SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Conhecida por expor abusos cometidos na era stalinista, a ONG russa Memorial recebeu a notícia de que ganhou o prêmio Nobel da Paz nesta sexta (7) com certa ambivalência.
Parte da organização sente que não conseguiu impedir a maior catástrofe de todas, a Guerra da Ucrânia, conta a advogada Natália Sekretareva, 30, que chefia a área jurídica do ramo da ONG dedicado à defesa dos direitos humanos. Ao mesmo tempo, o prêmio tem uma importância simbólica em termos de visibilidade, já que, segundo ela, a luta pela causa é, muitas vezes, silenciosa.
Sekretareva ainda traça um paralelo entre a Rússia cada vez mais autoritária de hoje e o Brasil, prestes a eleger seu próximo presidente.
“Direitos são facilmente retirados, mas não [facilmente] concedidos”, diz ela. “[Jair] Bolsonaro é feito do mesmo material que Putin ou [do ditador belarusso Aleksandr] Lukachenko. A sociedade russa foi ensinada a se esquivar da política, correr para a esfera privada. Mas os brasil..