Advogado diz que PMs agrediram jovem e invadiram terreiro de candomblé em Maceió


Segundo a denúncia, policiais faziam ronda na Cidade Universitária e acharam que neto de Mãe Vera, fundadora do terreiro, tinha envolvimento com o tráfico, mas não encontraram material ilícito. Polícia Militar pede que caso seja denunciado à Corregedoria. Terreiro de candomblé teve portas arrombadas por PMs em Maceió
Pedro Gomes
Policiais militares estão sendo acusados de agredir e ameaçar um jovem de 18 anos por suspeitarem que ele tinha envolvimento com o tráfico de drogas na Cidade Universitária, em Maceió. Ao g1, a defesa do jovem falou nesta sexta-feira (3) que a casa em que ele mora, e onde funciona também um terreiro de candomblé, foi invadida e revirada na tarde de quinta (2), mas nenhum material ilícito foi encontrado.
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O advogado Pedro Gomes, que integra a Comissão de Promoção da Igualdade Racial da Ordem dos Advogados do Brasil seccional Alagoas (OAB-AL), disse que o jovem foi levado pelos policiais para uma casa abandonada no bairro e forçado a entregar nomes de supostos traficantes da região.
"Ele foi abordado na rua e levado para dentro de uma viatura. Levaram ele para uma casa abandonada e bateram muito nele. Chegaram a mostrar drogas e fizeram ele segurar uma arma, para ficar a digital dele lá. Então, eles ameaçaram que se ele não entregasse os traficantes, ele seria responsável pela droga e a arma que eles estavam mostrando", relatou o advogado.
Segundo a defesa do jovem, os cinco policiais que participaram da ação integram o Batalhão de Polícia de Guarda (BPGd).
O g1 entrou em contato com a assessoria da Polícia Militar e foi informado por email que "atos praticados por militares que possam violar direitos dos cidadãos devem ser denunciados à Corregedoria-geral da PM para que seja possível a apuração da conduta dos mesmos".
O advogado Pedro Gomes informou que vai levar o caso à Corregedoria da PM ainda nesta sexta e que vai solicitar à Polícia Civil a abertura de um inquérito para investigar os crimes de racismo, ameaça, agressão e intolerância religiosa.
Terreiro de candomblé em Maceió foi arrombado por PMs
Pedro Gomes
A defesa do jovem disse que a abordagem violenta da polícia se deu pela cor da pele do jovem, que é neto da Yalorixá Mãe Vera, fundadora do terreiro Abassá de Angola, que morreu em setembro do ano passado.
"Ele é um negro retinto, de pele bastante escura. Acreditamos que esse é o motivo principal para uma abordagem dessa forma. Ele estava em um bairro onde existe o tráfico, foi encontrado lá caminhando e foi pego", disse o advogado.
Pedro Gomes conta que após as agressões, os policiais foram até o terreiro de Mãe Vera, onde o jovem mora, à procura de drogas. Segundo a defesa, os PMs arrombaram a porta e reviraram o local.
"Se fosse uma igreja evangélica eles fariam isso? Não houve respeito algum, eles não respeitaram por se tratar de uma religião de matriz africana. Reviraram o lugar, arrombaram a porta, mas não encontraram nenhuma droga lá. Mesmo assim, ainda levaram ele de volta a casa abandonada para bater nele ainda mais", afirmou.
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