
A presença de facções criminosas cresceu e chegou a 45% dos municípios que compõem a Amazônia Legal, indica pesquisa divulgada nesta quarta-feira (19) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). São 772 cidades na região, das quais 344 apresentaram alguma evidência da presença de facções, conforme o levantamento. O aumento é de 32,3% em relação ao ano passado, quando o Fórum identificava 260 cidades com facções. Veja no mapa abaixo. 🔎 Nove estados compõe a Amazônia Legal Brasileira: Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. O aumento da presença de facções na região é de 93% em comparação a 2023, quando o número era de 178 municípios (23% do total). Para o FBSP, o crescimento está diretamente ligado ao controle das rotas de tráfico de drogas na região, como no Alto Solimões. Crimes locais, entre eles o garimpo ilegal, também contribuíram para a expansão dos grupos criminosos (leia mais abaixo). Está é a 4ª edição do estudo Cartografias da Violência na Amazônia, que conta com parceria do Instituto Clima e Sociedade, do Instituto Itausa, do Instituto Mãe Crioula e do Laboratório Interpretativo Laiv. Quantas e quais são as facções Presença do CV no Amazonas Divulgação São 17 grupos diferentes identificados pelos pesquisadores, como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), além de grupos locais e até internacionais, como o Tren de Araguá, da Venezuela, e a ex-Farc, da Colômbia. Segundo o estudo, o CV tem influência em 83% do total de cidades com presença de facções, chegando a 286 cidades — seja de forma hegemônica ou em disputa com outros grupos criminosos. Veja no mapa abaixo. Originário do Rio de Janeiro, o CV domina o crime organizado em 202 cidades, enquanto disputa a hegemonia com rivais em outros 84, de acordo com dados do Fórum. Houve crescimento de 123% de sua presença na Amazônia desde 2023, quando estava em 128 cidades. O Primeiro Comando da Capital (PCC) está em 90 municípios, com controle da criminalidade em 31 e disputando o domínio em outros 59. A facção teve leve oscilação na presença registrada há dois anos, quando aparecia em 93 cidades. As 17 facções identificadas na Amazônia: Comando Vermelho (CV); Primeiro Comando da Capital (PCC); Amigos do Estado (ADE); Bonde dos 40 (B40); Primeiro Comando do Maranhão (PCM); Famílai Terror do Amapá (FTA); União Criminosa do Amapá (UCA); Comando Classe A (CCA); Bonde dos 13 (B13); Bonde dos 777 (dissidência do CV); Tropa do Castelar; Piratas do Solimões; Bonde do Maluco (BDM); Guardiões do Estado (GDE); Tren de Araguá (Venezuela); Estado Maior Central (ECM, da Colômbia); Ex-Farc Acácio Medina (Colômbia). Rota do tráfico e modo de atuação favoreceu o CV, indica pesquisador Segundo David Marques, gerente de projetos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a presença maior do Comando Vermelho na região é justificada pela descentralização, enquanto o PCC, por exemplo, centraliza as decisões em seus chefes de São Paulo. "A lógica de funcionamento do Comando Vermelho é como se tivéssemos a criação de franquias associadas ao grupo [nos estados]", afirma. Ainda de acordo com Marques, o grupo criminoso do Rio tem necessidade de atuar na Amazônia e escoar drogas pela região, já que o PCC controla a chamada "rota caipira" do tráfico, com corredores que escoam substâncias vindas das fronteiras pelo Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná até serem exportados por portos rumo à Europa e África. "O PCC, nesses outros territórios, está muito mais interessado em fazer parcerias com organizações locais e nos fluxos mais macro, do atacado do tráfico. Enquanto o Comando Vermelho tem o interesse pelo atacado também e, para isso, é muito importante o controle territorial", afirma. Presença das facções nos estados A presença nos estados varia conforme a localidade: quanto mais próximo da fronteira com outros países da América do Sul, mais forte a presença. O Acre, que faz divisa com Peru e Bolívia, tem presença em 100% dos seus 22 municípios. Já o Tocantins, no outro lado, na divisa com o Nordeste, tem 12% das 139 cidades com registro de grupos criminosos. Veja baixo: Acre: 22 de 22 municípios (100%); Amapá: 10 de 16 (62,5%); Amazonas: 25 de 62 (40%); Maranhão (parte amazônica): 53 de 181 (29%); Mato Grosso: 92 de 141 (65%); Pará: 91 de 144 (63%); Rondônia: 21 de 52 (40%); Roraima: 13 de 15 (80%); Tocantins: 17 de 139 (12%). Infográfico – Comando Vermelho (CV) busca dominar rotas do tráfico na Amazônia pelo Rio Solimões Arte g1 Outros dados do estudo sobre violência na Amazônia Legal: Mortes violentas na Amazônia Legal caem para 8.047 em 2024, mas seguem 31% acima da média nacional; Maranhão é único estado da Amazônia Legal a ter alta na taxa de homicídio em 2024, com crescimento de 11%; Amapá lidera ranking de violência; Pará e Maranhão lideram conflitos no campo na Amazônia Legal; 2024 teve recorde de 1.317 casos, aumento de 20% em relação a 2023; Feminicídios são 19% maior na região amazônica do que a média nacional; Estupro sobem na Amazônia, com 13 mil registros: quase 80% das vítimas têm 14 anos ou menos; Facções criminosas estão criando regras comportamentais para mulheres, que chegam até necessidade de autorização para terminarem relacionamentos; Municípios sem polícia viram zonas dominadas por facções na Amazônia Legal; Apreensão de drogas subiu 21% em 2024 na Amazônia Legal; A Polícia Federal apreendeu 118 toneladas de cocaína na Amazônia entre 2019 e 2024: o aumento foi 84,8% no período.
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