, pitchings e atividades de networking do MICA. Na ocasião, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, usou um colar criado pela Da Tribu.
Corina e Tetê: mulheres ribeirinhas comandam o maquinário de beneficiamento de látex em Cotijuba
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Máquina da Prosperidade
Nesta nova fase, houve um salto na geração de renda relacionada ao látex: a comunidade, que até então produzia 20 litros do material a cada três meses, e vendia de maneira informal na Praça da República; chega a produzir 2 mil litros de látex por trimestre, e o beneficia na própria localidade, favorecendo diretamente cerca de 30 pessoas.
Ao deixar de ser fornecedor de látex e tornar-se produtor do material beneficiado na comunidade, o montante de riqueza gerada aumenta exponencialmente. Com os fios emborrachados e o couro ecológico, a Da Tribu produz bolsas e roupas, mas o carro-chefe são os acessórios criados pela artesã Kátia Fagundes. São colares, pulseiras, anéis, brincos e enfeites de cabelo produzidos de biomateriais e papel reciclado. Esses produtos são vendidos para todo o Brasil, por meio do site da empresa, que também conta com pontos físicos de revenda em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Florianópolis, Nova Iorque, Lisboa, Coimbra e Londres.
Kátia Fagundes posa ao lado de suas criações: biojoias feitas de látex da Amazônia e papel reciclado
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“As joias orgânicas, que a gente cria e produz, têm excelente aceitação, porque além do látex, eu também trabalho com papel reciclável, então isso tem um valor agregado grande, mas sobretudo pelo látex, porque ele conta a história de uma comunidade, carrega um peso saudável da cadeia produtiva”, destaca Kátia.
Corina mostra o painel de operação da Máquina da Prosperidade, criada em parceria com especialistas da UNB
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A chegada da máquina pretende incrementar o volume de produção, e aponta para um futuro ainda mais promissor. A tecnologia, desenvolvida em parceria com a Universidade de Brasília (UNB), foi criada especialmente para tratar do látex amazônico, que possui características singulares.
“Nesse processo, a gente entendeu que o látex da Amazônia tem suas especificidades, uma delas é que ele tem muito mais água que o látex produzido em outros lugares, como em São Paulo, por exemplo. Então precisávamos de outra tecnologia para lidar com essa matéria-prima. E agora, a máquina vai poder escalar a produção”, explica Kátia Fagundes.
Com investimento de R$ 120 mil, fruto do prêmio conquistado pela Da Tribu no edital de incentivo do Prêmio Investe Favela 2021, e anos de pesquisa até chegar ao protótipo, a máquina acaba de ser implantada em um barracão no seringal da família Magno.
Famílias ribeirinhas são parcerias do projeto de moda sustentável
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A proposta é uma relação horizontal entre a Da Tribu e as mulheres extrativistas que irão operar o maquinário, capaz de tratar o látex amazônico e aumentar o volume de preparo dos fios emborrachados, garantindo-lhes constância de qualidade e padronização.
“A ideia de apartar o processo e levar a máquina para Belém, por exemplo, nunca foi considerada. Esse passo é fruto direto da relação de parceria e respeito que temos junto às mulheres da Pedra Branca. Elas tiveram receio de que fossem substituídas pela máquina, chamavam a máquina de ‘fura olho’, mas, com muito diálogo, esse receio tem se dissipado”, diz Kátia.
O processo artesanal, então, passa a ser industrializado. Uma revolução que cria um polo produtivo no meio da floresta, com participação da comunidade desde a extração do látex à operação do maquinário de beneficiamento – tecnologia que cruza conhecimento ancestral com inovação sustentável.
Kátia, Manoel e Corina: elo entre ancestralidade e inovação orienta projeto de biomaterial dentro da floresta
Da Tribu
“A proposta é poder escalar todo o potencial dessa seiva daqui, que resiste há 60 anos, para que as mulheres cresçam financeiramente. Não estamos criando apenas uma relação de empoderamento financeiro, mas quando as mulheres têm a sua própria grana, elas conseguem perceber o quanto são valorosas. Elas não precisam sair do seu território para ganhar dinheiro em outra localidade. É possível viver com dignidade, fazendo o que amam, com uma seiva que é especialmente da Amazônia. Juntas, a gente pode mais”, destaca artesã, que deixou Belém para viver em Cotijuba.
