
Artista maranhense Marlene Barros abre exposição sobre o feminino em Belo Horizonte Larissa Micenas/Divulgação A artista maranhense Marlene Barros abre, nesta terça-feira (4), a exposição “Marlene Barros: tecitura do feminino” no Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (CCBB BH), em Belo Horizonte. A mostra reúne 13 obras em escultura, crochê e bordado e propõe uma reflexão sobre o corpo feminino e a invisibilização histórica das mulheres na arte. A exposição fica em cartaz até 1º de junho, nas galerias do térreo do CCBB BH, de quarta a segunda-feira, das 10h às 22h. A entrada é gratuita, com ingressos disponíveis no site do centro cultural e na bilheteria. A programação inclui ações formativas ao longo do período. 📲 Clique aqui e se inscreva no canal do g1 Maranhão no WhatsApp Natural de Bacurituba, no Maranhão, Marlene Barros tem mais de 40 anos de atuação e é referência no cenário artístico maranhense. Ao longo da carreira, desenvolve trabalhos que dialogam com o universo feminino, abordando temas como maternidade, sexualidade, erotismo, paixão e violência. A artista também coordena o Ateliê Marlene Barros e o Ponto de Cultura Coletivo ZBM, onde atua na formação de novos artistas e na articulação cultural. Com curadoria de Betânia Pinheiro, a exposição transforma o gesto de costurar em ato político e poético. A proposta é discutir como o trabalho manual feito por mulheres foi historicamente desvalorizado e restrito ao espaço doméstico. “Durante séculos, mãos femininas bordaram silêncios, costuraram ausências e coseram memórias em linhas quase invisíveis. Restrito ao espaço doméstico e marcado pela desvalorização histórica, o trabalho das mulheres foi frequentemente relegado à condição de artesanato, visto como menor e privado. Por isso, neste projeto, agulha e linha tornam-se instrumentos de denúncia e elaboração simbólica: cada ponto carrega um grito contido, uma história que resiste ao esquecimento”, explica Marlene Barros. A pesquisa que originou a mostra começou durante o mestrado da artista em Arte Contemporânea, na Universidade de Aveiro, em Portugal. Segundo ela, a ideia surgiu a partir de uma ação simbólica. “A proposta era costurar uma casa em ruínas, situada dentro do campus Santiago, que chamava minha atenção sempre que eu passava por lá”. Para Marlene, a casa tornou-se metáfora do corpo feminino. “A minha intenção não consistia apenas em abordar questões relacionadas à casa, mas utilizar essa prerrogativa para ir além e tocar em aspectos ligados, principalmente, ao universo feminino”, afirma. Ela acrescenta que a tecelagem ultrapassa o trabalho manual. “Do entrelaçar das linhas como metáfora para vínculos familiares, passando pelo fazer feminino em si, até o fluxo da vida”. Corpo e padrões CCBB BH abre o Mês da Mulher com exposição maranhense “Marlene Barros: tecitura do feminino” Larissa Micenas/Divulgação As obras discutem a forma como o corpo da mulher foi historicamente reduzido a padrões de beleza e submetido a julgamentos. A exposição questiona como esse corpo passa a ter maior ou menor valor conforme atende ou não às expectativas sociais. Marlene também aborda a exclusão das mulheres em espaços profissionais, especialmente nas artes. “Eu fui escolhida para falar sobre o feminino. Nunca nem pensei em falar sobre outra coisa”, declara. Entre os trabalhos apresentados estão: Eu tenho a tua cara – Instalação com 49 rostos de mulheres, com olhos e bocas trocados e costurados, que questiona identidade e construção das individualidades. Caixa Preta – Conjunto de caixas com fotografias, colagens, bordados e escritos, formando um autorretrato ampliado. Coso porque está roto – Casaco com órgãos humanos bordados no avesso, que