Sudeste liderou o número de abandono escolar na pandemia

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Reprodução / Pixabay

A região Sudeste liderou o número de abandonos escolares no ano da pandemia, foram 130.148, contra 103.203 do Nordeste, que historicamente costumava ter os maiores índices do país. Os dados fazem parte do Painel de desigualdades educacionais no Brasil, organizado pelo Cenpec com base nos números do censo escolar.

Em todo o Brasil, foram registrados 342.806 abandonos ao longo do ano passado, número 45% inferior ao de 2019 e que mantém a trajetória de queda verificada desde 2015. Em relação ao sexo, seis de cada 10 que largaram a escola (209.313 ou 61%) em 2020 eram homens.

Assim como em todos os anos anteriores apurados pelo Cenpec, a maior evasão ocorre entre os alunos do ensino médio, com 157.646 (46%) casos contabilizados no ano passado. Outros 122.200 abandonos ocorreram nos anos finais do ensino fundamental (35,6%) e os demais 18,36% (62.960) do 1º ao 5º ano.

O painel tem como objetivo facilitar o acesso aos dados sobre educação no país. A ferramenta traz uma sistematização de dados e análises sobre as principais barreiras da educação básica no país, além de conteúdos para aprofundar o conhecimento no contexto histórico das desigualdades e nas políticas públicas que ajudam a enfrentar esse cenário.

"A proposta do Cenpec é enfatizar o combate das desigualdades escolares e o painel reúne, neste primeiro momento, dados do censo escolar de 2020 com ênfase no abandono escolar, diferença idade e série formação dos professores", explica o diretor de Pesquisa e Avaliação do Cenpec, Romualdo Portela de Oliveira.

O painel separa os dados relacionados a permanência escolar, que apresentam números de reprovação, distorção idade-série e abandono escolar. Nessa área, é possível visualizar esses dados atrelado às análises a partir do contexto de estudantes, das escolas ou dos territórios brasileiros. E para cada contexto, existem filtros que ajudam a pensar esses dados a partir de marcadores sociais: no caso de estudantes, é possível filtrar pelo perfil de sexo e raça/cor; para o contexto escolar, a dependência administrativa, ciclo ou etapa da educação básica e ano/série; e sobre os territórios, as regiões, estados e localizações rural ou urbana.

A segunda entrada direciona um olhar para a formação inicial dos professores, fator fundamental para se pensar as condições de oferta educacional do país. A partir de então, é possível filtrar os dados por estado e município, pela etapa de ensino, pela própria escola, e ainda por zona rural ou urbana.

"Importante destacar que as desigualdades existiam antes da pandemia, mas foram acentuadas com o aumento da pobreza, o ensino remoto parcial porque nem todos os estudantes conseguiram acessar as aulas e qualidade do ensino também foi prejudicada", observa Romualdo.

O painel também permite visualizar um cenário em que as desigualdades educacionais se sobrepõem e potencializam. Exemplo disso é que em alguns estados onde há maior distorção de idade-série, também é possível perceber que nesses locais existe uma oferta maior de professores sem formação acadêmica adequada. "Observamos que grupos específicos como meninos mais pobres, negros e indígenas estão fora da escola em maior número, ressaltamos que devemos pensar nas multiplas desigualdades", conclui o diretor.

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