O filme “Somos os Guardiões”, que conta a história dos povos indígenas e dos movimentos sociais na luta contra os invasores da Amazônia e pela preservação da floresta no Maranhão, estreou na quarta-f
Filme 'Somos Guardiões" estreou na última quarta-feira (07) em Imperatriz. — Foto: Reprodução/TV Mirante
Filme 'Somos Guardiões" estreou na última quarta-feira (07) em Imperatriz. — Foto: Reprodução/TV Mirante
eira (7), em Imperatriz, cidade a 635 km de São Luís. O longa tem direção norte-americana e ainda conta com a produção do ator americano Leonardo DiCaprio.
Os Guardiões da Floresta é um grupo organizado de vigilantes indígenas que se arrisca para proteger o que ainda resta do território de etnias Guajajara, Kaapor e Awa-Guajá, no Maranhão. Conheça mais sobre a história e a atuação dos indígenas na floresta.
O documentário, protagonizado pela ativista Puyr També e pelo guardião Marçal Guajajara, tem como objetivo dar voz às comunidades originárias que vivem em áreas demarcadas no Brasil.
Além disso, o longa-metragem quer expor os desafios dos homens e mulheres que protegem o território amazônico dos madeireiros ilegais, denuncia as ações ilegais de desmatamento por grileiros em busca de madeira.
- Guardiões da Floresta: grupo de indígenas enfrenta medo e omissão do poder público para defender terras de madeireiros e garimpeiros no MA
O filme destaca a participação das mulheres na luta pela manutenção da floresta. No Maranhão, até o ano passado, 30 guardiãs indígenas maranhenses passaram a lutar junto com homens em defesa das áreas demarcadas no município de Bom Jardim, cidade a 281 km de São Luís.
A atriz Puyr També diz que o filme inspira a olhar para as causas ambientais com mais sensibilidade.
“Olhar o planeta de uma outra forma, de cuidar dessa questão ambiental. Mas também olhar os povos indígenas nessas instâncias que a gente tá chegando. Foram lutas , foram anos de gravação dentro dos territórios.” disse a protagonistas.
Filme 'Somos Guardiões' estreou nesta quarta-feira em Imperatriz
Como atuam os 'Guardiões'
Indígenas cercam homens que estavam em acampamento montado na Terra Indígena Alto Turiaçu, com a finalidade de desmatar a região — Foto: Lunae Parracho/Reuters
Indígenas cercam homens que estavam em acampamento montado na Terra Indígena Alto Turiaçu, com a finalidade de desmatar a região — Foto: Lunae Parracho/Reuters
Os "Guardiões da Floresta" atuam em várias regiões do Maranhão, principalmente na terra indígena Arariboia, um território com 413 mil hectares no sudoeste do estado, onde vivem 12 mil indígenas. O grupo identifica e vigia as trilhas abertas pelos madeireiros ilegais e flagra a ação dos criminosos.
Os "Guardiões" são divididos por etnia. Segundo a Frente de Proteção Awa Guajá, ligada a Funai, cada etnia define o número de guardiões para cada região que vai atuar dentro da floresta amazônica.
Guardiões da Floresta durante formação política na Terra Indígena Arariboia. — Foto: Gilderlan Rodrigues/Cimi-MA
Guardiões da Floresta durante formação política na Terra Indígena Arariboia. — Foto: Gilderlan Rodrigues/Cimi-MA
Violência contra os Guajajara
De acordo com o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), nos últimos 10 anos já foram registrados ao menos 35 casos de assassinatos de indígenas no Maranhão, muitos deles na região da Terra Indígena Arariboia, onde moram os Guajajara.
Paulo Paulino “Lobo Mau” Guajajara morreu no local — Foto: Sarah Shenker/Survival International
Paulo Paulino “Lobo Mau” Guajajara morreu no local — Foto: Sarah Shenker/Survival International
Um caso de grande repercussão aconteceu em novembro de 2019, quando o indígena Paulo Paulino Guajajara, também conhecido como o “Lobo Mau”, foi morto em uma emboscada. Um madeireiro identificado como Márcio Gleik Moreira Pereira também morreu em uma troca de tiros, e o indígena Laércio Sousa Silva sobreviveu.
Sobre este caso, Justiça Federal determinou que Antonio Wesly Nascimento Coelho e Raimundo Nonato Ferreira de Sousa irão a júri popular. Eles se tornaram réus após uma denúncia feita pelo Ministério Público Federal (MPF) e vão responder por homicídio qualificado por motivo fútil e eventual emboscada.
A dupla também vai responder pela tentativa de homicídio por suposto motivo fútil e emboscada contra o indígena Laércio Sousa Silva, com agravante de ofensa indígena. Além disso, os réus também irão a júri popular pela posse arma ilegal de fogo.
Para o MPF, os crimes contra a vida foram agravados por terem atingido a comunidade indígena, uma vez que foram cometidos contra aqueles que lá estavam para proteger a terra e cultura indígenas.
Além disso, foram cometidos também por motivo fútil, com a finalidade de reaver uma motocicleta, e de forma que dificultou a defesa da vítima, tendo em vista o elemento surpresa destacado no contexto em que foram efetuados os disparos de arma de fogo.