associa a costura ao ato simbólico de reparo. Entre nós – Objetos em crochê que convidam à reflexão sobre atividades historicamente atribuídas às mulheres. Quem pariu, que embale – Obra que critica a responsabilização quase exclusiva da mulher pelo cuidado com os filhos. A montagem, coordenada por Fábio Nunes, propõe percurso livre, sem ordem cronológica, permitindo que o público construa sua própria experiência. Em um contexto marcado por casos de violência de gênero e feminicídio, a artista defende o papel social da arte. “A arte tem um papel fundamental porque cria espaços de escuta, questionamento e deslocamento de perspectivas. Ao mobilizar emoções, ela rompe a indiferença”, diz. Para ela, trata-se de “um espaço onde feridas sociais podem ser expostas, discutidas e simbolicamente reparadas”. Ações formativas CCBB BH abre o Mês da Mulher com exposição maranhense “Marlene Barros: tecitura do feminino” Larissa Micenas/Divulgação Durante todo o período da exposição, o público poderá participar de atividades em um espaço-ateliê, produzindo bordados, costuras ou crochês de forma livre. No dia 7 de março, das 15h às 17h, haverá visita mediada com a artista e a curadora. Em 8 de março, Dia Internacional da Mulher, às 16h, Betânia Pinheiro ministra a palestra “Tecitura do Feminino: Processos”. A programação inclui ainda a oficina “Arpilleras de si”, conduzida por Maria Vasconcelos, artista, psicóloga e psicanalista. A atividade propõe o uso da arpilharia e do bordado livre como forma de expressão de memórias e vivências de mulheres. O resultado será uma obra-instalação que passará a integrar a exposição. A oficina será realizada em três etapas: de 11 a 14 de março e de 15 a 17 de abril, com Maria Vasconcelos; e de 11 a 15 de maio, com Marlene Barros. As atividades ocorrem das 14h às 17h. As ações formativas oferecem certificado de 12 horas. As vagas são limitadas e abertas a pessoas de todos os gêneros e idades.
Related Posts
Criminoso é morto por policial federal durante tentativa de assalto em São Luís
Criminoso é morto por policial federal durante tentativa de assalto em São Luís Um homem identificado como Márcio Roberto Santos dos Reis, de 24 anos, foi morto no início da tarde deste domingo (30) após tentar assaltar um policial federal que estava..
Sobe para dez o número de cidades do MA em situação de emergência por causa da cheia dos rios
1 de 3
Sobe para dez o número de cidades do MA em situação de emergência por causa da cheia dos rios — Foto: Reprodução/TV Mirante Sobe para dez o número de cidades do MA em situação de emergência por causa da cheia dos rios — Foto: Reprodução/TV Mirante
Subiu para dez o número de cidades do Maranhão que decretaram situação de emergência por causas das fortes chuvas que têm causado aumento do nível de rios, provocando alagamentos e enchentes.
Os municípios afetados são: Formosa da Serra Negra, São Roberto, São João do Sóter, Tuntum, Monção, Pindaré-Mirim, Conceição do Lago Açu, Trizidela do Vale, Lago da Pedra e Lagoa Grande.
Segundo a Defesa Civil do Estado, no Maranhão já tem 597 famílias desabrigadas e 1.313 desalojadas por causa das cheias dos rios. As cidades mais afetadas são Pedreiras e Trizidela do Vale, localizadas na região do Médio Mearim.
2 de 3
Pedreiras (MA) é uma das cidades mais atingidas pelas chuvas no Maranhão — Foto: Reprodução/TV Mirante Pedreiras (MA) é um..
Suspeito de assassinar ex-vereador de Tasso Frago a tiros é preso pela polícia no MA
Ex-vereador de Tasso Fragoso é assassinado a tiros; suspeito foge após o crime Reprodução/ TV Mirante A Polícia Civil prendeu Leci José Gomes, de 63 anos, suspeito de assassinar o ex-vereador Wesdras Barreira, de Tasso Fragoso (MA) e atirar em Arlene..
