Com belezas ímpares, Sítios arqueológicos são opções de roteiro turístico, em São Luís


Sítio Piranhenga e Sítio do Físico são opções diferentes para quem deseja conhecer mais sobre a história e as belezas naturais de São Luís. Com belezas ímpares, Sítios arqueológicos são opções de roteiro turístico, em São Luís
Reprodução/TV Mirante
O mês de dezembro dá o pontapé inicial para a temporada de férias. Neste período, as viagens se tornam requisitadas como opções de lazer. Em São Luís, a variedade de espaços, célebres pelas belezas naturais e particularidades estéticas, mostram-se alternativas para quem deseja passear, descansar e ainda conhecer um pouco mais sobre as nuances da capital.
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O g1 MA, neste domingo (25), traz duas indicações para um roteiro turístico que alie o custo-benefício à trajetória cultural da Ilha: o Sítio Piranhenga e o Sítio do Físico.
Sítio Piranhenga
Nas obras de ficção, o deslocamento por realidades paralelas seria permitido por uma máquina do tempo, que, a julgar pela cultura pop, exigiria comandos sofisticados, fiação adequada e robustez para acomodar os viajantes.
No Sítio Piranhenga, porém, a viagem pela história é feita a partir de uma estrada de terra elementar, cercada por árvores. Na entrada, a era colonial do Brasil se apresenta aos excursionistas.
Sítio Piranhenga resguarda traços do Brasil no período colonial.
Paulo Soares/Grupo Mirante
Com aproximadamente 34 hectares, o Sítio, localizado no Parque Pindorama, inclui diversos pontos que ilustram a dinâmica da vida rural nas fazendas brasileiras. Construída há 200 anos, a propriedade conserva a divisão entre a Casa Grande – habitada pelos antigos proprietários, senhores de escravos – e a senzala – localizada às margens do rio Bacanga, que circunda toda a região – residida por negros escravizados, e, hoje, um resquício simbólico da opressão e desigualdade nas relações raciais.
Senzala é resquício simbólico da opressão e desigualdade nas relações raciais.
Paulo Soares/Grupo Mirante
A senzala, situada na ‘parte baixa’ do imóvel, expressa, também, a dinâmica dos métodos de trabalho comuns à sociedade nos séculos XVIII e XIX. No local, encontra-se um poço artesiano, além das caieiras, utilizadas para a produção de cal.
A 'parte baixa' do Sítio Piranhenga era reservada ao labor dos escravos.
Paulo Soares/Grupo Mirante
À esquerda, uma escada com pouco mais de 90 degraus é tradução geográfica, aos visitantes, da segregação social e étnica presentes àquela época. Atualmente, a escadaria é colorida e preenchida por mosaicos, servido como elo entre o passeio por embarcações, no rio Bacanga – um dos atrativos mais aguardados por quem visita o local – e o acesso aos espaços do Sítio.
Escadaria é colorida e preenchida por mosaicos.
Paulo Soares/Grupo Mirante
A residência principal seduz os visitantes, à primeira vista, pela qualidade do acabamento arquitetônico. Na área externa há mescla de referências na composição dos ornamentos, resultado das adaptações realizadas no imóvel, com o passar do tempo.
Arquitetura traduz parte das belezas do Sítio Piranhenga.
Paulo Soaes/Grupo Mirante
A presença dos azulejos na Casa Grande – um distintivo de nobreza nas colônias portuguesas – reforça a singularidade do item; em particular, na cultura ludovicense. O piso também sofreu adaptações. As cores vibrantes da pintura do imóvel ajudam a compor um cenário singular.
Qualidade do acabamento arquitetônico é um dos destaques do Sítio Piranhenga.
Paulo Soares/Grupo Mirante
Uma capela, construída na ‘parte alta’ do Sítio, é a expressão material da religiosidade nos lares do Brasil Colônia. A estrutura resguarda a particularidade dos traços arquitetônicos desenvolvidos durante o século XVIII. Os azulejos, em relevo, nas paredes internas do oratório, são destaque.
Estrutura da Capela resguarda a particularidade dos traços arquitetônicos desenvolvidos durante o século XVIII.
Paulo Soares/Grupo Mirante
Sítio do Físico
À direita da margem do rio Bacanga, outro sítio preserva, em detalhes, traços do período colonial brasileiro: o Sítio de Santo Antônio das Alegrias, conhecido popularmente como ‘Sítio do Físico’, localizado no Parque Estadual do Bacanga, em São Luís.
Sítio do Físico possui mais de 200 anos.
Paulo Soares/Grupo Mirante
A construção, realizada em fins do século XVII e início do século XVIII, recebeu esta alcunha por se tratar de uma propriedade do então Físico-mor de prestígio no Maranhão, Antônio José da Silva Pereira. Por físico, segundo historiadores, compreendia-se um termo de maior abrangência, à época, no qual se incluíam pessoas com notáveis conhecimentos em medicina – a exemplo do próprio Antônio José da Silva Pereira.
O imóvel é parte da história do desenvolvimento econômico maranhense: realizava-se, no Sítio – a partir do uso de mão de obra composta por pessoas escravizadas – a rizicultura (cultivo agrícola do arroz), a limpeza e a produção de couro animal e, posteriormente, a cal. A fabricação de cerâmicas e velas também foi desenvolvida na propriedade, tempos depois.
Sítio do Físico foi importante complexo industrial do Maranhão no período colonial.
Paulo Soares/Grupo Mirante
Os visitantes podem notar, a partir das ruínas do Sítio do Físico, a estatura proeminente do traço arquitetônico. As muralhas e o curtume (local em que se realizava o tratamento químico da pele animal para produção de couro), se mantém conservados à maneira do imóvel original.
Curtume no Sítio do Físico
Paulo Soares/Grupo Mirante
Um pequeno cais cede a vista do rio Bacanga. Em dias de visitações, é possível realizar um trajeto entre o Sítio Piranhenga e o Sítio do Físico. À distância, no horizonte, é possível localizar, dentre outras coisas, a Capela de São Pedro.
Cais do Sítio do Físico é cenário para o Rio Bacanga.
Reprodução/TV Mirante
Em 1980, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) realizou o tombamento do Sítio, que, atualmente, recebe a denominação de ecomuseu. Esta definição se conecta à ideia de liberdade entre a comunidade e o patrimônio conservado, o que inclui a manutenção da memória, da identidade do local e da biodiversidade.
O Sítio do Físico, desde os anos 1970, é foco de estudos de antropólogos e biólogos, sendo a base para trabalhos e coletas de informações sobre o ecossistema, cultura e sociedade.
Cenário para ensaios fotográficos
Os Sítios Piranhenga e Físico também se notabilizam como locações para passeios, piqueniques e sessões de fotografia. Em entrevista ao g1 MA, o fotógrafo Paulo Soares explicou que a perspectiva histórica dos locais é um dos principais atrativos para a realização dos ensaios.
“Os Sítios do Físico e o Piranhenga atendem aqueles clientes que gostam de fotos em lugares ímpares, com particularidade para a natureza e a nostalgia de um lugar histórico”, disse.
Como visitar
O Sítio Piranhenga é aberto à visitações de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h30 às 17h. O local funciona também aos sábados, das 8h às 12h. O visitante paga uma taxa de R$ 3 para o acesso individual.
Já o Sítio do Físico está disponível para visitações de segunda a domingo, das 8h às 17h. Os guias do local recomendam, no entanto, que os excursionistas conheçam o espaço em horas com maior intensidade de luz, para o aproveitamento integral da experiência no Sítio.
*Sob supervisão de Rafael Cardoso, g1 MA.

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