Jovens do Brasil estão entre menos otimistas com o futuro, diz Unicef

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Brasileiros jovens e acima dos 40 anos estão mais pessimistas em relação ao futuro

Brasileiros jovens e acima dos 40 anos estão mais pessimistas em relação ao futuro
Sebastião Moreira/EFE/EPA

Uma pesquisa divulgada pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) na noite desta quarta-feira (17), feita em 21 países, mostrou que apenas 31% dos jovens brasileiros na faixa etária entre 15 e 24 anos acreditam que o mundo está melhorando. No ranking geral o país ficou em penúltimo lugar, à frente apenas do Mali, na África Ocidental.

Quando analisados participantes acima dos 40 anos, o pessimismo é ainda mais presente, já que somente 19% dos entrevistados creem na melhora do planeta. Na comparação com os dados mundiais, os números daqui são bem mais baixos, pois 57% dos adolescentes e jovens acreditam que as novas gerações viverão em um lugar melhor e 39% dos adultos também pensam dessa forma.

A pesquisa, feita pelo Instituto Gallup, ouviu 21 mil pessoas, divididas em dois grupos: um de entrevistados com idade entre 15 e 24 anos e outro acima dos 40 anos. Os questionários foram respondidos entre fevereiro e junho de 2021 nas seguintes nações: Alemanha, Argentina, Bangladesh, Brasil, Camarões, Espanha, Etiópia, EUA, França, Índia, Indonésia, Japão, Líbano, Mali, Marrocos, Nigéria, Peru, Quênia, Reino Unido, Ucrânia e Zimbábue. Aqui, as entrevistas foram feitas entre 23 de fevereiro e 17 de abril, período marcado pelo pico da pandemia no país.

A diretora-executiva do Unicef, Henrietta Fore, lembra que a situação vivida nos últimos anos é um motivo consistente para que o pessimismo esteja mais presente no dia a dia dos adultos, mas comemora o fato de que os mais novos seguem esperançosos.

“Não faltam motivos para o pessimismo: mudanças climáticas, pandemia, pobreza e desigualdade, aumento da desconfiança e crescimento do nacionalismo. Mas aqui está um motivo para otimismo: adolescentes e jovens se recusam a ver o mundo através das lentes sombrias dos adultos”, diz ela.

Ela acrescenta ainda que essa faixa etária se sente responsável pela melhora do mundo. “Em comparação com as gerações mais velhas, adolescentes e jovens do mundo permanecem esperançosos, com uma mentalidade muito mais global e determinados a tornar o mundo um lugar melhor. Eles se preocupam com o futuro, mas se veem como parte da solução."

Saúde mental

O Unicef perguntou também a opinião dos participantes sobre os possíveis responsáveis pelas sensações de otimismo e pessimismo. Quando questionados sobre a saúde mental, os mais novos relataram maior incidência de problemas em comparação com os adultos.

Na faixa etária mais baixa, 36% se sentem frequentemente nervosos, preocupados ou ansiosos e 19% se sentem deprimidos ou com pouca vontade de fazer atividades cotidianas. Entre os adultos, o índice foi de 30% e 15%, respectivamente.

No Brasil, os números também são maiores: 48% dos adolescentes e jovens (41% dos meninos e 54% das meninas) se sentem frequentemente nervosos, preocupados ou ansiosos e 22% dos adolescentes e jovens (15% dos meninos e 28% das meninas) dizem se sentir muitas vezes deprimidos ou com pouca vontade de fazer atividades cotidianas, em comparação com 39% e 11%, respectivamente, dos adultos.

O estudo indicou que a juventude pretende se engajar por um mundo melhor. Na média dos 21 países, 58% dos adolescentes e jovens confirmaram a importância de os políticos escutarem crianças e adolescentes para tomar decisões. O Brasil ficou acima da média, com 61% do grupo respondendo positivamente a essa questão.

“Esses resultados devem servir como um apelo para que os tomadores de decisões criem mais oportunidades para que os adolescentes e jovens contribuam para o desenvolvimento pós-pandemia. Com a sua criatividade e capacidade de gerar abordagens inovadoras a grandes desafios nacionais e globais, eles podem fazer uma diferença muito importante”, ressalta a representante do Unicef no Brasil, Florence Bauer.

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Importância da educação
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A evolução da educação e do trabalho também foi tema do estudo. Adolescentes e jovens dos 21 países acreditam que a própria infância foi melhor que a de seus pais. Além de afirmarem que a maioria das crianças e adolescentes de hoje tem mais acesso a saúde, educação e proteção contra a violência do que as gerações anteriores.

O Brasil ficou em segundo no ranking dos que mais acreditam no poder da educação para a transformação social. Mais da metade dos adolescentes e jovens brasileiros (59%) e dois terços dos adultos (74%) citam a educação como o principal fator para o sucesso. A média dos demais países foi 36% entre os mais novos e 34% entre os adultos.

Em todos os países, tanto adolescentes e jovens (59%) quanto adultos (56%) concordam que as crianças de hoje sentem uma pressão maior para ter sucesso. No Brasil, foram 69% e 63%, respectivamente.

Mudanças climáticas e fé na ciência

Os adolescentes e jovens se mostraram mais engajados nos problemas atuais. Nos 21 países, quase três quartos dos adolescentes e jovens sabem das mudanças climáticas e acreditam que os governos devem tomar medidas significativas para enfrentá-las.

A proporção é ainda maior em países de renda baixa e média baixa (82%), onde o impacto das mudanças climáticas costuma ser maior. No Brasil, são 73%.

Os resultados indicaram que adolescentes e jovens confiam mais do que os adultos nos cientistas (56% ante 50%), na mídia internacional (36% ante 30%) e nos governos (33% ante 27%) como fontes de informação segura.

Com relação às redes sociais, os níveis de confiança são baixos nos dois grupos – 17% entre adolescentes e jovens e 12% entre os adultos. No Brasil, há uma grande diferença geracional com relação à confiança no governo como fonte de informação, com um índice de confiança de 14% entre adolescentes e jovens e 23% entre adultos.

O levantamento revelou ainda que adolescentes e jovens são mais propensos que os adultos a se ver como cidadãos globais e defender a cooperação internacional para enfrentar ameaças como a pandemia de Covid-19. Em quase todos os países pesquisados, a grande maioria dos jovens relatou que seus países estariam mais seguros se os governos trabalhassem em coordenação com outras nações, em vez de sozinhos.

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