
Dados contabilizados até a penúltima chamada também revelam redução na quantidade de estudantes ingressantes que são de famílias de baixa renda. Confira detalhes dos indicadores. Estudantes durante 2ª fase do vestibular 2022 da Unicamp
Eduardo Rodrigues/EPTV
A Unicamp registrou no vestibular 2022 diminuição na quantidade de estudantes aprovados que cursaram o ensino médico em unidades da rede pública, no comparativo com a edição anterior, segundo estatísticas divulgadas nesta quinta-feira (7) pela comissão organizadora (Comvest). Em contrapartida, a universidade contabilizou alta na quantidade de negros (pretos e pardos) ingressantes.
Os reflexos socioeconômicos decorrentes da pandemia de Covid-19, pelo segundo ano consecutivo, também repercutiram na baixa de candidatos aprovados e isentos no pagamento da taxa de inscrição. Ao todo foram 8,3 mil e o principal grupo beneficiado é o de provenientes de famílias de baixa renda (até 1,5 salário mínimo mensal por morador do domicílio). Veja abaixo detalhes e análise.
Os dados consideram nove de dez chamadas da seleção tradicional, o acesso por análise de notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) – que deixou de ser aplicada no vestibular 2021 por causa da divergência de calendários entre a universidade e o governo federal – e a modalidade com reserva de vagas para premiados em olimpíadas de conhecimentos selecionadas pela instituição.
Os dados do vestibular 2022 não consideraram, portanto, dados do vestibular indígena, aplicado em 27 de março. Por outro lado, a edição anterior foi contabilizada no levantamento sobre ingresso em 2021.
Rede pública
O levantamento da Comvest mostra que, entre os 3.212 matriculados nas modalidades do vestibular 2022, um total de 1.353 são oriundos da rede pública, o equivalente a 42,1%. O percentual fica abaixo dos 45,7% verificados na edição anterior, quando foram 1.533 entre 3.358 estudantes ingressantes.
O recorde deste indicador foi registrado pela Unicamp em 2018, quando chegou a 53,1%. Segundo o diretor da Comvest, José Alves de Freitas Neto, o índice deve subir para 44% quando a universidade estadual contabilizar os dados do vestibular indígena, que teve prova unificada com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). A Unicamp tem 130 vagas e a lista de aprovados sai em 18 de abril.
"Essa queda do número de ingressantes de escola pública é reflexo direto da desigualdade acentuada pela pandemia nos últimos dois anos. Eles tiveram menos acesso às aulas, menos recursos tecnológicos para o acompanhamento e a preparação para os vestibulares. Isso ficou bastante nítido também no ano passado, antes de termos o vestibular e resultados, porque tivemos a queda do número de inscritos. Menor número de inscritos significa que o estudante está menos preparado porque concedemos maior isenção […] Esse é o grande trabalho que precisamos fazer daqui para frente para que os estudantes voltem a se engajar para os vestibulares, Enem e assim por diante. Essa queda dos inscritos aconteceu nos vestibulares das principais universidades, como também no Enem. Infelizmente, por mais que a gente tenha políticas robustas de inclusão, nós não conseguimos conter todo impacto da desigualdade marcada pela pandemia. Isso se refletiu nos dados, embora louve-se, boa parte dos cursos tenha conseguido atingir e ultrapassar a meta de 50%", destacou.
Outra forma de acesso aos cursos de graduação da Unicamp ocorre pelo Programa de Formação Interdisciplinar Superior (Profis), curso da universidade voltado aos estudantes que cursaram o ensino médio em escolas públicas de Campinas e que permite a entrada sem realização do vestibular.
O diretor da Comvest, José Alves de Freitas Neto
Antoninho Perri / Unicamp
Inclusão de pretos e pardos
O levantamento da Comvest indica que, nesta edição, o total de matriculados autodeclarados pretos e pardos equivale a 29,9%, ou seja, 961 estudantes. O indicador significa um aumento em relação ao processo seletivo anterior, quando o grupo de 969 correspondia a 28,9% do total de inscritos do grupo.
"O fato de termos uma política de cotas estabelece um piso mínimo de 25% dos candidatos. E contamos neste ano com maior comparecimento dos candidatos às comissões de averiguação. Às vezes você tem a convocação, eles passam em outras universidades e não se matriculam. Tivemos uma resposta mais positiva", falou Freitas Neto sobre o perfil.
Segundo a Comvest, 82% dos cursos alcançaram indicador igual ou superior a 25% para este público.
Redução de estudantes de baixa renda
Outro resultado destacado pela Unicamp foi a baixa do número de estudantes de baixa renda com isenção integral da taxa de inscrição aprovados e matriculados em cursos de graduação. Ao todo são 414 estudantes, 12,9% do total, enquanto que em 2021 foram 563 contemplados, igual a 16,8%.
"A pandemia impactou os estudantes mais vulneráveis", frisou o diretor da Comvest. Em relação ao total de matriculados na universidade após o vestibular 2022, 13% são de fora do estado de São Paulo.
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Agência Senado/Divulgação
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