Impasse entre SET, Prefeitura e Governo Estado prejudica fim da greve dos rodoviários na Grande SL — Foto: Alessandra Rodrigues/Mirante AM
Impasse entre SET, Prefeitura e Governo Estado prejudica fim da greve dos rodoviários na Grande SL — Foto: Alessandra Rodrigues/Mirante AM
A greve dos rodoviários da Grande Ilha de São Luís, que poderia chegar ao fim na tarde desta quinta-feira (8), acabou se estendendo por causa de um impasse entre o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (SET), a Prefeitura de São Luís e a Agência Estadual de Mobilidade Urbana e Serviços Públicos (MOB).
No fim da manhã desta quinta, os rodoviários aceitaram a proposta de reajuste salarial e demais benefícios apresentados pelos empresários. O acordo era um reajuste salarial de 10% para motoristas que fazem dupla função (cobrador e motorista), 8% para a categoria em geral, além da garantia da manutenção do plano de saúde e o ticket alimentação de R$ 800.
A proposta seria formalizada em uma audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 16ª Região (TRT-MA) e se encerraria a greve dos rodoviários.
Porém, de última hora, o SET apresentou uma nova planilha de valores, alegando a necessidade de aumento tarifário. Segundo o SET, era necessário um aumento na tarifa, valor esse a ser subsidiado pela Prefeitura de São Luís e pela MOB.
Atualmente, a Prefeitura e o Governo do Estado repassam para o SET R$ 0,70 por passageiro, diariamente. Porém, o SET quer que esse valor tenha um acréscimo de R$ 0,65, totalizando R$ 1,35 por usuário, aumentando, assim, o valor do subsídio pago pelo estado e município.
A apresentação desse novo valor causou conflito entre o SET e as gestões estadual e municipal, criando um novo impasse. Diante disso, o mediador da conciliação, o desembargador federal do trabalho Francisco José de Carvalho Neto, decidiu suspender a audiência de conciliação, para que o jurídico das partes envolvidas discutam esses novos valores.
Após horas de discussão, ficou definido que tanto a MOB quanto Prefeitura de São Luís irão pagar os R$ 0,65 de subsídio a mais pedido pelo SET, por passageiro. Porém, esse pagamento só será feito mediante uma análise da planilha de gastos apresentada pelo SET.
As discussões continuam sendo realizadas no TRT-MA e, enquanto isso a Grande São Luís continua sem transporte público coletivo.
Segundo o Sindicato dos Rodoviários, assim que todas as partes assinarem o acordo do reajuste proposto pelo SET, a categoria volta a trabalhar.
Greve dos rodoviários afeta o transporte público em São Luís — Foto: Paulo Soares
Greve dos rodoviários afeta o transporte público em São Luís — Foto: Paulo Soares
O que havia motivado a greve
A greve teve início nas primeiras horas de terça-feira (6) na Grande São Luís. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários no Estado do Maranhão (STTREMA) a decisão aconteceu após o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de São Luís (SET) oferecer uma contraproposta com redução do valor do ticket alimentação, não assegurar a manutenção do plano de saúde e não ofertar qualquer percentual de reajuste nos salários, enquanto a categoria quer garantir todos esses direitos.
A princípio a categoria pediu à classe patronal reajuste salarial de 10% para os motoristas e cobradores e 20% para os motoristas que ocupam dupla função (de motoristas e cobrador). Porém, o SET havia oferecido como contra proposta, um aumento de 6% no geral.
Os rodoviários também pediam a manutenção do plano de saúde, além do aumento do ticket de alimentação no valor de R$ 1.200. Porém, segundo o sindicato, os empresários propuseram a retirada de R$ 200 do valor atual do ticket alimentação, que é de R$ 817 (em média).
100% da frota parada
Na segunda-feira (5) o desembargador Francisco José de Carvalho Neto, do Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região (TRT-16) determinou que 50% da frota dos coletivos circulasse na Ilha de São Luís durante o período da paralisação. Em caso de desobediência, seria aplicada uma multa diária no valor de R$ 30 mil ao STTREMA.
Além disso, o TRT-16 decretou também a proibição de atos de vandalismo ou qualquer prática que impeça a prestação do serviço de transporte público na Grande Ilha de São Luís, como operações "tartaruga", "catraca livre" ou piquetes, também sob pena de multa diária de R$ 30 mil. Apesar da determinação da Justiça, desde o início da greve 100% da frota ficou paralisada.
O Sindicato dos Rodoviários chegou a afirmar que o presidente do STTREMA, Marcelo Brito, iria se reunir com os trabalhadores nas primeiras horas de quarta (7), para que o percentual de 50% da frota de ônibus, que atende a Grande São Luís, voltasse a circular, cumprindo assim, a decisão judicial, porém todos os rodoviários continuaram de braços cruzados.
Passageiros prejudicados
Sem ônibus, os passageiros são sendo obrigados a buscar alternativas para não deixar de cumprir os seus compromissos. Dentre os meios de transportes alternativos utilizados pelos passageiros estão vans, mototáxis e transporte por aplicativo.
Além disso, há empresas fretando ônibus para buscar seus funcionários, em meio a greve de motoristas e cobradores do transporte público que atende a capital São Luís e a Região Metropolitana, que é formada pelas cidades de São José de Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa.
Enquanto isso, os terminais de integração estão completamente desertos, um cenário considerado anormal ao da rotina vivenciada diariamente pela capital maranhense.
