FOLHAPRESS – No cinema de Jordan Peele, o engajamento sociopolítico e a busca por um estilo andam lado a lado. Pode pender para o primeiro, como em “Corra”, sufocando o que o filme tinha de melhor, ou para o segundo, como em “Nós”, nublando um pouco a questão política pelo mergulho no gênero. Mas algum dia sentíamos que ele iria encontrar o equilíbrio entre um e outro.
Esse dia chegou e está cristalizado em “Não! Não Olhe!”. Não é um filme claramente superior aos anteriores. Falta a fúria inconformista de “Corra” e o maneirismo empolgante de “Nós”. Em compensação, sobram a coragem de abraçar as delícias do velho e bom cinema B, no caso, um filme de monstro, e a aptidão para criar uma narrativa verdadeiramente inclusiva.
Daniel Kaluuya, carismático protagonista de “Corra”, interpreta OJ Haywood, que se apresenta como descendente do jóquei que estrelava um dos primeiros experimentos com imagens em movimento -realizado por Eadweard Muybridge antes do que se entende pela invenção do cine..