
Menos de 1% da população se autodeclara indígena no Maranhão. Levantamento divulgado nesta segunda-feira (7), pelo IBGE, apontou que o estado possui 54.214 indígenas. Ritual do Rurut, ou ritual da esteira, na Terra Indígena Krikati
Fábio Costa/Cimi – MA
O Maranhão é o terceiro estado do Nordeste com a maior população indígena, segundo dados do Censo do IBGE 2022, divulgados nesta segunda-feira (7). O estado possui 57.214 pessoas que se autodeclaram indígenas ou índia.
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O número corresponde a apenas 0,84% da população total do Maranhão, que é de 6.775.152 de habitantes, segundo o último Censo do IBGE, divulgado em junho deste ano.
Uma pessoa indígena é quando ela se declara indígena ou índia. Essa classificação se aplica aos indígenas que vivem em Terras Indígenas (TI) e aos que vivem fora delas.
O Nordeste é a segunda região do país com o maior número de indígenas, com 528.800 pessoas que se autodeclaram. Em relação aos estados da região, o Maranhão fica atrás somente da Bahia, que possui 229.103 pessoas indígenas e de Pernambuco, que conta 106.634.
Em linhas gerais, o Brasil possui 1.693.535 pessoas indígenas, número que representa apenas 0,83% da população total do país. O Maranhão aparece em 8º lugar no ranking geral dos estados brasileiros que possuem índios em meio à sua população.
Mais índios dentro dos territórios indígenas
O levantamento mostra que, nos últimos 12 anos, o Maranhão obteve um crescimento de 40,27% no número de pessoas indígenas vivendo dentro de Terras Indígenas, conhecidas por T.I. O número é em comparação ao Censo de 2010.
Mais de 72% da população indígena do Maranhão vive dentro das Terras Indígenas. Segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai), atualmente, o estado possui 20 territórios indígenas e destes, 17 são demarcados.
Para o IBGE, as localidades indígenas compõem um conjunto de Terras Indígenas que foram oficialmente delimitadas por órgãos oficiais como a Funai, que englobam também agrupamentos ou demais áreas que possuem um potencial de ocupação por índios.
Índios derrubam nova torre de energia na Reserva Cana Brava no MA
Reprodução/TV Mirante
Localizada em uma região que compreende as cidades de Jenipapo dos Vieiras (MA), Grajaú (MA) e Barra do Corda (MA), a Terra Indígena Cana Brava/Guajajaras é a mais populosa do Maranhão e uma das dez mais populosas do Brasil. Ela aparece em 8º lugar no ranking nacional.
A área conta com mais de 137 mil hectares e é habitada por uma única etnia, a Guajajara. Dentro da chamada Amazônia Legal, a terra indígena possui 10.662 pessoas que se autodeclaram indígenas. Cerca de 98,50% da população vive dentro da região delimitada.
Terra Indígena Araribóia, na região de Bom Jesus das Selvas
Divulgação
A Terra Indígena Arariboia é a segunda mais populosa do Maranhão e a 10º do Brasil. Com uma área de 413 mil hectares, a região possui 10.158 indígenas e destes, 98,45% vivem dentro da região delimitada.
Segundo a Funai, a região compreende seis municípios do Maranhão. São eles Amarante do Maranhão (MA), Arame (MA), Bom Jesus das Selvas (MA), Buriticupu (MA), Grajaú (MA) e Santa Luzia (MA).
Além dos índios Guajajara, a região é habitada pela etnia Awa Guajá e pelos Awá isolados. Em junho, um surto de gripe atingiu a comunidade indígena e colocou em risco a saúde da população que vive na área.
A terra indígena também é berço de figuras importantes que se destacam na luta pelos direitos dos povos indígenas. Em destaque, está a primeira ministra dos Povos Indígenas do Brasil, Sônia Guajajara, que nasceu em Amarante do Maranhão (MA), uma das cidades que estão dentro da T.I.
Defensores indígenas assassinados
Paulo Paulino “Lobo Mau” Guajajara morreu no local
Sarah Shenker/Survival International
Apesar de representarem menos de 1% da população maranhense, a ameaça contra a vida e os direitos dos indígenas é constante no Maranhão.
O estado possui o maior número de indígenas que são defensores de direitos humanos assassinados, segundo um estudo divulgado pelas entidades Justiça Global e Terra de Direitos. Nos últimos quatro anos, dez líderes indígenas foram assassinados no Maranhão.
No ranking das violações de direitos, o Maranhão é o segundo estado do país que mais comete crimes contra os defensores de direitos humanos no país. Entre as razões, estão a luta pela terra e questões ambientais.
Índios protestaram a morte do líder indígena Paulo Paulino Guajajara em Imperatriz (MA)
Reprodução/TV Mirante
Um dos casos mais emblemáticos e que teve repercussão internacional, foi o assassinato do líder indígena Paulo Paulino Guajajara, em novembro de 2019. O indígena foi morto em uma emboscada, dentro da Terra Indígena Arariboia, em Bom Jesus das Selvas (MA).
Paulo Paulino Guajajara era líder dos “Guardiões da Floresta”, grupo organizado de indígenas que se arriscam, dentro das matas, para proteger os territórios indígenas do Maranhão. Colocando suas próprias vidas em risco, eles lutam contra criminosos que invadem a área para desmatar as regiões.
Quem são os Guardiões da Floresta, o grupo de índios protetores da Amazônia no Maranhão
Entenda os conflitos nas terras indígenas do Maranhão
Sarapó Ka'apor tinha um histórico de combate e defesa dos territórios indígenas
Andrew Johnson
Assim como Paulo Paulino Guajajara, outros indígenas defensores de direitos também morreram por defenderem os territórios indígenas. Como foi o caso do líder indígena Sarapó Ka’apor, que morreu em maio do ano passado, por suspeita de envenenamento em Centro do Guilherme (MA).
Sarapó teria passado mal e morrido repentinamente durante a madrugada, dentro de uma residência na aldeia indígena. A morte foi atribuída a um 'AVC ou derrame', mesmo sem a realização de um exame cadavérico. O corpo foi enterrado em um cemitério na comunidade.
Líder indígena Guajajara é encontrado morto no Maranhão
Indígenas guajajara são mortos no MA; polícia investiga relação com conflitos envolvendo madeireiros
O indígena tinha histórico de luta contra a atuação do garimpo e de madeireiras que insistem em ameaçar ou desmatar a floresta amazônica que restou na região do Alto Turiaçu, onde se encontram quase meio milhão de hectares de terras indígenas, em especial dos Ka'apor. Ele era o homem que conduzia diretamente as fiscalizações que buscavam encontrar invasores e por isso era odiado por inimigos.
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