Desta forma, a empresa se torna fornecedora do produto beneficiado em larga escala, vendido para outras marcas do setor da moda que, a partir do fio emborrachado e do couro vegetal, poderão criar diversas peças de vestuário e acessórios com a proposta da bioeconomia que beneficia a Amazônia.
Corte do látex em comunidade extrativista: aumento de demanda pela matéria-prima deve ampliar o projeto e reativar outros seringais de pequeno porte
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A projeção é que a produção de látex aumente para 5 mil litros por trimestre, o que deve gerar rendimento de R$ 2 milhões por ano para a parceria entre Da Tribu e comunidade Pedra Branca, fornecendo biomaterial para empresas de pequeno, médio e grande porte do Brasil e de países como Itália e Estados Unidos, que já fizeram encomendas.
“A chegada da máquina possibilita que outras marcas, bem maiores do que nós, tenham acesso ao biomaterial e criem a partir dele. Já temos participado de feiras internacionais, mesmo antes da chegada da máquina, e isso vai se ampliar agora”, diz Kátia.
Por meio da máquina, a meta é colocar no mercado 30 mil metros mensais do fio emborrachado e alcançar um faturamento de R$ 5 milhões por ano. Com o aumento da demanda, o projeto está em processo de ampliação e deve alcançar, até 2024, outras quatro comunidades localizadas no Marajó, Mocajuba, Mosqueiro e Benevides, beneficiando diretamente cerca de 2 mil famílias.
“A gente vai conseguir impactar outras comunidades e outras mulheres e reativar esses pequenos seringais, que não são de interesse da grande indústria, que estão ‘apagados’ e que podem voltar a ser produtivos. A ideia é replicar e ampliar a rede por meio de capacitação”, destaca Tainah Fagundes.
Sementes de seringueira no quintal da família Magno: manejo sustentável preserva a floresta em pé
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A potência da economia verde
O Pará lidera dois rankings preocupantes: é o Estado brasileiro que mais emite gases do efeito estufa e também aquele que mais desmata no país, de acordo com dados de 2022 do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG) e do Relatório Anual do Desmatamento (RAD), do Mapbiomas. Isso torna o Pará o vilão da mudança climática no Brasil – resultado de modelos econômicos que devastam e poluem a região.
O enfrentamento a esses desafios aponta para a potência da floresta em pé, por meio da bioeconomia, que atua na promoção de cadeias produtivas baseadas na sociobiodiversidade e na biodiversidade, aliando a exploração dos recursos naturais a utilização de novas tecnologias com o propósito de criar produtos e serviços mais sustentáveis.
"Estimular negócios de impacto na região amazônica, principalmente baseados em soluções que envolvam produtos naturais, renováveis, é muito porque eles trazem no cerne deles a manutenção da floresta em pé. Então, quando eu proponho, por exemplo, transferir ou modificar um negócio que seja baseado na exploração madeireira e eu transformo a utilização de uma árvore na capacidade dos seus frutos, eu estimulo que aquela família mantenha em pé as árvores que antigamente ela costumava derrubar para vender a madeireiras – muitas das vezes, de maneira ilegal", estaca José Mattos Neto, especialista em sustentabilidade, investimento de impacto e desenvolvimento territorial com 25 anos de experiência nos setores público e privado.
"A bioeconomia, conforme o primeiro teórico, Nicolau Giorgisco, que trabalhou nessa tese, é um tipo de economia baseada na implementação de métodos que respeitam esse tempo muito próprio que a natureza tem de fazer as coisas e, por conseguinte, o tempo que as pessoas têm de interagir com essa natureza. É um um tipo de economia pautada na preservação", destaca o especialista.
O Pará possui uma grande extensão de floresta amazônica. Mais de 78% do território paraense é coberto por vegetação nativa, e esse diferencial, se bem aproveitado com sustentabilidade ambiental e justiça social, poderá colocar o estado na vanguarda da bioeconomia no Brasil, destaca Renato Coelho, gerente de Soluções e Inovação do Sebrae no Pará.
