
Trump assinou ordem executiva proibindo admissão de alunos estrangeiros pelos próximos seis meses. Casa Branca acusa universidade de facilitar a entrada de 'adversários estrangeiros' e de ter recebido US$ 150 milhões da China. Harvard se nega a cumprir exigências de Trump, e mais de US$ 2 bi em recursos congelados
A China prometeu nesta quinta-feira (5) "defender firmemente os legítimos direitos e interesses de seus estudantes no exterior", após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinar ordem executiva proibindo que a Universidade de Harvard matricule estudantes estrangeiros.
"A China sempre se opôs à politização da cooperação educacional. As ações relevantes por parte dos EUA apenas prejudicarão a imagem e a credibilidade internacional da América", disse o porta-voz do ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian.
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A proibição a Harvard, um novo capítulo do embate entre a universidade e o governo dos EUA, foi imposta pelo presidente americano, Donald Trump, em ordem executiva na quarta-feira (4).
A medida, válida para os próximos seis meses, impede que a universidade de Harvard receba estudantes estrangeiros em seus cursos. Para justificar a proibição, a ordem de Trump alega supostas ameaças à segurança nacional.
"O Federal Bureau of Investigation (FBI) alerta há muito tempo que adversários estrangeiros aproveitam o fácil acesso ao ensino superior americano para roubar informações, explorar pesquisa e desenvolvimento e espalhar informações falsas", diz um comunicado da Casa Branca.
Em comunicado, Harvard classificou a proclamação como "mais um passo retaliatório ilegal tomado pelo governo, em violação aos direitos da Primeira Emenda de Harvard."
"Harvard continuará a proteger seus estudantes internacionais", acrescentou.
Na semana passada, Trump havia ameaçado proibir Harvard de aceitar estudantes estrangeiros por meio do Departamento de Segurança Interna, mas a Justiça bloqueou ações do tipo. Desta vez, o presidente age por meio de uma outra via legal, publicando uma ordem executiva.
Ainda de acordo com a nota da Casa Branca, "Harvard não forneceu informações suficientes ao Departamento de Segurança Interna (DHS) sobre atividades ilegais ou perigosas conhecidas de estudantes estrangeiros, relatando dados deficientes sobre apenas três estudantes".
O texto também acusa a universidade de ter recebido US$ 150 milhões (cerca de R$ 845,5 mi) da China.
"Em troca, Harvard, entre outras coisas, recebeu membros paramilitares do Partido Comunista Chinês e fez parcerias com indivíduos baseados na China em pesquisas que poderiam promover a modernização militar da China."
Na última quinta-feira (29), o Departamento de Segurança Interna dos EUA havia enviado a Harvard uma notificação com a intenção de revogar a certificação da universidade no Programa Federal de Estudantes e Visitantes de Intercâmbio — a licença necessária para matricular e manter estudantes e professores estrangeiros.
Ainda de acordo com o documento, Harvard teria 30 dias para responder se quer contestar a medida.
Interrupção de vistos
No último dia 27, o governo Trump ordenou também a todos os consulados dos Estados Unidos no mundo que interrompam a concessão de vistos de estudantes, segundo a agência Reuters.
A TV Globo confirmou com fontes do governo americano no Brasil que os processos estão suspensos. A Embaixada dos EUA no país já começou a orientar estudantes a procurarem os consulados locais.
Até a última atualização desta reportagem, o governo dos Estados Unidos ainda não havia se pronunciado oficialmente sobre a decisão.
De acordo com o site "Politico", uma fonte da diplomacia americana afirmou que Washington também está considerando passar a analisar as redes sociais de todos os solicitantes desse tipo de visto — necessário para quem pretende fazer qualquer curso nos Estados Unidos, desde intercâmbio até programas universitários.
Como a nova diretriz ainda está em análise, o Departamento de Estado determinou a suspensão temporária do processo de emissão novos vistos de estudos.
Um comunicado interno foi enviado a todos os consulados dos EUA — responsáveis pela concessão de vistos — orientando que não sejam realizadas entrevistas com os candidatos, última etapa do processo de solicitação do visto de estudos.
Conflito do governo dos EUA com Harvard
A proibição de Harvard aceitar alunos estrangeiros afeta cerca de 7.000 estudantes — um em cada quatro alunos da universidade.
“Sem seus estudantes internacionais, Harvard não é Harvard”, disse a instituição, que tem 389 anos. “Com um golpe de caneta, o governo tentou apagar um quarto do corpo discente de Harvard — estudantes que contribuem significativamente para a universidade e sua missão.”
A universidade também classificou a intenção de Trump como uma “violação flagrante” da Primeira Emenda da Constituição dos EUA, além de outras leis federais.
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O presidente dos EUA, Donald Trump
Ken Cedeno/Reuters
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