Enem: Bolsonaro diz que queria questão sobre regime militar para ‘começar a história do zero’

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Presidente afirmou que a avaliação teria 'mudado para sempre, com questões objetivas' se ele próprio tivesse interferido na confecção da prova. O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira (24), em discurso durante cerimônia no Palácio do Planalto, que queria uma questão sobre o regime militar no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para "começar a história do zero".
O Enem começou a ser aplicado no último domingo (21). Uma semana antes, Bolsonaro disse que as questões do exame tinham começado a ter "a cara do governo" (vídeo abaixo). A declaração motivou críticas de que, por razões ideológicas, o governo estava interferindo no conteúdo da prova. No começo do mês, pelo menos 37 servidores que ocupavam cargos ligados à realização de exames como o Enem pediram exoneração por supostas pressão psicológica e vigilância.
Bolsonaro diz que questões do Enem 'começam agora a ter a cara do governo'
Ele negou ter interferido na confecção da prova, mas disse que, se tivesse feito isso, a avaliação teria "mudado para sempre, com questões objetivas".
O presidente afirmou que, nessa hipótese, não iria discutir se o regime militar "foi ou não foi ditadura", mas colocar na prova uma questão para que os participantes respondessem quem foi o primeiro general a comandar o país e em que data isso ocorreu.
"Saiu na imprensa que eu queria botar questão da ditadura militar. Não vou discutir se foi ou não foi ditadura militar. Mas eu queria botar, sim, uma questão lá, se pudesse: 'Quem foi o primeiro general que assumiu em 1964?'. Foi Castello Branco. 'Em que data?' Eu queria botar lá, declarou Bolsonaro na cerimônia.
De acordo com o presidente, o objetivo com isso seria "começar a história do zero".
"O que eu quero com isso? Não é discutir o período militar, é começar a história do zero. Foi dia 15 de abril, depois de uma eleição de 11 de abril, onde o Castello Branco foi votado pela Câmara e pelo Senado, e foi escolhido presidente da República à luz da Constituição de 1947", afirmou Bolsonaro, ao lado do ministro da Educação, Milton Ribeiro, em cerimônia de certificação de escolas cívico-militares.
Na segunda-feira (22), Bolsonaro negou ter interferido na elaboração da prova do Enem, acrescentando que a prova de linguagens e ciências humanas, realizadas no domingo, teve "questão de ideologia" e que, se ele e o ministro Milton Ribeiro pudessem interferir, isso não teria acontecido.
Parlamentares de oposição acionaram o Tribunal de Contas da União (TCU) pedindo a apuração de suposta interferência no Inep, o que o governo tem negado. No sábado (20), o ministro Walton Alencar Rodrigues, do Tribunal de Contas da União, propôs em despacho que o plenário do tribunal analise se as questões do Enem atendem a critérios técnicos.

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