“A bioeconomia é a nossa vocação afinal. A Amazônia possui a maior biodiversidade do planeta e, por isso, tem um papel central na mitigação das mudanças climáticas, como o armazenamento do carbono, a produção de oxigênio e a manutenção da floresta em pé, com a permanência e defesa das comunidades tradicionais e dos povos originários”, frisa.
A Da Tribu integrou diversos processos de aceleração do Sebrae, entre eles, o Sebrae Tech, o Empretec e, mais recentemente, o Inova Amazônia, criado em 2019 para potencializar o empreendedorismo na Amazônia Legal a partir da bioeconomia com inovação, para promover o desenvolvimento territorial sustentável. "Foi muito relevante para nosso amadurecimento enquanto negócio. Tivemos diversas consultorias e passamos pela incubação na aceleradora", diz Tainah Fagundes.
Ao lado direito da foto, Tainah e Kátia Fagundes na premiação do Pandora Mulheres Empreendedoras, um dos diversos prêmios recebidos pela Da Tribu
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De lá para cá, a trajetória da empresa vem galgando posicionamento de relevância nacional e global. Em 2019, a Da Tribu é reconhecida com o selo internacional “Amazônia Wild Rubber”, voltado para iniciativas que trabalham com a borracha amazônica, apoiam produtores locais e conservam a floresta por matéria-prima vegana e renovável. Entre as principais vitórias da empresa, destacam-se os Prêmio Objeto Brasileiro (2016), Pandora – Rede Mulher Empreendedora (2018), Amaz Aceleração (2019), Prêmio Mercado Livre (finalista) 2019, Prêmio MUDA – Vogue (finalista) 2020 e Prêmio Investe Favela 2021.
"Quando comecei minha história com a Da Tribu, eu não sabia que ia chegar nesse ponto. Eu me sinto maravilhada porque, além de eu contar a história da minha família, eu também estou valorizando as mulheres que teriam também o mesmo papel que eu poderia ter, de ser uma simples comunitária, uma dona de casa, mãe de filhos, e hoje a gente ocupa esse lugar com a nossa história, com esse trabalho, uma possibilidade de realizar e ter um potencial que é nosso", celebra Corina Magno.
Mulheres extrativistas da Pedra Branca e sua estreita relação com a natureza: conhecimento ancestral é passado há gerações
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A líder comunitária destaca a importância do projeto de bioeconomia que, além de gerar oportunidade na região que carece de vagas de emprego, também impulsiona a autoestima e o empoderamento feminino. "Hoje me sinto muito potente com a minha identidade, com a minha história, que ninguém pode tirar de mim. Me sinto muito feliz de contar e saber que essa história está ajudando outras mulheres a se empoderar. Especialmente aqui, em Cotijuba, onde é muito difícil você ter um trabalho fixo, um meio de renda fixa, então eu me acho valorizada", frisa.
Tetê, Kátia, a pequena Catarina no colo da mãe, Corina, e Tainah: comunhão feminina que fortalece a cultura ribeirinha e empoderamento de mulheres na Amazônia
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"O que me vem no coração é a felicidade das realizações", diz Corina. Com a filha Catarina no colo, ela fala emocionada sobre a revolução que vem construindo em sua realidade e na vida de dezenas de outras mulheres da Pedra Branca. "Uma das minhas primeiras entrevistas eu dei com a minha filha com 4 meses de idade, no sling, então ela vem desbravando isso juntamente comigo, aprendendo. Ela está criando novas memórias em relação ao látex, muito diferente de como foram as minhas na infância. Eu quero que essa borracha, esse fio, seja transformação, realização que a minha filha vai ter. Quero que a gente vá em frente, evoluindo, que ela também tenha orgulho de contar essa história de pertencimento. Quero pra minha filha que ela vivencie e aprenda a valorizar também, porque pertence à nossa família. Então quando eu olho pra minha filha, quero que ela seja feliz, realizada, que ela não se envergonhe, porque eu jamais me envergonhei de ser filha, neta, de seringueiro. Nossa história, que a gente reinventou, continua nela e nas novas gerações da Pedra Branca".

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