
Tribunal de Justiça de SC suspende lei que proíbe cotas raciais nas universidades públicas
A Procuradoria-Geral da República (PGR) recomendou que o Supremo Tribunal Federal (STF) suspenda a lei número 19722/2026, de Santa Catarina, que proíbe cotas raciais em universidades públicas, privadas e comunitárias que recebem verbas do governo estadual. O órgão argumentou que a norma pode interferir em processos seletivos e "gerar efeitos jurídicos irreversíveis".
A lei catarinense está em discussão em uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no STF. Entraram com o processo o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), em parceria com a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes (Educafro).
✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp
Nessa mesma ação, o ministro Gilmar Mendes já havia pedido para o governo de Santa Catarina, a Assembleia Legislativa catarinense, que propôs a lei, e a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), diretamente afetada pela norma, dessem explicações.
Na prática, a norma estadual já está suspensa, já que há uma outra ação no mesmo estilo que tramita no Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC).
PGR cita decisões anteriores do STF e urgência
No argumento ao STF, a PGR cita decisões anteriores do Tribunal sobre o assunto cotas raciais. Em uma delas, relacionada ao Distrito Federal, o Supremo entendeu que a interrupção abrupta dessa política, sem avaliação das consequências da descontinuidade e dos resultados alcançados "afrontaria os preceitos constitucionais" das ações feitas para promover a igualdade racial.
A Procuradoria demonstrou preocupação com os efeitos da lei catarinense em processos seletivos em curso ou que vierem a ser abertos no início do ano acadêmico, "capaz de gerar efeitos jurídicos irreversíveis ou de difícil reversão".
Por essa razão, recomenda a medida cautelar, que seria a suspensão da lei enquanto o STF não tomar a decisão se ela é ou não constitucional.
➡️ Apesar de, na prática, a norma já estar suspensa, a PGR acredita que o Supremo Tribunal Federal deve acolher a medida cautelar, para que seja garantido que a lei não esteja valendo até o julgamento final pelo STF.
Lei estadual proíbe cotas raciais e prevê multa por descumprimento
A lei 19722/2026 proíbe a adoção de cotas raciais no ingresso em universidades públicas estaduais ou entidades de ensino superior comunitárias e privadas que recebam verbas públicas do governo de Santa Catarina.
A regra vale para o ingresso de estudantes ou contratação de professores, técnicos e qualquer outro profissional em instituições de ensino superior públicas ou que recebam verbas públicas.
Com isso, o fim das cotas raciais deve atingir estudantes:
da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), que oferece atualmente 59 cursos presenciais de graduação, distribuídos em 13 centros de ensino;
instituições do sistema de Associação Catarinense das Fundações Educacionais (Acafe), que reúne 14 instituições e mais de 100 mil alunos;
faculdades privadas que recebem bolsas do programa Universidade Gratuita e do Fundo de Apoio à Educação Superior (Fumdesc).
A lei diz que ficam excluídas da proibição a reserva de vagas para:
Pessoas com Deficiência (PCD);
Estudantes vindos de instituições estaduais públicas de ensino médio;
Aquelas baseadas em critérios exclusivamente econômicos.
Em caso de descumprimento, a lei prevê as seguintes penalidades:
anulação do edital;
multa de R$ 100 mil por edital em desacordo com a lei;
corte dos repasses de verbas públicas;
agentes públicos responsáveis por fazer e publicar o edital serão submetidos a Procedimento Administrativo Disciplinar.
O que dizem governo de SC, Alesc e Udesc
Em resposta ao ministro Gilmar Mendes, o governo de Santa Catarina, a Alesc e a Udesc responderam o seguinte:
Governo de Santa Catarina: a Procuradoria-Geral de Santa Catarina disse em nota que “defenderá a constitucionalidade da norma sancionada”.
Alesc: a Assembleia Legislativa pediu a extinção da ação sem resolução de mérito e sustentou a inexistência de vícios na lei estadual.
Udesc: Em nota, declarou que "a universidade tem atualmente o concurso Vestibular em andamento, com duas formas de seleção iniciadas antes da aprovação da Lei 19.722, sancionada pelo Governo do Estado".
Sala de aula vazia em Santa Catarina
Jonatã Rocha/Secom/Divulgação
VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias
Related Posts
Primeira a chegar em local de prova do Enem em João Pessoa estava com medo de se atrasar
Candidatos fazem provas de linguagens, ciências humanas e redação neste primeiro domingo (3) de Enem. Dinaura Abreu foi a primeira a chegar no local de provas dela com medo de se atrasar
Beatriz Freire/TV Cabo Branco
A estudante Dinaura Abreu de Brito, de 18 anos, foi a primeira a chega para fazer o primeiro dia de provas do Enem no Instituto Federal da Paraíba, um dos locais que recebem os candidatos ao exame em João Pessoa, neste domingo (3). Ela explicou que chegou por volta das 10h20 porque estava com medo de se atrasar.
Ela explicou que já fez o Enem nos dois últimos anos, mas foi em outro local de prova. “Ansiedade! Eu fiquei com medo de me atrasar porque ano passado eu fiz em outro local, nunca fiz no IF. Eu fiquei com medo, não sabia direito”, comentou.
LEIA TAMBÉM:
Mãe estuda com filhos para o Enem depois do trabalho e atividades domésticas: 'Aproveito e faço mais uma faculdade'
SIGA: g1 terá cobertura em tempo real e programa AO VIVO com a correção das questões
GABA..
Enem 2025: quase cinco milhões de estudantes vão realizar prova neste domingo (9)
Quase 5 milhões de estudantes vão fazer o Enem amanhã
Neste domingo (9) tem prova do Enem. Quase cinco milhões de estudantes vão disputar uma vaga nas universidades e, pela primeira vez, a seleção vai permitir o uso das notas das últimas edições.
É o..
‘Corroborar’, ‘assertivo’… 10 erros da língua portuguesa que são comuns em reuniões e e-mails de trabalho
Na tentativa de 'falar bonito' e de impressionar seu chefe, vem aquela tentação de usar uma palavra com a qual você não tem tanta intimidade. Veja quais os 'escorregões' mais comuns. Corroborar, assertivo: 4 'escorregões'..
